
Como priorizar projetos e crescer em gestão
Mario Trentim | 14/07/26Mario Trentim explica por que saber recusar projetos, apresentar trade-offs e proteger a capacidade de execução pode tornar um profissional mais estratégico.
IA agentiva na gestão de projetos: Mario H. Trentim explica como agentes autônomos executam tarefas, mudam as competências exigidas dos gerentes de projetos e impactam a formação profissional.
Em resumo:
Veja mais informações a seguir!

Mário Trentim durante palestra. Acervo Pessoal.
A inteligência artificial (IA) já faz parte da rotina da gestão de projetos, mas uma nova geração da tecnologia tende a alterar a forma como esses profissionais trabalham.
Em vez de apenas gerar respostas para solicitações humanas, a chamada IA agentiva é capaz de executar tarefas de maneira autônoma, utilizando diferentes ferramentas e tomando decisões intermediárias para atingir um objetivo.
Segundo Mario H. Trentim, Board Member do PMI Global (2025–2027) e doutorando pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), essa mudança desloca o foco da atuação dos gerentes de projetos das atividades operacionais para funções de supervisão, análise crítica e tomada de decisão.
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Nos últimos anos, a adoção da inteligência artificial na gestão de projetos esteve concentrada em ferramentas de IA generativa.
Nesse modelo, o profissional faz uma solicitação ao sistema, recebe uma resposta e decide como utilizá-la.
A IA agentiva funciona de forma diferente. O sistema recebe um objetivo, divide o trabalho em etapas, utiliza aplicações externas, verifica os resultados ao longo do processo e conclui a tarefa com pouca intervenção humana.
O movimento já aparece em estudos de mercado. O Gartner Hype Cycle for Emerging Technologies 2025 posiciona os agentes de IA no pico das expectativas para tecnologias emergentes, indicando potencial de impacto nos próximos dois a cinco anos.
Já o relatório McKinsey Technology Trends 2025 classifica a IA agentiva como a próxima etapa da evolução da inteligência artificial, voltada para a execução de sequências completas de atividades.
Na prática, isso significa que um sistema deixa de apenas produzir um relatório de status para analisar cronogramas, identificar riscos, elaborar documentos e comunicar automaticamente os envolvidos no projeto.
Segundo Trentim, o uso da IA agentiva já ocorre em diferentes setores.
Na construção civil, a plataforma Autodesk Construction IQ utiliza agentes para monitorar obras continuamente.
O sistema cruza informações de sensores, cronogramas e inspeções para identificar riscos antes que eles provoquem atrasos.
Na área de tecnologia da informação, agentes de IA vêm sendo empregados para realizar triagem e priorização de demandas, considerando critérios como capacidade das equipes e geração de valor para o negócio.
Essas atividades normalmente exigiam horas de trabalho de coordenadores e escritórios de gerenciamento de projetos (PMOs).
De acordo com Trentim, a tendência é que os agentes assumam inicialmente tarefas que apresentam processos bem definidos, repetitivos e com resultados verificáveis.
Entre os exemplos estão:
Levantamentos do Project Management Institute (PMI) indicam que esse conjunto de atividades representa entre 30% e 40% da rotina operacional de muitos gerentes de projetos.
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Para Trentim, o avanço da IA agentiva não elimina a necessidade do gerente de projetos, mas altera o perfil das competências exigidas.
“O gerente de projetos que vai ter mais valor não é necessariamente o que entende de IA. É o que sabe supervisionar agentes.”
Segundo o especialista, essa supervisão envolve revisar resultados produzidos pelos sistemas, identificar situações em que a inteligência artificial não compreendeu corretamente o contexto e definir quando uma decisão precisa ser encaminhada para avaliação humana.
Esse tipo de competência ainda não faz parte da maior parte dos programas tradicionais de certificação profissional.
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Embora os agentes possam executar diversas etapas de um projeto de forma autônoma, Trentim afirma que decisões envolvendo negociação, comunicação e relacionamento continuam dependendo da atuação humana.
Entre essas situações estão:
Segundo ele, esses processos exigem interpretação de fatores políticos, organizacionais e relacionais que ainda não podem ser reproduzidos por sistemas automatizados.
“A IA agentiva não elimina o papel do gerente de projetos. Ela redefine onde esse papel começa.”
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Na avaliação de Trentim, a chegada da IA agentiva também exige mudanças na formação dos profissionais.
Certificações tradicionais, como PMP, CAPM e IPMA, foram estruturadas para um cenário em que grande parte das atividades de coordenação era realizada manualmente.
O próximo conjunto de competências, segundo o pesquisador, deve incluir conhecimentos relacionados ao desenho de fluxos de trabalho para agentes de IA, definição de critérios para escalonamento de decisões, auditoria de processos automatizados e responsabilização pelos resultados produzidos por sistemas inteligentes.
Para Trentim, acompanhar essa transformação será um dos principais desafios para profissionais que atuam na gestão de projetos nos próximos anos.
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Mario H. Trentim é Board Member do PMI Global (2025–2027), doutorando pelo ITA, autor de 13 livros e criador do Adapt OS.
Desenvolve pesquisas sobre sistemas autônomos aplicados à engenharia e à gestão de projetos.