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| 06/11/26Em 2026, as datas confirmadas vão de 18 a 23 de dezembro. Saiba mais!
Entenda as notas dos estudantes brasileiros em Matemática, Leitura e Ciências e o que os dados revelam sobre a aprendizagem.
Em resumo:
O resultado do Pisa 2025 mostrou que o desempenho dos estudantes brasileiros permaneceu praticamente estável em relação à edição anterior.
A avaliação reuniu mais de 760 mil estudantes de 91 países e economias, incluindo o Brasil, e teve seus resultados divulgados nesta terça-feira, 8 de setembro, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O exame analisa se estudantes de 15 anos conseguem usar conhecimentos de Matemática, Leitura e Ciências para interpretar informações, resolver problemas e lidar com situações da vida real. Nesta edição, Ciências foi a área principal.
Embora as notas do Brasil tenham ficado próximas às registradas em 2022, elas continuam abaixo da média da OCDE. Mais do que um ranking, os resultados ajudam famílias, escolas e gestores públicos a entender quais habilidades precisam de maior atenção.
A seguir, estão os principais resultados do Pisa 2025 no Brasil, a posição do país, as diferenças em relação à média internacional e o que os dados podem representar para pais e responsáveis.

Pisa é a sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. A avaliação é coordenada pela OCDE e aplicada normalmente a cada três anos.
Na edição de 2025, participaram 91 países e economias. Ao todo, mais de 760 mil estudantes realizaram a avaliação, representando cerca de 33 milhões de jovens de 15 anos.
O exame avalia estudantes com idade entre 15 anos e 3 meses e 16 anos e 2 meses que tenham completado pelo menos seis anos de escolaridade formal.
Diferentemente de uma prova escolar, o Pisa não procura medir somente a memorização de conteúdos. As questões analisam se os jovens conseguem aplicar o que aprenderam para:
No Brasil, a aplicação é coordenada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O país participa do programa desde 2000.
O Brasil alcançou 377 pontos em Matemática, 408 em Leitura e 409 em Ciências. Nas três áreas, o desempenho ficou abaixo da média dos países da OCDE.
| Área avaliada | Brasil | Média da OCDE | Diferença |
| Matemática | 377 pontos | 463 pontos | 86 pontos abaixo |
| Leitura | 408 pontos | 461 pontos | 53 pontos abaixo |
| Ciências | 409 pontos | 482 pontos | 73 pontos abaixo |
As médias internacionais são apresentadas no painel oficial do Pisa 2025. Segundo a nota da OCDE sobre o Brasil, as variações brasileiras em relação a 2022 não foram estatisticamente significativas.
Na edição anterior, o país havia registrado 379 pontos em Matemática, 410 em Leitura e 403 em Ciências. Portanto, houve uma diferença de dois pontos para baixo em Matemática e Leitura e de seis pontos para cima em Ciências.
Para Jalman Lima, mestre em Matemática e gerente da CASIO Educação, o resultado precisa ser interpretado considerando também a queda recente das médias internacionais.
É positivo observar que, olhando para as últimas duas décadas, o Brasil reduziu a distância em relação aos países da OCDE. Mas isso não significa que tivemos uma melhora expressiva nesta edição. Os resultados brasileiros ficaram praticamente estáveis em relação a 2022 e, de forma geral, permanecem próximos dos níveis observados desde 2015.
O especialista ressalta que parte dessa aproximação ocorreu porque a média da OCDE também recuou nos últimos anos.
Portanto, estamos reduzindo a distância, mas ainda não na velocidade de que precisamos.
O Pisa não apresenta uma única posição geral do Brasil. As classificações são separadas por área, e empates estatísticos podem fazer com que diferentes publicações apresentem pequenas variações nas colocações.
Na ordenação de 89 países e economias com resultados comparáveis, o país ficou em:
Entre os países latino-americanos, o desempenho brasileiro também variou conforme a disciplina. Em Leitura, o Brasil ficou atrás de Chile e Uruguai. Em Matemática, foi superado por Uruguai, Chile, México, Costa Rica, Peru e Colômbia.
Por isso, buscas por “Pisa 2025 ranking” ou “ranking Pisa 2025” precisam considerar a área analisada. Não existe uma única colocação que resuma todo o sistema educacional brasileiro.
Mais de 760 mil estudantes de 91 países e economias participaram da avaliação, representando aproximadamente 33 milhões de jovens de 15 anos.
No Brasil, participaram 30.140 estudantes de 1.053 escolas. A amostra representa cerca de 2,185 milhões de brasileiros dessa faixa etária.
O Pisa é amostral. Isso significa que nem todos os estudantes de 15 anos realizam o exame. As escolas e os participantes são selecionados para representar diferentes redes, regiões e contextos educacionais.
Além da pontuação média, o resultado do Pisa 2025 mostra quantos estudantes atingiram o nível 2, considerado o patamar básico de proficiência.

Apenas 28% dos estudantes brasileiros alcançaram ao menos o nível 2 em Matemática. Na média da OCDE, esse percentual foi de 65%.
Nesse nível, o estudante consegue reconhecer como uma situação simples pode ser representada matematicamente. Pode, por exemplo, comparar rotas ou realizar uma conversão de preços.
Na avaliação de Jalman Lima, esse é o dado mais preocupante do Pisa 2025 para o Brasil.
Isso significa que aproximadamente sete em cada dez estudantes ainda apresentam dificuldades para interpretar uma situação relativamente simples e reconhecer como representá-la matematicamente. Não estamos falando apenas de realizar cálculos, mas de compreender uma situação, estabelecer relações, escolher estratégias e utilizar a Matemática para resolver problemas.
Segundo o especialista, o resultado reforça a necessidade de ir além de um ensino baseado somente na repetição de fórmulas e procedimentos.
O PISA não procura medir simplesmente quanto conteúdo o estudante consegue reproduzir. Ele procura verificar se o jovem consegue mobilizar o que aprendeu diante de situações novas.
Em Leitura, 49% dos estudantes brasileiros atingiram o nível 2 ou superior. A média da OCDE foi de 69%.
Esse nível envolve identificar a ideia principal de um texto de tamanho moderado, localizar informações a partir de critérios explícitos e refletir sobre a finalidade de um conteúdo.
Somente 1% dos participantes brasileiros alcançou o nível 5 ou superior. Na média da OCDE, o índice foi de 6%.
Em Ciências, 48% dos estudantes brasileiros chegaram ao nível 2 ou acima, diante de uma média de 74% na OCDE.
Os estudantes que atingem esse patamar conseguem reconhecer explicações para fenômenos científicos familiares e avaliar, em situações simples, se uma conclusão é compatível com os dados apresentados.
Cerca de 1% dos brasileiros alcançou os níveis 5 ou 6 em Ciências. A média da OCDE foi de 7%.
Os questionários contextuais do Pisa ajudam a compreender como os estudantes aprendem, como se relacionam com a escola e quais condições podem influenciar o desempenho.

Entre os estudantes brasileiros, a diferença média em Ciências entre os 25% mais favorecidos e os 25% menos favorecidos foi de 96 pontos. Na OCDE, essa distância ficou em 85 pontos.
O nível socioeconômico explicou 16% da variação do desempenho científico no Brasil, acima dos 12% observados na média da organização.
Esses números não significam que a renda determine o resultado individual. Eles indicam que acesso a recursos, condições de estudo e oportunidades educacionais continuam relacionados à aprendizagem.
Para Jalman, qualquer avanço educacional precisa alcançar também os estudantes que enfrentam condições socioeconômicas desfavoráveis.
Melhorar a média é importante, mas não será suficiente se essa melhora não alcançar também os estudantes em contextos de maior vulnerabilidade.
Na avaliação do especialista, os resultados indicam prioridades claras para a educação brasileira.
Precisamos concentrar esforços em aprendizagem básica, formação e suporte ao professor, raciocínio matemático, resolução de problemas e uso intencional das tecnologias. O desafio é fazer com que o estudante deixe de apenas executar procedimentos e passe, cada vez mais, a compreender o que está fazendo e por que está fazendo.
Cerca de 55% dos estudantes brasileiros relataram ter faltado pelo menos um dia nas duas semanas anteriores à avaliação. Na média da OCDE, o percentual foi de 22%.
Além disso, 53% disseram ter faltado a pelo menos uma aula. A ausência frequente pode dificultar a continuidade dos estudos e precisa ser observada em conjunto pela família e pela escola.
No Brasil, 48% dos participantes afirmaram usar chatbots de inteligência artificial pelo menos uma vez por semana para ajudar na aprendizagem. A média da OCDE foi de 46%.
Os usos de IA mais citados pelos estudantes brasileiros foram:
A presença da IA não é positiva ou negativa por si só. O ponto central é ensinar o estudante a verificar fontes, avaliar a qualidade das respostas e utilizar a tecnologia como apoio, sem substituir o próprio raciocínio.
Em 2025, 51% dos estudantes brasileiros disseram que pais ou responsáveis perguntavam, pelo menos uma vez por semana, o que eles faziam na escola. Em 2022, esse percentual era de 62%.
Já a parcela que mantinha conversas semanais com a família sobre problemas escolares caiu de 55% para 41%.
O acompanhamento não precisa assumir a forma de cobrança constante. Perguntar sobre a rotina, observar dificuldades e manter contato com a escola pode ajudar a identificar necessidades antes que elas se acumulem.
Os países da OCDE, grupo que reúne algumas das economias mais desenvolvidas, também registraram queda. Entre 2015 e 2025, a média recuou 22 pontos em Matemática e 28 pontos em Leitura, área que apresentou a maior perda.
A OCDE afirma que não há uma causa única para esse resultado. Entre as possíveis explicações estão:
A queda internacional também ajuda a interpretar os resultados do Brasil. A distância para os países mais ricos diminuiu em parte porque as médias da OCDE recuaram, e não por uma melhora expressiva no desempenho brasileiro.
O Pisa avalia sistemas educacionais, não o potencial de cada estudante nem a qualidade isolada de uma escola. Portanto, as notas brasileiras não devem ser usadas para prever o futuro acadêmico de uma criança ou adolescente.
Para as famílias, os resultados reforçam a importância de observar aspectos concretos da experiência escolar:
Caso dificuldades persistentes sejam percebidas, a conversa com professores e com a coordenação pedagógica pode ajudar a definir estratégias.
Quando necessário, uma avaliação individual realizada por um profissional qualificado também pode ser indicada.
Os resultados do Pisa 2025 mostram que a aprendizagem depende de um conjunto de fatores: práticas pedagógicas, frequência, ambiente escolar, apoio dos professores, participação familiar e acesso a recursos adequados.
Na escolha de uma escola, a família pode avaliar questões como a proposta pedagógica, a formação dos professores, as estratégias de recuperação, o acompanhamento individual, os projetos de leitura e Ciências e a forma como a tecnologia é incorporada às aulas.
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