A data, que também inspira a Semana Mundial do Brincar, convida famílias e escolas a refletirem sobre uma pergunta importante: as crianças ainda têm tempo para simplesmente brincar?
Mais do que diversão, brincar é a forma como a criança explora o mundo, aprende a lidar com emoções, desenvolve criatividade, autonomia e constrói relações.
Em tempos de excesso de telas e estímulos rápidos, garantir espaço para experiências reais, interações e brincadeiras pode parecer algo simples — mas se tornou cada vez mais necessário.
No Dia do Brincar 2026, essa discussão também abre espaço para uma reflexão importante sobre como equilibrar tecnologia e infância sem deixar o brincar em segundo plano.
Neste artigo você vai ver:
O que é o Dia Mundial do Brincar?
Quais são os desafios da infância contemporânea?
Como o excesso de telas impacta as brincadeiras?
Qual é a importância do brincar?
Como incentivar as crianças a brincarem mais?
O que é o Dia Mundial do Brincar?
Celebrado em 28 de maio, o Dia Mundial do Brincar é uma data criada para reforçar a importância das brincadeiras no desenvolvimento infantil e lembrar que brincar não é apenas diversão, mas um direito das crianças.
A mobilização também propõe uma reflexão importante: em meio ao excesso de telas, estímulos rápidos e rotinas aceleradas, as crianças ainda têm tempo para brincar livremente?
Nos últimos anos, a relação da infância com a tecnologiamudou de forma significativa. Segundo um levantamento da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal:
O uso da internet entre crianças de 0 a 2 anos passou de 9% em 2015 para 44% em 2024;
Entre crianças de 3 a 5 anos, o índice subiu de 26% para 71% no mesmo período.
Diante desse cenário, o Dia Mundial do Brincar 2026 reforça a necessidade de garantir:
tempo para brincar;
experiências fora das telas;
interações sociais;
criatividade e imaginação;
contato com o mundo real.
Como surgiu o dia do brincar?
O Dia Mundial do Brincar surgiu a partir de movimentos internacionais voltados à valorização da infância e ao reconhecimento do brincar como um direito fundamental das crianças.
A data foi criada pela International Play Association (IPA), organização que atua na defesa do direito ao brincar em diversos países.
No Brasil, o movimento ganhou ainda mais força com a criação do Dia Nacional do Brincar, instituído pela Lei nº 15.145, que oficializou o dia 28 de maio no calendário nacional.
Qual é o objetivo da Semana Mundial do Brincar?
A Semana Mundial do Brincar amplia as discussões do Dia do Brincar por meio de ações realizadas em escolas, espaços públicos e instituições em diferentes países durante o período.
Durante a semana, famílias, educadores e organizações realizam atividades que incentivam:
convivência;
criatividade;
interação social;
movimento;
imaginação;
experiências longe das telas.
A iniciativa reforça ainda que o brincar também deve ser visto como uma experiência essencial para a infância e para a construção de relações, aprendizagens e autonomia.
Quais são os desafios da infância contemporânea?
Com o avanço da tecnologia a infância mudou — e a relação das crianças com o brincar também.
Hoje, celulares, tablets, vídeos curtos e plataformas digitais fazem parte da rotina infantil cada vez mais cedo, reduzindo o tempo dedicado às brincadeiras livres, às interações presenciais e às experiências fora das telas.
Nesse cenário, especialistas alertam que o brincar tem perdido espaço justamente em uma fase da vida em que a brincadeira é mais importante para o desenvolvimento emocional, cognitivo e social dos pequenos.
Para a professora Maria de Remédios Cardoso, diretora pedagógica da Educação Infantil do Programa Regular da Escola Móbile, o brincar ocupa um papel que nenhuma tela consegue substituir:
Brincar é essencial, pois, diferentemente das telas, é ativo, o que auxilia na estruturação do cérebro infantil ainda em formação. As telas colocam a criança no papel de espectadora, já o brincar devolve a ela o papel de protagonista, afirma.
Como o excesso de telas impacta as brincadeiras?
O excesso de telas afeta a forma como as crianças se relacionam com o mundo, com os outros e com as próprias emoções.
Segundo Maria Cardoso, o cérebro infantil ainda está em desenvolvimento e, por isso, é mais vulnerável aos estímulos rápidos e constantes das plataformas digitais.
comprometimento de habilidades como memória, planejamento e raciocínio lógico.
Além disso, quando as brincadeiras livres perdem espaço, as crianças deixam de vivenciar experiências importantes. Isso porque brincar envolve experimentar, negociar regras, resolver conflitos e lidar com erros e frustrações de forma natural.
Tatiana Almendra, diretora pedagógica do Programa Bilíngue também da Escola Móbile, destaca que até mesmo brincadeiras simples podem estimular habilidades complexas.
Enquanto brinca, a criança pensa, cria, se comunica, movimenta o corpo e aprende sobre si, sobre o outro e sobre o mundo.
Nesse sentido, o maior desafio não está em eliminar completamente a tecnologia da rotina infantil, mas em buscar equilíbrio para que as telas não substituam experiências fundamentais da infância.
Qual é a importância do brincar?
Brincar é uma das principais maneiras pelas quais a criança aprende, experimenta o mundo e desenvolve habilidades importantes para a vida.
Para a professora Maria de Remédios Cardoso, é justamente nas brincadeiras que as crianças participam ativamente das experiências, exploram possibilidades, criam conexões e desenvolvem habilidades fundamentais para a aprendizagem.
Além disso, brincar também contribui para o desenvolvimento físico e motor das crianças ao incentivar movimento, coordenação e exploração do ambiente.
Brincando, a criança movimenta o corpo, manipula objetos, ativa áreas do cérebro ligadas à coordenação motora fina e global, à percepção espacial, trabalha com a resolução de problemas junto a seus pares, aprende noções de tamanho, forma…complementa a professora.
O que uma criança aprende quando brinca?
As brincadeiras fazem parte de praticamente todas as etapas do desenvolvimento infantil. Enquanto brinca, a criança aprende de forma natural, ativa e significativa.
Segundo a especialista,brincadeiras livres na infância são capazes de estimular:
1 – Habilidades socioemocionais
Ao brincar com outras crianças, os pequenos aprendem a:
esperar a vez;
lidar com frustrações;
compartilhar;
cooperar;
resolver conflitos;
reconhecer emoções.
2 – Criatividade e imaginação
Brincadeiras simbólicas, faz de conta e atividades criativas incentivam a imaginação e permitem que a criança explore diferentes possibilidades, histórias e soluções.
3 – Resolução de problemas
Durante as brincadeiras, a criança testa hipóteses, faz escolhas e aprende com erros e acertos. Jogos, construções e desafios estimulam raciocínio, planejamento e pensamento crítico.
4 – Coordenação motora
Correr, montar, desenhar, pular, encaixar peças e manipular objetos ajudam no desenvolvimento da coordenação motora fina e global, além da percepção espacial.
5 – Linguagem e comunicação
As interações durante as brincadeiras também contribuem para ampliar vocabulário, expressão oral e capacidade de comunicação.
Tatiana Almendra explica que até mesmo brincadeiras simples podem envolver processos complexos de aprendizagem.
Em uma brincadeira de construção, por exemplo, a criança formula hipóteses, planeja, testa possibilidades e revisa estratégias quando algo não funciona como imaginava. Já nas brincadeiras em grupo, aprende a negociar regras, esperar a sua vez, lidar com frustrações, argumentar, cooperar e resolver conflitos. Enquanto brinca, a criança pensa, cria, se comunica, movimenta o corpo e aprende sobre si, sobre o outro e sobre o mundo.
Como incentivar as crianças a brincarem mais?
Em uma rotina marcada pelo excesso de telas e estímulos rápidos, incentivar o brincar pode começar com mudanças simples no dia a dia.
Segundo as especialistas, a participação da família e a criação de momentos livres de distrações digitais fazem diferença para que as crianças tenham mais espaço para explorar, imaginar e interagir.
Para a professora Maria de Remédios Cardoso, os adultos também influenciam diretamente essa relação.
Se todos da casa estão utilizando celulares, ela também vai querer, mas se todos se sentarem para jogar ou brincar, a criança certamente vai se engajar.
Confira algumas atitudes que podem ajudar a estimular o brincar na rotina infantil:
O que fazer
Como isso ajuda
Criar momentos sem telas
Favorece interação, criatividade e presença nas brincadeiras.
Valorizar brincadeiras simples
Estimula imaginação, autonomia e exploração.
Permitir tempo livre
Incentiva criatividade e descobertas espontâneas.
Participar das brincadeiras
Fortalece vínculos e aumenta o interesse da criança.
Priorizar experiências ao ar livre
Amplia movimento, interação e desenvolvimento.
Dar o exemplo dentro de casa
A relação dos adultos com as telas influencia o comportamento infantil.
Tatiana Almendra, também reforça que a infância precisa de tempo e experiências concretas para se desenvolver plenamente.
Quando o tempo de tela rouba o tempo da brincadeira, estamos certamente privando o desenvolvimento pleno da infância, enfatiza.
Como a escola pode estimular o brincar no cotidiano infantil?
O brincar também faz parte da aprendizagem escolar — especialmente na Educação Infantil.
Como vimos, as experiências lúdicas ajudam as crianças a explorar o mundo, desenvolver autonomia, fortalecer vínculos e construir conhecimento de forma ativa.
Por isso, cada vez mais famílias buscam escolas que valorizam o brincar como parte do desenvolvimento infantil.
E no Dia Mundial do Brincar 2026, a discussão reforça a importância de encontrar ambientes escolares que respeitem o tempo da infância e incentivem o desenvolvimento integral das crianças.
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