Há indícios de que Pedro Álvares Cabral não foi o primeiro europeu a pisar em solos brasileiros. Isso porque o português Duarte Pacheco Pereira encontrou o litoral do país em 1498. O fato foi mantido em segredo para evitar concorrência com a Espanha, que já explorava territórios da América do Sul.
Em 1500, ano em que Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil, o país passou a integrar o sistema mercantilista, que vigorava na Europa. Isso significa que o Brasil começou a participar do comércio mundial. Foi a partir de 1500 também que o país virou colônia de Portugal e entrou para história universal.
Junto com Pedro Álvares Cabral, mais de mil pessoas chegaram às terras brasileiras. Entre padres, estudiosos, soldados e comerciantes, estava o escrivão Pero Vaz de Caminha, responsável por um documento histórico muito importante.
Caminha escreveu uma carta com relatos do que a expedição de Cabral tinha encontrado no país. O destinatário desse texto, considerado o primeiro marco literário do país, era D. Manuel I, rei de Portugal durante as Grandes Navegações.
Os escritos de Pero Vaz de Caminha revelam o desejo dos portugueses de colonizar o Brasil e de impor sua cultura aos povos que eles consideravam “atrasados”. Essa carta também pode ser cobrada no Enem e nos vestibulares. Isso já aconteceu em diversas edições, e o Enem de 2013 é um bom exemplo:
Como foi a colonização portuguesa?
Pedro Álvares Cabral, junto com as 13 caravelas que viajaram com ele, chegou na atual cidade de Porto Seguro, Bahia. Nessa região, a excursão já teve contato com os nativos. Inicialmente a relação entre os dois povos era baseada no escambo, ou seja, numa troca de produtos.
Com o passar do tempo, o vínculo entre os indígenas e os portugueses mudou de configuração: os europeus começaram a impor sua cultura aos nativos e a explorar as terras e os recursos presentes no Brasil.
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Como estudar o Descobrimento do Brasil?
É preciso cautela e senso crítico para analisar o que foi o período chamado de “Descobrimento do Brasil”. Para começar, é necessário rever a nomenclatura desse acontecimento:
“Não mais trabalhamos com o título ‘descobrimento’ pois já é bem ultrapassado e não se encontra em boa parte da literatura da história atual”, afirma o professor de história Hudson.
O debate sobre como se referir a chegada dos portugueses ao Brasil é comum aos estudiosos. Isso porque falar em “descobrimento” é ignorar os povos nativos, que já estavam no Brasil, e aceitar o discurso colonizador. Logo, do ponto de vista dos indígenas, 1500 não marca a “descoberta” da terra pelos portugueses, mas sim a chegada deles ao país.
“Sempre escutamos que a história é contada pelos vencedores, pois bem, quem contou a história do tal descobrimento? Os próprios colonizadores! Mas qual a problemática desse tema? O apagamento dos povos indígenas. Nem mesmo para os próprios portugueses foi um “descobrimento”! Ora, o Tratado de Tordesilhas foi assinado 6 anos antes da chegada deles as terras tupiniquins. Mesmo antes de Cabral já tinham enviado expedições exploratórias. Além desse ponto, ainda voltamos para os próprios indígenas, que já estavam a morar aqui, chamando essa terra de Pindorama. Se a terra já tinha “dono” fica claro que foi uma invasão.” – conta o professor Hudson.
Outro ponto de atenção aos vestibulandos é o contexto da época. É importante estar por dentro da expansão marítima, formação dos estados nacionais e economia mercantilista. Além disso, o professor Hudson lembra que “a história não é morta e tem muita relação com a nossa atualidade”, logo é preciso estar ciente das atualidades, além de saber traçar relações com a história.
Juntamente a isso, o professor de história fala que o candidato do Enem deve estudar os antecedentes e o contexto da chegada dos portugueses ao Brasil em 1500, bem como suas consequências.
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Como o Descobrimento do Brasil pode cair no Enem?
Quando se fala em Descobrimento do Brasil no Enem, Hudson Araújo pontua que uma temática com chances de ser cobrada na prova é a questão indígena. O professor comenta que é possível fazer relações desse momento histórico com o presente, porque a invasão ainda não acabou.
“Temos terras indígenas sendo invadidas e saqueadas por garimpeiros, os corpos indígenas são violados e até mesmo mortos no país. A invasão não acabou, ela é contínua desde 1500”, diz o professor de história.
Há, ainda, a possibilidade do Descobrimento do Brasil cair no Enem em perguntas que relacionem o tema aos discursos históricos criados para atender interesses, tal como afirma Hudson:
“Manipular discursos históricos é um ato político e até hoje vemos isso. Na Colômbia e nos Estados Unidos a estátua de Colombo foi atacada e retirada de espaços de homenagem. No Brasil, outras figuras históricas estão sendo questionadas. Isso porque a história é um movimento político que acompanha a própria consciência da sociedade”.
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Como me preparar para o Enem?
O Enem é uma prova extensa e cheia de conteúdos. Por isso, a preparação para prova exige organização e comprometimento. Pensando em te ajudar com essas questões, a Quero Bolsa montou um cronograma completo de estudo, chamado Plano de Estudo Enem de Boa. Esse é um recurso totalmente gratuito. Basta baixar e começar a usar imediatamente!
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