71% das organizações globais já possuem um PMO estruturado, segundo o PMI Pulse of the Profession 2025.
O número de Escritórios de Gestão de Projetos no Brasil cresceu 18% entre 2021 e 2024, de acordo com o PMI Brasil.
A evolução do PMO para funções estratégicas e de governança de portfólio cria novas oportunidades de carreira, incluindo atuação em projetos de inteligência artificial.
Os Escritórios de Gestão de Projetos (Project Management Office – PMO) vêm passando por uma mudança de função dentro das empresas.
Antes concentrados na padronização de processos, elaboração de documentos e acompanhamento de cronogramas, esses escritórios passaram a ocupar um espaço ligado à estratégia organizacional e à gestão do portfólio de projetos.
Segundo Mario H. Trentim, Board Member do PMI Global (2025–2027), doutorando pelo ITA e criador do framework Adapt OS, essa transformação também altera o perfil dos profissionais mais demandados pelo mercado.
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O estudo também aponta que empresas com Escritórios de Gestão de Projetos considerados maduros entregam 38% mais projetos dentro do prazo e do orçamento quando comparadas às organizações sem uma estrutura equivalente.
De acordo com Trentim, esses indicadores reforçam a relação entre governança de projetos e desempenho organizacional.
“O PMO que vai durar não é o que controla o processo. É o que governa o resultado.”
Crescimento dos Escritórios de Gestão de Projetos acompanha mudanças no mercado brasileiro
No Brasil, o movimento segue a mesma direção observada no cenário internacional.
A pesquisa PMI Brazil 2024 registrou crescimento de 18% no número de PMOs formalizados em relação a 2021.
O avanço ocorreu durante um período marcado por controle de custos e reestruturações nas empresas.
Na avaliação de Trentim, muitas organizações recorreram à gestão estruturada de projetos para aumentar o controle sobre investimentos e priorizar iniciativas com maior potencial de retorno.
Ao longo desse processo, o PMO deixou de exercer apenas uma função operacional e passou a participar de decisões relacionadas ao direcionamento dos investimentos corporativos.
PMO evolui para gestão de valor e portfólio estratégico
Outra mudança destacada pelo PMI é a evolução do conceito tradicional de Project Management Office para o modelo conhecido como Portfolio Value Management Office (VMO).
Nesse formato, o escritório deixa de acompanhar apenas a execução dos projetos e passa a responder por atividades como:
definição das prioridades do portfólio;
distribuição de recursos entre projetos;
avaliação dos resultados estratégicos;
encerramento de iniciativas que não geram valor para o negócio.
Segundo Trentim, essa mudança aproxima o PMO da alta liderança.
“A questão central passou a ser: o portfólio desta empresa está alocando capital e capacidade para as iniciativas certas? Quando o PMO consegue responder essa pergunta com dados confiáveis, ele se torna parceiro da diretoria.”
Analista de PMO: entre R$ 8 mil e R$ 14 mil por mês;
Coordenador de PMO: entre R$ 14.450 e R$ 23.700;
Gerente de PMO: entre R$ 19.450 e R$ 31.400.
Segundo Trentim, organizações que utilizam o PMO em atividades estratégicas tendem a demandar profissionais com competências mais amplas, o que influencia diretamente a remuneração.
PMO voltado para inteligência artificial surge como nova área de atuação
Outra tendência apontada por Trentim é o crescimento de estruturas voltadas à governança de projetos envolvendo inteligência artificial.
Projetos dessa natureza costumam reunir desafios relacionados à gestão de dados, algoritmos, conformidade regulatória, mudanças organizacionais e acompanhamento de resultados.
Por isso, empresas têm buscado profissionais capazes de integrar conhecimentos de gestão de projetos e governança de IA.
Segundo ele, esse perfil ainda é pouco comum no mercado.
“O profissional que conseguir atuar no cruzamento entre governança de portfólio e transformação com IA vai encontrar um mercado com menor concorrência nos próximos anos. Não se trata de desenvolver algoritmos, mas de saber estruturar decisões, responsabilidades, critérios de acompanhamento e indicadores para projetos que utilizam inteligência artificial.”
Para profissionais interessados em atuar na área, Trentim afirma que a trajetória costuma começar em funções de suporte aos projetos, evoluindo para posições de maior responsabilidade na gestão do portfólio corporativo.
Entre as competências mais valorizadas estão:
análise de indicadores e tomada de decisão baseada em dados;
Segundo o especialista, a combinação entre governança de portfólio e transformação digital tende a ampliar as oportunidades para profissionais especializados nos próximos anos.
Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI, reitor da Allevo Tech/Qeevo Group, doutorando pelo ITA, autor de 13 livros sobre gestão e execução estratégica e atua como conselheiro em organizações em transformação.