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Vestibular e Enem

'A Mulher da Casa Abandonada': veja como usar o podcast no vestibular

Nos últimos meses, o Brasil teve um assunto em comum: a história da mulher da casa abandonada. Lançado semanalmente, o podcast conduzido pelo jornalista Chico Felitti viralizou nas redes sociais e tornou-se pauta no dia a dia das pessoas. 

O primeiro episódio chegou às plataformas de streamings no mês. Em nove capítulos, a série conta uma reportagem desenvolvida ao longo de seis meses. Tudo para descobrir quem era a mulher vivendo numa mansão decadente de um dos bairros mais ricos de São Paulo.

Saiba qual é a história do podcast e descubra como utilizá-lo criticamente no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e em outros vestibulares.

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Reprodução/Folha de S. Paulo
podcast a mulher da casa abandonada

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Entenda o podcast 'A Mulher da Casa Abandonada'

'A Mulher da Casa Abandonada' é um podcast narrativo da Folha de S. Paulo. O trabalho surgiu a partir de uma reportagem do jornalista Chico Felitti. Para fazer sua apuração, o repórter vai à diversos lugares: ele investiga uma praça em São Paulo, viaja até o subúrbio de Washignton, nos Estados Unidos, e ainda visita uma empresa que faz foguetes e satélites para a NASA.

A história começa com Chico Felitti passeando com seu cachorro no bairro de Higienópolis, em São Paulo. Vale considerar que essa é uma das regiões mais ricas da cidade. Durante a andança, o jornalista fica impressionado que uma mansão abandonada ainda resista numa localidade badalada como aquela. 

Então, o jornalista resolve investigar a história e descobrir quem mora lá. Aos poucos ele vai se aproximando da residente da casa, e também protagonista do podcast, Margarida Bonetti. 

Margarida Bonetti, de 63 anos, se apresentava como “Mari”. Logo de início, Chico relata que se espantou com a camada de pomada branca que a mulher sempre tinha no rosto. Ela também chamava com frequência a polícia, principalmente por conta da retirada de árvores no bairro. Segundo Margarida, a vegetação da localidade estava sendo cortada por interesses escusos e, por isso, ela defendia a permanência das árvores.

Instagram/@amulherdacasaabandonadacaso
podcast a mulher da casa abandonada

Com o objetivo de desvendar o mistério da mulher da casa abandonada, Chico Felitti passa a frequentar a região cada vez mais e a conversar com vizinhos e conhecidos de Margarida Bonetti.

É assim que Chico percebe que está diante de uma mulher indiciada por um crime hediondo. Margarida Bonetti é uma brasileira que escapou de um julgamento nos Estados Unidos e do FBI. Ela foi acusada de submeter uma empregada doméstica negra a trabalho análogo à escravidão entre 1979 e 1998. 

De acordo com a investigação do FBI, Margarida Bonetti agredia a empregada e não pagava nenhum salário para a mulher ao longo de quase 20 anos. Enquanto Margarida fugiu para o Brasil e começou a morar na casa abandonada, seu marido Renê Bonetti permaneceu nos Estados Unidos, foi condenado e cumpriu a pena.

Chico Felitti ainda produziu um episódio dedicado a mostrar que a problemática ainda está presente no Brasil. “Outras tantas mulheres” evidencia que a exploração de mulheres pretas persiste em vários Estados do país.

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Como utilizar o podcast 'A Mulher da Casa Abandonada' no vestibular?

O podcast 'A Mulher da Casa Abandonada' aborda diversos temas presentes nos estudos dos vestibulandos. Além disso, por ter repercutido muito, o material também faz parte das atualidades de 2022. 

Assim, vale a pena ficar por dentro da história, olhar para ela de modo crítico e utilizá-la estrategicamente no Enem e em outros vestibulares.

“O desafio mais importante para os estudantes é construir reflexões que vão além dos limites do podcast, relacionando-o com livros, reflexões de pessoas especializadas no assunto e com a própria vida cotidiana”, indica o antropólogo Paulo Augusto Franco de Alcântara.

Veja a seguir alguns pontos importantes que professores e especialistas recomendam que estudantes fiquem de olho:

Questões raciais

Um assunto muito importante que o podcast 'A Mulher da Casa Abandonada' coloca à tona é a questão racial. Isso porque Margarida Bonetti é uma mulher branca acusada de ter explorado uma mulher negra. 

A psicóloga Ana Carolina Nagem, que trata de pautas raciais em seu Instagram, recomenda que os vestibulandos se atentem ao conceito chamado de “pacto da branquitude”.

Ana Carolina explica que o “pacto da branquitude” é uma rede de proteção que as pessoas brancas fazem quando envolve qualquer minoria. “Nessas questões raciais existe um silêncio ao redor da situação, mesmo que as pessoas saibam que tem uma pessoa negra em sofrimento”, esclarece a psicóloga.

Segundo Ana Carolina, é preciso que os estudantes entendam como ocorre esse pacto da branquitude e como ver a dor do outro sem normalizar aquela violência.

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Papel do jornalismo

O podcast 'A Mulher da Casa Abandonada' trouxe vários debates sobre o papel do jornalista. Muitas pessoas comentaram sobre o trabalho que Chico Felitti fez: de um lado, ele foi elogiado por ter contado a história de forma tão atrativa e por ter chamado atenção para o tema da escravização contemporânea; de outro lado, ele foi criticado por ter narrado de forma que fizesse o ouvinte associar o caso à ficção.

Para o professor de Sociologia do Curso Anglo, Rene Araújo, a série da Folha de S. Paulo evidenciou a importância do jornalismo investigativo nas sociedades democráticas. 

Segundo Rene Araújo, “em tempos de tantas notícias falsas, oriundas de especulações, achismos infundados e teorias da conspiração, a veracidade das informações através de checagens, documentações e provas, podem servir de lição para os mais jovens”.

A professora de Redação do Curso Pré-Vestibular da Oficina do Estudante de Campinas (SP) Jéssica Dorta aposta que “os exames e vestibulares podem abordar em suas provas de redação o papel social e político do jornalismo, tendo em vista o alcance da série".

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Escravização moderna

Não dá para falar da série da Folha de S. Paulo sem mencionar a escravização moderna. “A principal lição do podcast é a de que ainda existe escravidão na sociedade contemporânea e a necessidade de olharmos para as condições de trabalho das pessoas, especialmente, daquelas mais vulneráveis”, afirma o professor de Sociologia, Rene Araújo.

A professora de Redação do Curso Pré-Vestibular da Oficina do Estudante de Campinas (SP) Jéssica Dorta vai ao encontro do que comenta Rene. Para ela, a repercussão do podcast  'A Mulher da Casa Abandonada' faz com que a escravização moderna seja um possível tema de redação de vestibulares. 

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Passado escravocrata

A escravização é um traço marcante da história do Brasil, que influenciou na formação do país. O professor Rene alerta para necessidade de não esquecermos esse  passado e explica que, nesse sentido, o podcast trouxe uma lição importante: a de relembrar a memória histórica.

“A memória histórica não é um ponto forte da maioria dos cidadãos, o que faz com que a gente não questione a manutenção dos nossos problemas. Há toda uma preocupação em trazer à tona esse passado histórico que, infelizmente, não ficou preso no passado, mas se manifesta até os dias atuais em uma sociedade que não soube lidar com o fim da escravidão”, esclarece Rene Araújo.

Assim, o podcast  'A Mulher da Casa Abandonada' serve como uma forma de refletir sobre “as formas que estamos representando e interpretando o nosso passado”, de acordo com o antropólogo Paulo Augusto. Ele ainda acrescenta que isso é indispensável para “interrompermos efetivamente a reprodução do racismo e da ordem escravocrata insistente no Brasil de hoje”.

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Questões de gênero

O podcast 'A Mulher da Casa Abandonada' também pode ser relacionado às questões de gênero. Isso porque a história remete a sociedade patriarcal, no qual as responsabilidades domésticas recaem sobre as mulheres, explica o professor de Sociologia Rene.

“A vulnerabilidade com que essas mulheres, negras e pobres se encontram historicamente faz com que elas sejam as principais vítimas de condições de trabalho análogo à escravidão no Brasil. E, é impossível entender essa questão sem levar em consideração esse recorte de raça, classe e gênero”, analisa Rene Araújo.

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