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Literatura

Paráfrase

Laisa Ribeiro
Publicado por Laisa Ribeiro
Última atualização: 21/8/2018

Introdução

Quando você está escrevendo uma redação, muitas vezes, você olha para os textos de apoio e sente que pode usá-los para melhorar a sua argumentação, não é mesmo? Contudo, você não quer copiar fielmente o trecho que você considera ideal em sua redação. Você gostaria que existisse uma forma de passar o mesmo conteúdo daquele texto de apoio, todavia, com suas próprias palavras...

Você sabia que isso é possível? Sim, por meio da paráfrase!

A paráfrase é um recurso usado por autores para fazer uma referência a outro texto. Nele, há uma troca de palavras em relação ao texto referenciado, mas o conteúdo principal do original permanece.

Quer um exemplo? Usaremos a pintora mexicana Frida Kahlo. Essa grande artista contraiu poliomielite quando era criança. Uma sequela deixada pela situação foi uma lesão em seu pé esquerdo. A partir desse acontecimento, a pintora ganhou o apelido de “Frida perna de pau”.

Ela lidou com a dor até o final de sua vida. Frida Kahlo chegou a pintar quadros deitada em sua cama e até mesmo compareceu às suas exposições dessa forma, com a cama sendo carregada.

Diante dessa situação, a artista proclamou uma de suas frases mais famosas: “Pés, pra que te quero, se tenho asas para voar?”.

Você deve estar se perguntando: “Como posso parafrasear essa frase de Frida Kahlo colocando-a dentro desse contexto?”. Muito fácil!

Um exemplo de paráfrase seria: “Frida Kahlo, com ironia, devido às sequelas deixadas pela poliomielite, desdenha da presença dos pés, uma vez que, em uma opinião empoderadora, ela tem algo mais especial: asas, elementos mágicos do mesmo teor surrealista que suas obras”.

Parafrasear consiste em condensar as ideias de um texto, com palavras diferentes, para não se tornar um plágio. E o mais importante: com as suas palavras, com a sua forma de explicar algo.

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Como parafrasear?

Ainda parece difícil? Vamos fazer um tutorial passo a passo.

Você já pegou um lápis, uma folha e o texto original que você pretende parafrasear? Então vamos para os itens:

  • Primeiramente, você deve entender completamente o texto que você pretende parafrasear. Pergunte-se: “O que o autor quis dizer? O que isso significa para ele? O que significa para mim?”. No caso da frase da Frida Kahlo, era muito importante conhecer sua história de vida e um pouco sobre suas obras. Logo, faça uma pequena pesquisa sobre a vida do autor e suas obras. Reflita sobre o significado daquelas palavras escolhidas.
  • Para o segundo passo, você vai precisar de uma caneta marca texto ou uma caneta colorida. Grife, no texto original, as palavras que você considera mais importantes. No caso da Frida Kahlo,o grifo seria feito em “pés” e “asas”, por exemplo. Caso seja um texto dissertativo, grife os argumentos também. O importante é destacar o que é essencial no texto.
  • Munido com o pleno entendimento do texto e com as palavras e argumentos mais importantes, você está preparado para parafrasear. O terceiro passo é utilizar esse material e reescrever a citação escolhida com as suas próprias palavras! Como se você estivesse explicando um tema para um amigo.

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Paráfrases na literatura

As paráfrases são muito usadas em textos que necessitam do uso de argumentos, como redações e teses acadêmicas. Ou seja, esse recurso é usado no ensino médio e, além disso, é extremamente recorrente na vida universitária. Você poderá levar esse aprendizado para a vida toda.

Todavia, não é apenas nas dissertações que elas aparecem. As paráfrases podem ocorrer em obras artísticas também, como na poesia.

Leia o seguinte poema:

Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras

Onde canta o sabiá,

As aves que aqui gorjeiam

Não gorjeiam como lá.

(Gonçalves Dias)

Carlos Drummond de Andrade leu o famosíssimo poema “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias, e decidiu fazer uma paráfrase a partir dessa obra. Perceba a forma como ele mantém a estrutura narrativa – a poesia –, mantém a ideia principal do exílio, contudo, ele passa a mesma ideia com suas próprias palavras:

Europa, França e Bahia

Meus olhos brasileiros se fecham
 saudosos

Minha boca procura a ‘Canção do
 Exílio’.

Como era mesmo a ‘Canção do
 Exílio’?

Eu tão esquecido de minha terra...

Ai terra que tem palmeiras

Onde canta o sabiá!

(Carlos Drummond de Andrade)

Depois das aulas de intertextualidade, você aprendeu mais sobre a paródia, certo? Então, pode estar se perguntando se essa não seria mais uma paródia da “Canção do exílio”.

A paráfrase não é uma paródia, uma vez que ela não tem o intuito de gerar humor. Ela apenas quer transmitir a mesma ideia com outras palavras.

Mas apenas palavras? Imagens também! Há paráfrases na pintura e na escultura. Um exemplo está presente no famoso museu de figuras de cera Madame Tussauds.

Paráfrases na arte

Estátuas de cera também são paráfrases!

As estátuas, tão fiéis às figuras replicadas, são paráfrases. Elas mantêm a mesma estrutura do ser humano original, contudo, com outras “palavras”, que, nesse caso, seria outro “material” – em vez de seres humanos feitos de carne e osso, a paráfrase é a figura de um ser humano, mas feito com cera. Logo, a figura de cera da Britney Spears é uma paráfrase da verdadeira Britney.

estátua da Britney Spears feita com ceraEstátua da Britney Spears feita com cera

Parafrasear pode ser muito divertido e pode ajudar você a entender melhor uma obra! Refletir sobre algo e tentar transmiti-lo com suas próprias palavras é uma ótima forma de estudar qualquer matéria, desde literatura até matemática!


Exercícios

Exercício 1
(ENEM)

Quem não passou pela experiência de estar lendo um texto e defrontar-se com passagens lidas em outros? Os textos conversam entre si em um diálogo constante. Esse fenômeno tem a denominação de intertextualidade. Leia os seguintes textos:

TEXTO 1

Quando nasci, um anjo torto

Desses que vivem na sombra

Disse: Vai Carlos! Ser “gauche na vida”

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964)

TEXTO 2

Quando nasci veio um anjo safado

O chato dum querubim

E decretou que eu tava predestinado

A ser errado assim

Já de saída a minha estrada entortou

Mas vou até o fim.

(BUARQUE, Chico. Letra e música. São Paulo: Companhia das Letras, 1989)

TEXTO 3

Quando nasci um anjo esbelto

Desses que tocam trombeta, anunciou:

Vai carregar bandeira.

Carga muito pesada pra mulher

Essa espécie ainda envergonhada.

(PRADO, Adélia. Bagagem. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986)

Adélia Prado e Chico Buarque estabelecem intertextualidade em relação a Carlos Drummond de Andrade por:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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