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IA agentiva deve transformar competências na gestão de projetos, afirma especialista

IA agentiva na gestão de projetos: Mario H. Trentim explica como agentes autônomos executam tarefas, mudam as competências exigidas dos gerentes de projetos e impactam a formação profissional.

Em resumo:

  • A IA agentiva executa processos completos, enquanto a IA generativa responde a comandos e produz conteúdos como textos e imagens.
  • Atividades operacionais da gestão de projetos tendem a ser automatizadas, incluindo atualização de cronogramas, elaboração de relatórios e notificações.
  • As competências mais valorizadas passam a envolver supervisão de agentes de IA, auditoria de decisões automatizadas e julgamento estratégico.

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Mário Trentim durante palestra. Acervo Pessoal.

A inteligência artificial (IA) já faz parte da rotina da gestão de projetos, mas uma nova geração da tecnologia tende a alterar a forma como esses profissionais trabalham.

Em vez de apenas gerar respostas para solicitações humanas, a chamada IA agentiva é capaz de executar tarefas de maneira autônoma, utilizando diferentes ferramentas e tomando decisões intermediárias para atingir um objetivo.

Segundo Mario H. Trentim, Board Member do PMI Global (2025–2027) e doutorando pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), essa mudança desloca o foco da atuação dos gerentes de projetos das atividades operacionais para funções de supervisão, análise crítica e tomada de decisão.

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IA agentiva vai além da geração de conteúdo

Nos últimos anos, a adoção da inteligência artificial na gestão de projetos esteve concentrada em ferramentas de IA generativa.

Nesse modelo, o profissional faz uma solicitação ao sistema, recebe uma resposta e decide como utilizá-la.

A IA agentiva funciona de forma diferente. O sistema recebe um objetivo, divide o trabalho em etapas, utiliza aplicações externas, verifica os resultados ao longo do processo e conclui a tarefa com pouca intervenção humana.

O movimento já aparece em estudos de mercado. O Gartner Hype Cycle for Emerging Technologies 2025 posiciona os agentes de IA no pico das expectativas para tecnologias emergentes, indicando potencial de impacto nos próximos dois a cinco anos.

Já o relatório McKinsey Technology Trends 2025 classifica a IA agentiva como a próxima etapa da evolução da inteligência artificial, voltada para a execução de sequências completas de atividades.

Na prática, isso significa que um sistema deixa de apenas produzir um relatório de status para analisar cronogramas, identificar riscos, elaborar documentos e comunicar automaticamente os envolvidos no projeto.

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Aplicações já estão em operação

Segundo Trentim, o uso da IA agentiva já ocorre em diferentes setores.

Na construção civil, a plataforma Autodesk Construction IQ utiliza agentes para monitorar obras continuamente.

O sistema cruza informações de sensores, cronogramas e inspeções para identificar riscos antes que eles provoquem atrasos.

Na área de tecnologia da informação, agentes de IA vêm sendo empregados para realizar triagem e priorização de demandas, considerando critérios como capacidade das equipes e geração de valor para o negócio.

Essas atividades normalmente exigiam horas de trabalho de coordenadores e escritórios de gerenciamento de projetos (PMOs).

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Atividades operacionais estão entre as primeiras a serem automatizadas

De acordo com Trentim, a tendência é que os agentes assumam inicialmente tarefas que apresentam processos bem definidos, repetitivos e com resultados verificáveis.

Entre os exemplos estão:

  • elaboração automática de relatórios de status;
  • atualização de cronogramas com base no avanço das atividades;
  • geração de atas de reunião com definição de responsáveis;
  • comunicação de dependências entre equipes;
  • envio de notificações quando há riscos de atraso.

Levantamentos do Project Management Institute (PMI) indicam que esse conjunto de atividades representa entre 30% e 40% da rotina operacional de muitos gerentes de projetos.

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Supervisão dos agentes passa a ser uma competência estratégica

Para Trentim, o avanço da IA agentiva não elimina a necessidade do gerente de projetos, mas altera o perfil das competências exigidas.

“O gerente de projetos que vai ter mais valor não é necessariamente o que entende de IA. É o que sabe supervisionar agentes.”

Segundo o especialista, essa supervisão envolve revisar resultados produzidos pelos sistemas, identificar situações em que a inteligência artificial não compreendeu corretamente o contexto e definir quando uma decisão precisa ser encaminhada para avaliação humana.

Esse tipo de competência ainda não faz parte da maior parte dos programas tradicionais de certificação profissional.

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Julgamento humano continua sendo decisivo

Embora os agentes possam executar diversas etapas de um projeto de forma autônoma, Trentim afirma que decisões envolvendo negociação, comunicação e relacionamento continuam dependendo da atuação humana.

Entre essas situações estão:

  • comunicar atrasos ao patrocinador do projeto;
  • negociar mudanças de escopo com clientes;
  • redefinir prioridades organizacionais;
  • alinhar expectativas junto à alta liderança.

Segundo ele, esses processos exigem interpretação de fatores políticos, organizacionais e relacionais que ainda não podem ser reproduzidos por sistemas automatizados.

“A IA agentiva não elimina o papel do gerente de projetos. Ela redefine onde esse papel começa.”

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Certificações devem acompanhar a evolução da profissão

Na avaliação de Trentim, a chegada da IA agentiva também exige mudanças na formação dos profissionais.

Certificações tradicionais, como PMP, CAPM e IPMA, foram estruturadas para um cenário em que grande parte das atividades de coordenação era realizada manualmente.

O próximo conjunto de competências, segundo o pesquisador, deve incluir conhecimentos relacionados ao desenho de fluxos de trabalho para agentes de IA, definição de critérios para escalonamento de decisões, auditoria de processos automatizados e responsabilização pelos resultados produzidos por sistemas inteligentes.

Para Trentim, acompanhar essa transformação será um dos principais desafios para profissionais que atuam na gestão de projetos nos próximos anos.

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Mario H. Trentim é Board Member do PMI Global (2025–2027), doutorando pelo ITA, autor de 13 livros e criador do Adapt OS.

Desenvolve pesquisas sobre sistemas autônomos aplicados à engenharia e à gestão de projetos.

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