Os resultados do Ideb 2025 reforçaram esse cenário ao mostrar que, apesar dos avanços em alguns indicadores da Educação Básica, muitos estudantes ainda concluem o Ensino Médio sem dominar habilidades essenciais da disciplina.
Para muitas famílias, esses dados levantam uma dúvida importante: por que tantos alunos têm dificuldade em aprender Matemática e o que pode ser feito para mudar essa realidade?
Além de impactar o desempenho dos estudantes, esse cenário influencia a formação de profissionais para áreas estratégicas, como ciência, tecnologia, engenharia e inovação.
Neste artigo, você vai entender o que os dados do Ideb 2025 revelam sobre a aprendizagem da matemática, quais são as principais causas das dificuldades na disciplina e como escolas, professores e famílias podem contribuir para fortalecer esse aprendizado desde os primeiros anos da Educação Básica.
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Como está o ensino de matemática no Brasil?
Os resultados do Ideb 2025, divulgados em agosto de 2026, indicam avanços em diferentes etapas da Educação Básica. Entretanto, a aprendizagem permanece como um dos principais pontos de atenção, especialmente no Ensino Médio.
É importante diferenciar os indicadores. O Ideb reúne as taxas de aprovação, reprovação e abandono do Censo Escolar e o desempenho dos estudantes no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Os níveis de proficiência em Matemática são apresentados pela escala do Saeb.
Segundo os dados do Ideb 2025, a média nacional dos estudantes do Ensino Médio da rede pública permaneceu no nível 2 de Matemática. Embora 22 estados tenham melhorado suas notas, o país continuou em um patamar baixo de aprendizagem.
Recorte analisado
Resultado em Matemática
O que o dado sinaliza
Rede pública nacional
Nível 2
Persistência de lacunas em habilidades básicas e intermediárias
Redes estaduais
Seis chegaram ao nível 3
Paraná, Goiás, Piauí, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Pernambuco
Rede privada nacional
Nível 4
Desempenho superior à média observada na rede pública
Rede privada de Minas Gerais
341,45 pontos
Maior média estadual do país nesse recorte
Os resultados mostram que a melhora de alguns indicadores ainda não foi suficiente para garantir a consolidação das aprendizagens, principalmente nas etapas finais da Educação Básica.
O especialista Tiago Bossi, presidente da Associação Brasileira de Sistemas de Ensino e Plataformas Educacionais (Abraspe), avalia que:
É justamente no Ensino Médio que está o maior desafio nacional, pois nenhum estado atingiu os 5,2 pontos e a etapa não cumpriu sua meta desde 2013. Cabe uma reflexão sobre como os anos finais do Ensino Fundamental e o Ensino Médio se comportam nesse cenário e se o que está previsto na BNCC está conectado aos desafios da contemporaneidade.
O que o nível 2 do Saeb revela sobre a aprendizagem?
Na escala de Matemática do Saeb, o nível 2 do Ensino Médio corresponde ao intervalo entre 250 e 275 pontos. Nesse patamar, os estudantes provavelmente conseguem:
localizar pontos no primeiro quadrante do plano cartesiano;
calcular o valor de uma função afim;
relacionar percentuais a gráficos de setores.
Habilidades como resolver problemas de proporcionalidade, calcular reajustes percentuais e construir gráficos aparecem a partir do nível 3.
A permanência da rede pública no nível 2 indica que competências relacionadas à regra de três, às porcentagens e à interpretação de gráficos ainda não estão consolidadas de forma ampla.
Importante: o resultado representa a média de escolas e redes, não o desempenho individual de cada estudante.
Por que os alunos têm dificuldade em aprender matemática?
A dificuldade em matemática geralmente resulta de uma combinação de fatores pedagógicos, emocionais, sociais e escolares. Ela não deve ser interpretada automaticamente como falta de esforço ou de capacidade do estudante.
Entre as possíveis causas estão:
✔️ lacunas acumuladas em operações, frações, porcentagem e proporcionalidade;
✔️ dificuldade para interpretar enunciados e transformar informações em linguagem matemática;
✔️ memorização de fórmulas sem compreensão dos conceitos;
✔️ pouca relação entre o conteúdo e situações concretas;
✔️ ritmo de ensino incompatível com as necessidades da turma;
✔️ falta de diagnóstico e recuperação das aprendizagens anteriores;
✔️ recursos ou formação continuada insuficientes para os professores;
✔️ distrações e baixo envolvimento durante as aulas.
Como as lacunas se acumulam ao longo da vida escolar?
A Matemática possui uma progressão particularmente interdependente. Para compreender funções, por exemplo, o estudante precisa mobilizar operações, proporcionalidade, álgebra, leitura de gráficos e relações entre grandezas.
Quando uma dessas bases não é consolidada, o aluno pode aprender procedimentos de forma temporária, mas encontrar dificuldade para transferi-los a um problema novo. A defasagem tende a crescer conforme os conteúdos ficam mais abstratos.
Jalman Lima, mestre em Matemática e gerente da CASIO Educação, destaca que há uma distância entre executar um procedimento e compreender um conceito.
Muitos estudantes memorizam fórmulas, mas têm dificuldade para explicar o raciocínio, interpretar situações reais ou escolher estratégias de resolução.
Para o especialista, quando não são superadas, essas defasagens podem limitar o acesso dos jovens a formações científicas e tecnológicas, além de diminuir o número de profissionais preparados para áreas estratégicas da economia.
Como descrever um aluno com dificuldade em matemática?
Um estudante com dificuldade deve ser descrito por comportamentos observáveis, e não por rótulos como “ruim em Matemática”.
A análise precisa considerar quais habilidades ainda não foram consolidadas, em quais situações o problema aparece e quais intervenções já foram realizadas.
Sinal observado
O que precisa ser investigado
Possível apoio
Erros frequentes em operações
Compreensão do sistema numérico e dos procedimentos
Retomada da base com materiais visuais
Dificuldade com porcentagem
Frações, decimais e proporcionalidade
Problemas com preços, descontos e pesquisas
Não entende o enunciado
Leitura, seleção de dados e vocabulário matemático
Leitura orientada e representação do problema
Sabe a fórmula, mas não quando aplicá-la
Compreensão conceitual
Comparação entre estratégias de resolução
Evita participar ou entregar atividades
Medo de errar, desmotivação ou defasagem
Feedback individual e tarefas graduais
Não consegue explicar a resposta
Organização do raciocínio
Registros escritos, desenhos, tabelas e gráficos
Nesse sentido, uma nota baixa isolada não é suficiente para identificar a origem da dificuldade. A escola deve observar produções, estratégias, conhecimentos prévios e evolução ao longo do tempo.
Quais são os desafios dos professores no ensino de matemática?
No dia a dia da sala de aula, os professores precisam trabalhar com turmas que podem reunir estudantes em níveis muito diferentes de aprendizagem. Ao mesmo tempo, devem cumprir o currículo, acompanhar o progresso individual e recuperar conteúdos de anos anteriores.
Com tantas tarefas simultâneas, os principais desafios incluem:
diagnosticar lacunas sem interromper toda a progressão curricular;
oferecer diferentes formas de representar o mesmo conceito;
atender estudantes com ritmos distintos;
conectar conteúdos abstratos a situações significativas;
avaliar o raciocínio, e não somente a resposta final;
manter o envolvimento dos alunos em atividades que exigem concentração;
dispor de tempo, formação e materiais para planejar intervenções.
Por isso, a melhoria do ensino de matemática no Brasil não depende apenas de aumentar a quantidade de exercícios, mas exige condições de trabalho, formação continuada dos professores, materiais adequados e acompanhamento das aprendizagens.
Como a educação STEM pode fortalecer a aprendizagem?
STEM é a sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Na prática, a educação STEM ajuda o estudante a perceber como os conteúdos aprendidos em sala podem ser usados para investigar situações e resolver problemas reais.
Em vez de apenas memorizar fórmulas, o aluno pode medir, comparar resultados, analisar dados, testar ideias e explicar como chegou a uma solução. A Matemática passa a ter uma aplicação mais clara no cotidiano.
Uma atividade sobre o consumo de água da escola, por exemplo, pode envolver cálculos de média e porcentagem, organização de tabelas, criação de gráficos e elaboração de propostas para evitar desperdícios.
Para Jalman Lima, atividades de investigação e experimentação ajudam a desenvolver competências que ultrapassam o domínio de fórmulas:
Ao participar de atividades de investigação, experimentação, análise de dados e resolução de problemas, o estudante tem a oportunidade de desenvolver competências relevantes para diferentes contextos acadêmicos e profissionais, como pensamento crítico, criatividade, colaboração e tomada de decisões baseada em evidências.
Assim, a educação STEM pode tornar a aprendizagem mais próxima da realidade dos estudantes e contribuir para o desenvolvimento do raciocínio lógico, da autonomia e da capacidade de trabalhar em equipe.
Por que a matemática é importante para o desenvolvimento do Brasil?
A Matemática está presente em áreas como engenharia, saúde, ciência de dados, inteligência artificial, finanças, automação e indústria. Para atuar nesses setores, os profissionais precisam interpretar informações, identificar padrões, avaliar riscos e encontrar soluções para diferentes problemas.
Por isso, as dificuldades na disciplina podem afetar não apenas o desempenho escolar. Quando as lacunas não são superadas, os jovens podem encontrar mais obstáculos para ingressar em cursos e carreiras científicas e tecnológicas.
Uma boa formação matemática também ajuda o estudante a:
compreender gráficos, pesquisas e estatísticas;
organizar o orçamento e comparar preços;
avaliar informações com mais cuidado;
desenvolver o raciocínio lógico;
resolver problemas com autonomia;
tomar decisões com base em dados.
Ao fortalecer o ensino da Matemática, o Brasil amplia a formação de profissionais preparados para pesquisar, criar tecnologias e desenvolver soluções. Isso contribui para a inovação e para o crescimento de setores importantes da economia.
A aprendizagem matemática, no entanto, não beneficia apenas quem pretende seguir uma profissão ligada aos números. Ela oferece conhecimentos úteis para a vida cotidiana e ajuda a formar cidadãos mais preparados para compreender a realidade.
Como a família pode ajudar uma criança com dificuldade em matemática?
A família pode contribuir observando as dificuldades da criança, mantendo o diálogo com a escola e criando uma rotina de estudos compatível com sua idade.
O apoio deve estimular a autonomia, sem transformar cada atividade em uma cobrança por acertos.
Entre as atitudes que podem ajudar estão:
1 – Conversar com a criança para entender quais conteúdos geram mais insegurança;
2 – Acompanhar as orientações e avaliações enviadas pela escola;
3 – Organizar um horário curto e frequente para revisar os conteúdos;
4 – Valorizar o raciocínio utilizado, mesmo quando a resposta estiver incorreta;
5 – Evitar comparações com irmãos, colegas ou outros estudantes;
6 – Utilizar compras, receitas, jogos, mapas e organização do orçamento para trabalhar conceitos matemáticos;
7 – Procurar a escola quando a dificuldade persistir ou afetar outras atividades.
Os responsáveis também podem pedir ao professor informações mais específicas sobre as habilidades que precisam ser retomadas.
Saber se a dificuldade envolve operações, interpretação de enunciados, proporcionalidade ou leitura de gráficos permite oferecer um apoio mais direcionado.
Como encontrar uma escola que valorize a matemática com bolsa de estudo?
Ao escolher uma escola, a família pode verificar como a instituição acompanha o desempenho dos estudantes e identifica dificuldades em Matemática. Também vale conhecer as estratégias de recuperação, os projetos interdisciplinares e o uso de tecnologias durante as aulas.
Esses cuidados ajudam a encontrar uma proposta pedagógica que valorize o raciocínio, a resolução de problemas e a aplicação dos conteúdos no cotidiano, sem depender apenas da memorização de fórmulas.
Na Quero Escola, os responsáveis podem pesquisar instituições por localização e etapa de ensino, além de comparar mensalidades, avaliações e ter acesso a bolsas de estudo de até 80%.
Dessa forma, fica mais fácil encontrar uma escola adequada às necessidades do estudante e ao orçamento da família.
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