
O que é boreout? O tédio que afeta o desempenho no trabalho
Giovana Murça | 03/01/26Entenda o que é boreout, como ele surge no ambiente de trabalho e por que o tédio profissional impacta a saúde mental
Entenda o que são expectativas salariais e como calcular, apresentar e negociar a pretensão de forma estratégica
Em resumo:
Falar sobre expectativas salariais deixou de ser tabu no mercado de trabalho. Cada vez mais presente em entrevistas, formulários de candidatura e dinâmicas seletivas, o tema exige preparo e estratégia.
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Definir uma pretensão salarial coerente, apresentar esse valor com confiança e saber negociar salário são atitudes que influenciam diretamente a construção de uma carreira mais justa e alinhada aos objetivos profissionais.

Neste conteúdo, entenda o que são expectativas salariais, como calcular uma faixa adequada ao perfil profissional e ao mercado, quais erros evitar ao falar de remuneração e quais práticas fortalecem a negociação em processos seletivos.
A expectativa salarial nada mais é do que o valor ou faixa de remuneração que um profissional considera adequado receber ao assumir determinada função.
Trata-se de uma estimativa baseada em critérios objetivos, como experiência prévia, nível de qualificação, complexidade das atividades exigidas e, principalmente, a média de mercado praticada para o cargo.

Apesar de ser muito usada como sinônimo de pretensão salarial, existe uma diferença sutil entre os dois termos. A expectativa salarial é o quanto um profissional acredita que seria justo ganhar em determinada função. Já a pretensão salarial é o valor que ele informa oficialmente ao se candidatar a uma vaga.
Segundo especialistas da Robert Half, alinhar bem esses conceitos é essencial para mostrar autoconhecimento profissional e preparo durante entrevistas. As empresas utilizam essa informação para entender o nível de senioridade do candidato, validar a compatibilidade orçamentária e avaliar sua percepção de valor no mercado.
A expectativa salarial não deve ser definida na base do chute, mas sim de forma estratégica. É uma construção baseada em dados, contexto e autoconhecimento.
A seguir, confira os principais pontos que ajudam a chegar a uma faixa salarial coerente com o mercado e com o perfil profissional.
É importante consultar ferramentas como Glassdoor, Catho, Vagas.com, além de bases oficiais como CAGED e IBGE. Elas oferecem dados atualizados sobre o piso salarial, média de remuneração por cargo, localização e setor.
Também é possível consultar relatórios especializados, como os tradicionais guias salariais de consultorias como Michael Page e Robert Half, que apresenta valores segmentados por área e nível de senioridade.
Um salário considerado justo deve considerar o custo de vida do profissional, que varia conforme a cidade ou região. Gastos com moradia, transporte, alimentação e educação devem entrar no cálculo. Essa análise ajuda a entender o mínimo necessário para manter o padrão de vida esperado — um fator essencial na hora de negociar.
Habilidades técnicas e comportamentais, tempo de experiência, especializações e resultados concretos são critérios que elevam o valor percebido pelo mercado. A expectativa salarial precisa refletir o que o profissional agrega — não apenas o cargo em si.
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Em muitas seleções, a pergunta “Qual a sua pretensão salarial?” aparece logo nas primeiras etapas do processo. A resposta certa não é uma fórmula pronta, mas uma estratégia que depende do momento da carreira, da segurança nas informações e do timing da negociação.

Segundo especialistas do Indeed, existem duas abordagens possíveis: a defensiva, ideal nas fases iniciais, e a ofensiva, recomendada quando já há clareza sobre a vaga e o escopo do cargo.
Na abordagem defensiva, o objetivo é adiar a resposta para obter mais informações. Um exemplo seria: “Estou aberto a avaliar propostas compatíveis com as responsabilidades da função e com as práticas do mercado.”.
Para iniciantes ou profissionais em transição, também é possível demonstrar flexibilidade, sem abrir mão da valorização: “Estou em busca de uma oportunidade de desenvolvimento e, por isso, minha prioridade é o aprendizado. Tenho como referência a faixa de mercado para este perfil.”.
Já na abordagem ofensiva, quando o candidato já compreende bem o cargo, vale apresentar uma faixa salarial justificada: “Considerando minha experiência em [área], os resultados que já entreguei e as médias praticadas no mercado, minha expectativa gira entre R$ X e R$ Y.”.
A clareza ao comunicar a pretensão transmite segurança, mas a forma como a mensagem é entregue faz toda a diferença. Tom neutro e linguagem profissional são pontos que fortalecem a percepção de preparo.
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Conversas sobre remuneração podem ser decisivas em processos seletivos — e, justamente por isso, ainda são cercadas de erros que comprometem a imagem profissional e reduzem o poder de negociação.
Subestimar o próprio valor é um dos deslizes mais frequentes. Muitos profissionais, por insegurança ou falta de preparo, pedem menos do que merecem. Na palestra “How to Ask for More — and Get It” (TEDxReno 2024), a especialista em negociação Alex Carter alerta: “Toda negociação começa no espelho.”.
A frase ressalta que autoconhecimento é essencial para comunicar valor com confiança. Segundo Alex, a primeira etapa é identificar o que se entrega, quais problemas se resolve e por que isso gera resultado. Esse exercício ajuda a construir uma narrativa coerente — o chamado storytelling pessoal — que fundamenta a pretensão salarial com credibilidade.
Outro erro comum é apresentar um número fechado sem contexto. Sem dados de mercado, clareza sobre o escopo da vaga e o pacote de remuneração, a chance de errar é grande. O ideal é sempre trabalhar com uma faixa, embasada em pesquisa e experiência, e deixar espaço para diálogo.
Também é um equívoco parecer inflexível. Posturas duras e frases como “esse é o valor que eu aceito” tendem a causar ruído. Demonstrar abertura e disposição para alinhar expectativas reforça maturidade e inteligência emocional.
Na palestra, Alex Carter lembra que o silêncio é uma ferramenta de negociação. Após informar um valor ou uma faixa, o impulso de justificar ou completar a fala pode enfraquecer o posicionamento. Ficar em silêncio permite que o outro lado processe a informação — e, muitas vezes, se reposicione.
Avaliar uma proposta de emprego apenas pelo valor do salário fixo é um erro comum. O conceito de total compensation, ou pacote de remuneração, considera todos os elementos que compõem a proposta financeira e não financeira oferecida por uma empresa.
Além do salário mensal, entram nesse cálculo bônus por desempenho, programas de participação nos lucros, benefícios como plano de saúde, vale-alimentação, auxílio-educação, horários flexíveis, possibilidade de trabalho remoto e plano de carreira estruturado.
Segundo o Guia Salarial 2026 da Michael Page, 55% dos profissionais consideram esses benefícios um fator decisivo ao avaliar uma proposta. Afinal, eles têm impacto direto na qualidade de vida, no equilíbrio entre vida pessoal e profissional e na permanência em uma organização.
Entender o pacote completo permite comparações mais justas entre propostas e evita decisões precipitadas baseadas apenas no valor bruto. Também fortalece a argumentação ao negociar, mostrando que a análise vai além do número final.
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