Redação do Enem 2025 teve correção mais rigorosa? Entenda
Resultado do Enem 2025 foi divulgado em 16 de janeiro e estudantes reclamam da nota da redação. Especialistas analisam critérios de correção, mudanças na Competência II e impacto dos repertórios de bolso.
O resultado do Enem 2025foi divulgado nesta quinta-feira (16/01) e, poucas horas após a liberação das notas, as redes sociais foram tomadas por relatos de estudantes insatisfeitos com o desempenho na redação.
Muitos candidatos afirmaram ter recebido pontuações abaixo do esperado, o que levantou questionamentos sobre um possível aumento no rigor dos critérios de correção nesta edição do exame.
A discussão ganhou força porque a redação tem peso equivalente ao das quatro provas objetivas e exerce influência direta na média final do participante — fator decisivo para o acesso a vagas no Sisu, Prouni e Fies.
Diante das dúvidas, especialistas em ensino de Língua Portuguesa e avaliação textual analisam o cenário e explicam o que pode ter levado à percepção de uma correção mais exigente.
Veja a seguir o que dizem Thiago Braga, autor de Língua Portuguesa do Sistema de Ensino pH, e Heloisa Guimarães, analista de conteúdo pedagógico da plataforma Redação Nota 1000.
Falta de dados oficiais ainda impede conclusões definitivas
Segundo Thiago Braga, autor de Língua Portuguesa do Sistema de Ensino pH, ainda não é possível afirmar com precisão se houve, de fato, maior rigor na correção das redações.
Isso porque o Inep não divulgou, até o momento, os dados estatísticos detalhados da avaliação.
“Nós não temos ainda dados oficiais. As estatísticas que são disponibilizadas pelo Inep geralmente saem depois.
Há uma percepção de uma avaliação mais rígida, mas para comentar com mais precisão vamos precisar dos dados e entender quais foram os resultados de fato”, afirma.
Combate aos repertórios de bolso pode explicar notas mais baixas
O especialista destaca que, nos últimos dois anos, o Inep vem sinalizando maior rigor em relação ao uso dos chamados repertórios de bolso — referências prontas e memorizadas utilizadas de forma genérica, independentemente do tema da redação.
“Eles avisaram que seriam mais rígidos se entendessem que os repertórios não estivessem organicamente alinhados ao texto”, explica Braga.
Segundo ele, muitos cursos e professores difundiram repertórios coringa, o que levou diversos estudantes a estruturarem seus textos a partir de referências pouco conectadas à proposta.
Competência II é apontada como principal foco do maior rigor
Thiago Braga afirma que o aumento da exigência está concentrado especialmente na Competência II, que avalia a capacidade de aplicar repertório sociocultural de forma produtiva e alinhada à argumentação.
“O Inep vinha avisando de uma maior rigidez principalmente dentro da Competência II, que trata do repertório que deve ser organicamente inserido no texto e completamente alinhado às ideias apresentadas.
Ele precisa ser produtivo para aquela argumentação”, explica.
Para Heloisa Guimarães, analista de conteúdo pedagógico da plataforma Redação Nota 1000, a confirmação sobre quais critérios impactaram as notas só será possível após a liberação do espelho de correção, prevista para março.
Ainda assim, segundo a especialista, já é possível formular hipóteses sobre o processo de avaliação a partir das diretrizes apresentadas na cartilha do participante, elaborada e divulgada pelo próprio Inep em 2025.
Cartilha já previa punição ao uso de repertórios genéricos
Desde a divulgação da cartilha, houve repercussão sobre o alerta da banca em relação aos repertórios de bolso, definidos como referências prontas, memorizadas e frequentemente utilizadas de forma genérica e pouco aprofundada.
Caso esses repertórios fossem avaliados como forçados ou pouco relacionados ao argumento desenvolvido, poderiam deixar de ser considerados produtivos pelos corretores.
Competência II pode ter registrado quedas de até 80 pontos
Com os novos parâmetros, um repertório antes avaliado com nota máxima, mas não atrelado ao tema ou meramente decorado, provavelmente recebeu entre 40 e 80 pontos a menos na Competência II, responsável por avaliar a pertinência do uso de referências em relação à temática proposta.
Segundo Heloisa, a medida busca verificar se o estudante é capaz de mobilizar conhecimentos de diferentes fontes, e não apenas memorizar informações para encaixá-las em qualquer tema.
A cartilha da banca apresenta, inclusive, exemplos de repertórios produtivos, como obras da literatura brasileira, letras de músicas e citações de especialistas reconhecidos na área abordada.
Modelos prontos de redação tendem a ser penalizados
A analista destaca que a mudança na Competência II, embora tenha causado apreensão entre os estudantes, já era esperada.
Com isso, modelos de redação engessados e estruturas padronizadas tendem a não ser mais aceitos ou a sofrer penalizações.
Ela acrescenta que é possível que outras competências também tenham passado por ajustes nos critérios, o que ajudaria a explicar descontos mais expressivos nas notas.
No entanto, essa hipótese só poderá ser confirmada após a divulgação dos espelhos de correção, já que os detalhes da avaliação são confidenciais.
Tema da redação exigia atenção às nuances da proposta
Outro ponto levantado por Heloisa Guimarães diz respeito ao tema da redação do Enem 2025.
Embora a proposta parecesse simples, ela exigia reflexão sobre o envelhecimento da população brasileira e a apresentação de medidas para que a sociedade se preparasse para esse fenômeno.
Nesse contexto, estudantes que limitaram o texto a abordar apenas obstáculos e preconceitos enfrentados por pessoas idosas podem ter sofrido penalizações nas Competências III e V, por tangenciamento, distorção temática ou argumentação frágil.
Segundo a especialista, esses tipos de desconto já estão previstos nos critérios há vários anos e não representam, por si só, uma novidade na correção.
Quais são as 5 competências avaliadas na redação do Enem?
Domínio da norma culta da língua portuguesa
Avalia a capacidade do candidato de utilizar corretamente gramática, ortografia, pontuação e vocabulário.
O texto deve apresentar linguagem formal adequada ao contexto da redação, com clareza e precisão na expressão das ideias.
Compreensão do tema e adequação ao tipo textual
Verifica se o participante compreende o tema proposto e responde de forma apropriada, respeitando o formato exigido — geralmente a dissertação-argumentativa.
As ideias precisam manter-se centradas na proposta, sem desvios ou interpretações equivocadas.
Seleção, interpretação e articulação de informações
Analisa a habilidade de escolher informações relevantes para sustentar os argumentos, interpretando dados e relacionando-os de maneira lógica e coerente para construir um raciocínio consistente.
Uso de conectivos e operadores argumentativos
Observa a utilização adequada de elementos que conectam ideias e estruturam a argumentação.
O emprego correto desses recursos garante fluidez textual e facilita a compreensão do leitor.
Avalia a capacidade de apresentar uma solução viável para o problema abordado.
A proposta deve ser clara, pertinente e coerente com os argumentos desenvolvidos, considerando aspectos sociais, culturais ou econômicos relacionados ao tema.
Cada competência recebe pontuação de 0 a 200. A redação é anulada e recebe nota zero caso o candidato fuja do tema ou não atenda à estrutura dissertativo-argumentativa exigida.
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