
Nota de corte Direito no Sisu 2026: qual pontuação é necessária?
João Marcondes | 16/01/26As inscrições do Sisu 2026 acontecem de 19 a 26 de janeiro. Veja quanto é preciso tirar no Enem para passar em Direito, com base nas notas de corte de 2025.
No último dia 17, muitas pessoas nas redes sociais entraram em discussões acerca da existência e importância dos programas do governo de acesso ao ensino superior, o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

A polêmica teve início com um tweet do ex-presidente e candidato à presidência em 2022, Lula, que em seu perfil compartilhou sobre a importância de investimento na educação para o desenvolvimento do país, afirmando que o Prouni e Fies voltarão “com força” em sua gestão, caso seja eleito. Veja abaixo:
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O tweet foi a porta de entrada para uma longa discussão dos usuários da rede sobre os dois programas do governo e também sobre a própria educação superior. Alguns defendem que o Prouni e Fies ajudaram muitas pessoas a entrarem na faculdade e devem continuar existindo e recebendo investimento:
Já outros alegam que os programas deveriam acabar e que o investimento deveria ser feito nas universidades públicas. Além disso, também afirmam que o Prouni e Fies fomentam a mercantilização da educação por grupos privados de ensino, que se preocupam com o lucro e não com a qualidade da educação:
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Nos últimos anos, o Prouni e Fies passaram por diversas mudanças realizadas pelo Ministério da Educação (MEC). Inclusive, um estudo da Frente Parlamentar da Educação, feito em 2021, apontou uma redução de quase 30% nas bolsas do Prouni de 2020 para 2021. Em 2020, o programa ofertou 420,3 mil oportunidades e, em 2021 foram apenas 296,3 mil.
Entretanto, já em 2022 o Prouni retomou o ritmo de crescimento, ofertando ainda mais vagas que no período da pandemia: 463 mil, contando as duas edições do Prouni, no primeiro e no segundo semestre do ano.
No caso do Fies, o número de vagas vem caindo ao longo dos anos. Em 2021, o programa fechou o menor número de contratos em 11 anos: 93.000. Para se ter uma ideia, em 2014, foram fechados 732.673 contratos. Além disso, o programa sofre com um grande número de “vagas ociosas”, aquelas que não são preenchidas durante o processo.
Vale relembrar que o Prouni é uma programa criado pelo MEC que fornece bolsas de estudo parciais e integrais em instituições de ensino particulares, para estudantes de baixa renda e sem diploma de nível superior.
Já o Fies é um programa do governo federal que oferece financiamento das mensalidades de um curso superior a partir da nota do Enem e critérios de renda. Assim, após formado, é que o estudante começa a quitar a sua dívida.

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Para entender e acompanhar a discussão sobre a existência e o investimento ou não nos programas de acesso ao ensino superior, é necessário analisar as principais críticas que são feitas ao Prouni e Fies:
1. “O investimento financeiro deveria ser feito nas universidades públicas, e não nos programas do governo”: algumas pessoas alegam que o dinheiro investido na educação deve ser destinado às universidades e instituições públicas do país, que muitas vezes não dispõe de verbas nem mesmo para pagar seus professores e passaram por muitos cortes no orçamento somente neste ano, totalizando R$ 621 milhões.
2. “Prouni e Fies fomentam a mercantilização da educação”: algumas pessoas afirmam que as instituições privadas, por serem dirigidas por grandes empresas, estão mais preocupadas com o dinheiro que entra do que com a qualidade do ensino oferecido. Alguns ainda defendem que, por ser um direito, toda a educação superior deveria ser obrigatoriamente pública para todas as pessoas.
3. “O Fies propicia o endividamento dos jovens que fazem o financiamento do curso”: segundo dados do MEC, mais de 1 milhão de estudantes estão inadimplentes no Fies, com mais de 90 dias de atraso no pagamento. O que ocorre é que, ao financiar um curso pelo Fies, alguns estudantes não conseguem manter o pagamento em dia ou então não conseguem arcar com as mensalidades mesmo após se formar e, consequentemente, ficam com a dívida.
Conforme explica a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz, tanto o Prouni quanto o Fies são programas muito importantes para ampliar o acesso ao ensino superior e devem ser mantidos, o que não exclui a necessidade de também haver investimento para as universidades públicas.
“O Brasil ainda está muito longe de alcançar a meta de ter 33% dos jovens cursando o ensino superior, determinada pelo Plano Nacional de Educação (PNE), por isso essas políticas públicas para o acesso ao ensino superior privado são essenciais”.
A presidente relembra que a discussão sobre a importância dos programas surgiu em um contexto de sucateamento dos mesmos durante os últimos anos, com o Prouni passando por diversos problemas de inscrição, instabilidade no site e mudança de datas a todo instante e o Fies sendo menos atrativo aos estudantes devido aos juros.
Assim, o problema não estaria nos programas e sim na forma como estão sendo administrados. Para que os programas possam atuar com efetividade e as instituições atendam à qualidade do ensino oferecido a UNE defende a regulamentação do ensino privado e criação de programas de permanência que evitem a evasão dos estudantes da faculdade.
A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), por meio do movimento #EducaçãoMaisForte, se posiciona a favor da existência e ampliação do Prouni, defendendo inclusive a reabertura do “ProIES”, criado para permitir que instituições particulares de ensino superior pudessem converter parte de suas dívidas com o governo federal em bolsas de estudo.
Já no caso do Fies, a ABMES é a favor da criação de um novo modelo de financiamento estudantil, que possibilite ao Brasil alcançar as metas do PNE e “que contemple formas inteligentes de pagamento, condicionadas à renda dos
[estudantes] egressos”.Confira mais: Prouni não terá mais notas parciais? Entenda
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