A alfabetização tradicional não perdeu importância com a chegada da inteligência artificial;
O letramento digital ajuda o estudante a analisar informações, fontes e riscos no ambiente online;
O pensamento computacional desenvolve estratégias para organizar dados e resolver problemas;
Escola e família devem estimular curiosidade, raciocínio, autonomia e uso responsável da tecnologia.
A alfabetização no século XXI amplia a formação das crianças sem abandonar os conhecimentos básicos. Ler, escrever, interpretar textos e desenvolver o raciocínio matemático continuam essenciais, mas passam a conviver com competências como letramento digital, pensamento crítico e uso responsável da tecnologia.
O Dia Mundial da Alfabetização, celebrado em 8 de setembro e denominado oficialmente pela Unesco como Dia Internacional da Alfabetização, chama a atenção para a importância da leitura e da escrita como direitos fundamentais.
Em uma sociedade marcada por plataformas digitais eferramentas de inteligência artificial, porém, surge uma dúvida: saber ler e escrever ainda é suficiente para preparar uma criança para aprender e participar da vida social?
A resposta é que essas aprendizagens continuam indispensáveis, mas precisam ser acompanhadas por competências como interpretação, pensamento crítico, raciocínio matemático, letramento digital e pensamento computacional.
Teste vocacional
Qual carreira combina com o seu perfil?
Responda as perguntas e descubra o curso certo e as bolsas ideais para você!
Imagem criada com auxílio de Inteligência Artificial para fins editoriais.
O que significa alfabetização no século XXI?
Em sentido estrito, alfabetizar envolve ensinar a criança a compreender o sistema de escrita, ler e produzir textos. Essa base permite estudar diferentes disciplinas, comunicar ideias e participar de situações sociais que dependem da linguagem escrita.
A alfabetização no século XXI não abandona esse processo. Ela amplia a formação para que o estudante também consiga interpretar linguagens digitais, reconhecer fontes confiáveis, organizar informações, compreender como as tecnologias funcionam e tomar decisões responsáveis.
Essa ampliação é necessária porque ter acesso a uma informação não significa compreendê-la. Uma ferramenta pode apresentar uma resposta em poucos segundos, mas cabe ao estudante avaliar se ela é coerente, completa, atualizada e adequada à pergunta formulada.
Ler e escrever ainda é suficiente?
Ler e escrever são condições básicas para a aprendizagem, mas não bastam isoladamente. No ambiente digital, o estudante precisa comparar versões de um mesmo fato, identificar intenções, diferenciar evidências de opiniões e perceber quando uma resposta apresenta erros ou informações sem fonte.
A importância da alfabetização tradicional também não diminui diante da IA. Pelo contrário: uma criança com dificuldades de leitura e interpretação encontrará mais obstáculos para formular perguntas claras, compreender respostas complexas e reconhecer inconsistências.
Por isso, a formação contemporânea deve acrescentar competências digitais à base tradicional, e não substituir uma pela outra. Saber utilizar uma ferramenta não elimina a necessidade de compreender palavras, números, argumentos e contextos.
O que é letramento digital?
Letramento digitalé a capacidade de acessar, compreender, avaliar, produzir e compartilhar informações por meio das tecnologias de maneira crítica, ética e responsável.
Isso vai além de saber abrir aplicativos ou utilizar um computador. Uma criança pode demonstrar facilidade com telas e, ainda assim, não compreender como uma plataforma seleciona conteúdos, quais dados pessoais coleta ou por que uma informação aparentemente convincente pode estar errada.
Victor Haony, assessor pedagógico da Mind Makers, explica que essa formação precisa começar pela compreensão do ambiente no qual as crianças já estão inseridas:
Estamos em uma era digital, em que, ao nascer, a criança já está imersa em tecnologias, telas e fontes de informações das mais diversas. Esse estímulo precisa ser controlado e ensinado desde a infância.
A fala reforça que a familiaridade com dispositivos não equivale a um uso consciente. A mediação de famílias e educadores é necessária para ensinar limites, segurança, privacidade, seleção de fontes e responsabilidade na produção e no compartilhamento de conteúdos.
O que é pensamento computacional?
Pensamento computacional é uma forma organizada de resolver problemas. Ele envolve decompor uma tarefa em partes menores, reconhecer padrões, selecionar informações relevantes, estabelecer uma sequência de etapas e testar possíveis soluções.
Essa competência não depende necessariamente de computadores ou aulas de programação. Organizar o passo a passo de uma receita, planejar um trajeto, separar objetos por características ou criar regras para um jogo também pode estimular esse tipo de raciocínio.
Competência
O que o estudante aprende
Exemplo cotidiano
Alfabetização
Ler, escrever e compreender o sistema de escrita
Ler uma instrução e registrar uma ideia
Letramento digital
Avaliar e usar informações digitais criticamente
Verificar a fonte de uma notícia
Pensamento computacional
Dividir problemas e organizar soluções
Explicar as etapas para montar um objeto
Pensamento crítico
Comparar argumentos e justificar conclusões
Questionar uma resposta apresentada pela IA
Raciocínio matemático
Analisar quantidades, relações e evidências
Conferir se um resultado faz sentido
A BNCC Computação organiza aprendizagens da Educação Básica em três eixos: pensamento computacional, mundo digital e cultura digital. O complemento à BNCC também prevê o uso seguro, ético e responsável das tecnologias.
Por que pensamento computacional e letramento digital são complementares?
Para Haony, as duas competências precisam ser desenvolvidas de forma integrada:
São essas as duas competências fundamentais que precisamos desenvolver com os jovens. A educação tem o papel de construção cidadã e a tecnologia é parte fundamental nesse processo nos dias de hoje.
Enquanto o pensamento computacional ajuda o estudante a construir estratégias, dividir problemas e testar soluções, o letramento digital orienta a análise crítica das tecnologias e das informações.
Imagem criada com auxílio de Inteligência Artificial para fins editoriais.
Uma competência está relacionada à forma de resolver problemas; a outra ajuda a compreender os impactos, os limites e as responsabilidades envolvidos no uso das ferramentas.
Juntas, elas permitem que crianças e adolescentes deixem de ser apenas consumidores de conteúdos digitais. Os estudantes passam a ter melhores condições para questionar respostas, fazer escolhas conscientes e utilizar recursos tecnológicos com propósito.
Como a inteligência artificial muda as exigências da alfabetização?
A inteligência artificial pode apoiar pesquisas, revisões de texto, traduções e organização de ideias. No entanto, também pode apresentar informações incorretas, referências inexistentes ou respostas que parecem completas, mas não explicam adequadamente o assunto.
A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025 mostra que 65% dos usuários de internet brasileiros de 9 a 17 anos já utilizam inteligência artificial generativa. Entre eles, 59% recorrem à tecnologia para fazer pesquisas escolares ou estudar.
Os dados indicam que a discussão já faz parte da rotina de muitas famílias e escolas. O desafio, portanto, não é apenas permitir ou proibir ferramentas, mas ensinar os estudantes a utilizá-las sem substituir etapas importantes da aprendizagem.
Haony chama a atenção para essa contradição:
A IA surge como solução de muitos problemas e criação de outros. Ela soluciona pesquisas que precisam de mais de uma fonte, apresenta correções textuais, traduções, mas com isso corremos o risco de ‘parar de pensar’.
O alerta não significa que a tecnologia deva ser excluída da aprendizagem. O ponto central é evitar que ela substitua processos indispensáveis, como ler, formular hipóteses, fazer tentativas, revisar um texto e explicar o próprio raciocínio.
O especialista também destaca que a qualidade das respostas depende da preparação de quem utiliza a ferramenta:
A eficácia e o ‘acerto’ nas respostas dependem de treino, olhar crítico e repertório. Por esse motivo, devemos seguir ensinando a ler, escrever, interpretar texto, fazer contas. Esse ‘padrão’ que dá certo não deve ser deixado de lado.
Quanto mais sólida for a alfabetização, maior será a capacidade do estudante de formular perguntas claras, perceber contradições e verificar se uma resposta realmente faz sentido.
Qual deve ser o papel da escola diante das novas tecnologias?
A escola precisa incorporar as tecnologias com objetivos pedagógicos claros e manter uma formação que prepare o estudante para situações que vão além das avaliações.
Uma preparação focada apenas em solucionar exercícios de vestibular não é, de fato, uma formação cidadã. Não os prepara para o mundo fora da escola, afirma Haony.
A fala amplia a discussão sobre a alfabetização no século XXI. Além de ensinar conteúdos curriculares, a escola precisa desenvolver autonomia, argumentação, capacidade de pesquisar, responsabilidade digital e resolução de problemas.
Isso exige professores preparados para orientar o uso das ferramentas, atividades que valorizem o processo de aprendizagem e oportunidades para que os estudantes justifiquem escolhas, comparem fontes e reconheçam erros.
Uma proposta pedagógica consistente deve:
preservar atividades de leitura, escrita manual, cálculo e interpretação;
ensinar os estudantes a pesquisar e verificar fontes;
trabalhar resolução de problemas e criação de estratégias;
mostrar que respostas tecnológicas podem conter erros;
equilibrar experiências digitais e atividades fora das telas;
investir na formação dos professores;
avaliar o raciocínio do aluno, e não somente o resultado final.
A IA pode ser utilizada para comparar respostas, identificar inconsistências ou aprimorar perguntas. Entretanto, não deve ocupar o lugar da leitura de uma obra, da produção autoral, da experimentação ou da conversa com o professor.
Como essas habilidades podem ser desenvolvidas em cada etapa escolar?
Na Educação Infantil, o trabalho pode começar com histórias, brincadeiras de sequência, classificação de objetos, reconhecimento de padrões e explicação oral de ações.
Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, as crianças podem ler instruções, registrar etapas, comparar informações simples e explicar como chegaram a determinada solução.
Nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, o trabalho pode incluir análise de fontes, construção de argumentos, projetos interdisciplinares, produção autoral e avaliação crítica de conteúdos gerados por IA.
Em todas as etapas, a complexidade deve acompanhar a idade, o desenvolvimento e o repertório do estudante.
Como pais e responsáveis podem estimular o pensamento crítico em casa?
O desenvolvimento dessas habilidades não acontece apenas na escola. Segundo Haony, a presença dos responsáveis deve envolver diálogo, acompanhamento e interesse genuíno pela rotina da criança.
Participar é estar de fato com seu filho em todos os processos, explica.
Essa participação não significa realizar as tarefas pela criança ou controlar cada contato com a tecnologia. Significa demonstrar interesse pelo que ela lê, pesquisa, produz e encontra no ambiente digital.
Algumas atividades simples podem ajudar:
Pedir que a criança explique como chegou a uma resposta;
Comparar duas notícias ou explicações sobre o mesmo assunto;
Perguntar de onde veio uma informação e como ela pode ser confirmada;
Utilizar jogos de tabuleiro, desafios de lógica e brincadeiras de estratégia;
Incentivar leitura, escrita manual, desenho e atividades fora das telas;
Conversar sobre publicidade, privacidade e exposição de dados pessoais;
Montar uma receita ou um sanduíche e depois organizar as etapas da tarefa.
Quando uma ferramenta de IA for utilizada, os responsáveis podem perguntar o que a criança já sabia, o que aprendeu, quais trechos precisam ser verificados e como a resposta poderia ser melhorada. O objetivo é manter o estudante intelectualmente ativo.
O que observar na proposta pedagógica de uma escola?
Na escolha de uma instituição, a presença de computadores, tablets ou laboratórios não deve ser o único critério. A família precisa entender como esses recursos participam da aprendizagem.
Como escolher uma escola preparada para os desafios atuais?
Como vimos, a alfabetização no século XXI não substitui leitura, escrita, interpretação de texto e raciocínio matemático. Ela amplia essa base ao incorporar competências como pensamento crítico, letramento digital, resolução de problemas e uso responsável da tecnologia.
Por isso, ao escolher uma escola, pais e responsáveis devem observar se a proposta pedagógica equilibra os conhecimentos tradicionais com experiências que desenvolvam autonomia, criatividade e cidadania digital.
A Quero Escola ajuda as famílias a comparar instituições de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio e encontrar opções compatíveis com suas prioridades e seu orçamento. A plataforma oferece bolsas de estudo em escolas particulares, com descontos que podem chegar a 80%.
Você já conhece a Quero Escola? A Quero Escola é uma plataforma que conecta famílias a escolas particulares de todo o Brasil, oferecendo bolsas de estudo para Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio com descontos de até 80%.
De forma online, prática e sem burocracia, pais e responsáveis podem comparar escolas, encontrar a melhor opção para os filhos.
Além disso, você pode aproveitar benefícios exclusivos, como:
Inglês gratuito
Seguro educacional
Cursos online
Processo de matrícula simplificado
Bolsas de estudo por etapa de ensino
A Quero Escola pode ajudar você nessa escolha! A plataforma oferece bolsas de estudo em escolas de todo o Brasil, com opções para diferentes etapas da educação básica.