
O que é um escritório de projetos: definição, tipos e quando criar
| 11/09/26Entenda o que é um escritório de projetos, também chamado de PMO, conheça seus tipos, funções, estrutura e saiba quando uma empresa deve criar um.
Enterprise agility vai além do Scrum e da agilidade dos times. Entenda os níveis de agilidade organizacional e os obstáculos que dificultam a adaptação das empresas.
Em resumo:
Veja mais informações a seguir!

Empresas podem ter dezenas de times utilizando Scrum, Kanban ou outros métodos ágeis e, ainda assim, não serem organizações ágeis. Essa é uma distinção importante e que continua sendo ignorada em muitas transformações corporativas.
O Business Agility Institute registrou, em 2025, que organizações com maior evolução em maturidade de agilidade apresentaram aumento médio de 10,3% na receita por funcionário em relação ao ano anterior.
O dado chama atenção porque boa parte da discussão sobre métodos ágeis ainda está concentrada em indicadores de velocidade e produtividade dos times, e não nos resultados da organização como um todo.
Poucas empresas conseguem transformar agilidade de equipes em enterprise agility. Na minha visão, o principal obstáculo não é técnico.
Também não se resume a uma questão cultural. É uma questão conceitual: muitas organizações confundem agilidade dos times com capacidade de adaptação organizacional.
A participação no Board do PMI, que acompanha discussões relacionadas à enterprise agility no nível de uma das principais associações globais de gestão, e minha experiência na gestão de projetos da UNOPS em ambientes de alta incerteza ampliaram minha perspectiva sobre o que significa construir agilidade em uma organização inteira.
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Enterprise agility é a capacidade sistêmica de uma organização adaptar sua estratégia, estrutura e recursos antes que uma mudança no ambiente reduza ou elimine uma oportunidade.
Isso é diferente de simplesmente ter times ágeis.
Uma empresa pode ter 50 equipes utilizando Scrum com excelência e ainda apresentar baixa agilidade organizacional.
Basta que a tomada de decisão estratégica leve seis meses, que a alocação de orçamento seja anual e rígida ou que informações relevantes levem semanas para chegar à liderança.
Nesse cenário, os times são ágeis dentro de um sistema que permanece rígido.
A agilidade fica restrita às squads e não modifica a forma como a organização toma decisões, distribui recursos ou revisa sua estratégia.
Essa confusão pode gerar um resultado conhecido: investimentos elevados em transformação ágil, aumento do número de cerimônias e processos e pouca mudança na capacidade real de adaptação da empresa.
O problema não está necessariamente no Scrum ou em outros frameworks. O problema aparece quando se tenta resolver uma questão organizacional apenas com ferramentas destinadas a uma camada específica da operação.
Para entender enterprise agility, é necessário separar três níveis de agilidade que precisam funcionar de maneira integrada.
É a agilidade dos times que executam o trabalho.
Envolve capacidade de entregar, incorporar feedback, revisar prioridades e adaptar atividades em ciclos curtos. É nesse nível que Scrum, Kanban e outros métodos de trabalho ágil costumam produzir seus principais efeitos.
A maioria das transformações ágeis consegue chegar aqui.
O problema é parar aqui.
É a capacidade da gestão intermediária de transformar aquilo que os times aprendem em mudanças de prioridades e recursos.
Nesse nível, gestores precisam conseguir realocar pessoas, orçamento e capacidade de acordo com evidências obtidas durante a execução.
Poucas organizações fazem isso de maneira consistente.
Se uma equipe identifica uma mudança relevante no comportamento do cliente, por exemplo, essa informação precisa chegar rapidamente à gestão responsável pelo portfólio. Caso contrário, o aprendizado permanece isolado dentro do time.
É a capacidade da liderança sênior de revisar posicionamento, investimentos e portfólio antes que mudanças do mercado se transformem em crises.
Aqui está uma das maiores dificuldades das grandes organizações.
Se a estratégia só é revisada uma vez por ano, enquanto o ambiente competitivo muda mensalmente, existe um descompasso entre o ritmo da organização e o ritmo do mercado.
Enterprise agility exige que os três níveis estejam conectados.
Uma descoberta feita durante uma sprint precisa chegar ao nível tático em tempo suficiente para influenciar decisões. Quando essa informação tiver relevância estratégica, também precisa chegar à liderança.
Sem canais eficientes de comunicação e decisão, a agilidade permanece na base da organização.
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A experiência mostra que alguns padrões organizacionais dificultam especialmente a construção de agilidade em empresas maiores.
Planejar uma vez por ano em um ambiente que muda continuamente cria um descompasso estrutural.
Isso não significa que todo planejamento anual precise ser eliminado. Algumas decisões precisam de estabilidade, como direção estratégica, valores, capacidades organizacionais e compromissos de longo prazo.
Outras decisões precisam ser adaptáveis, como prioridades do portfólio, distribuição de recursos e iniciativas de curto e médio prazo.
A questão é separar aquilo que precisa permanecer estável daquilo que precisa mudar de acordo com novas informações.
Quanto mais níveis de aprovação existem entre quem executa e quem decide, maior é o risco de a informação perder contexto.
Uma decisão que precisava ser tomada rapidamente pode chegar ao responsável final semanas ou meses depois, quando as circunstâncias já mudaram.
A velocidade de decisão determina, em grande medida, a velocidade de adaptação.
Uma oportunidade que aparece em abril não deveria necessariamente esperar até dezembro para ser considerada porque o orçamento foi definido no início do ano.
Enterprise agility exige mecanismos que permitam realocar recursos em ciclos mais curtos.
Isso não significa abandonar o planejamento orçamentário anual. Significa criar flexibilidade suficiente para que decisões relevantes possam ser tomadas durante o ciclo.
Existe uma contradição pouco discutida entre utilização máxima da capacidade e agilidade.
Um time operando permanentemente com 100% de utilização tem pouca capacidade disponível para responder a uma oportunidade inesperada, atender uma demanda urgente ou experimentar uma nova solução.
Eficiência e agilidade são objetivos que precisam ser equilibrados. Tentar maximizar os dois simultaneamente pode gerar um sistema incapaz de responder às mudanças.
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Se uma tentativa que não funciona representa um custo elevado para a carreira de quem tomou a decisão, a tendência é evitar experimentos.
Sem experimentação, não existe aprendizado organizacional consistente.
Enterprise agility exige que experimentos sejam tratados como mecanismos de geração de informação. Isso não significa eliminar responsabilidade ou aceitar decisões sem critérios. Significa diferenciar erro de execução, decisão baseada em evidências e experimentação deliberada.
Nesse caso, a mudança necessária está nos incentivos e nos mecanismos de decisão, e não apenas nos discursos sobre cultura.
Relatórios de transformação podem indicar que uma empresa se tornou ágil. Mas existem perguntas mais simples que ajudam a identificar a capacidade real de adaptação.
Se a decisão pode ser tomada em horas ou poucos dias, existe maior capacidade de adaptação financeira.
Se exige semanas ou meses, a flexibilidade é menor.
Quando uma realocação relativamente pequena leva mais de um trimestre, a organização provavelmente tem baixa capacidade de responder financeiramente a mudanças relevantes.
Uma revisão exclusivamente anual pode ser incompatível com ambientes de alta mudança.
Uma alternativa é separar os ciclos: prioridades podem ser revisadas mensalmente, enquanto a direção estratégica pode ser analisada trimestralmente.
O importante é que a frequência de revisão seja compatível com a velocidade das mudanças do ambiente.
Se decisões operacionais relevantes precisam atravessar quatro ou cinco níveis hierárquicos, é preciso avaliar quanto tempo e contexto são perdidos nesse processo.
A pergunta não é simplesmente quantos níveis existem, mas quais decisões realmente precisam passar por cada um deles.
Essa pergunta revela muito sobre a gestão do portfólio.
Se ninguém consegue lembrar de um projeto estratégico cancelado por perda de relevância, existe a possibilidade de o portfólio estar sendo acumulado em vez de gerenciado.
Portfólio estratégico não é uma lista permanente de iniciativas. Ele precisa refletir as prioridades atuais da organização.
Não estou falando apenas de aprovar uma ideia.
A questão é saber quanto tempo leva para colocar uma iniciativa relevante em funcionamento, com recursos, responsável e capacidade de execução definidos.
Se esse processo demora mais de seis meses, a organização pode ter uma limitação estrutural para responder ao mercado.
Enterprise agility não é um projeto que termina quando a transformação ágil é concluída. É uma capacidade organizacional que precisa ser construída e aprimorada continuamente.
O Business Agility Institute registrou maturidade global de 5,4 em uma escala de 10 em 2025, ligeiramente abaixo do recorde anterior. O dado reforça que a maior parte das organizações ainda está construindo essa capacidade.
Na minha avaliação, a diferença entre empresas mais avançadas e aquelas que permanecem presas à transformação de times não está necessariamente na tecnologia ou na escolha de um framework.
Está na compreensão de que agilidade operacional, agilidade tática e agilidade estratégica são partes de um mesmo sistema.
Scrum pode ajudar um time a trabalhar de forma ágil. OKR pode contribuir para alinhar objetivos. Kanban pode melhorar o fluxo de trabalho. Outros frameworks podem resolver problemas específicos.
Nenhum deles, isoladamente, transforma uma organização rígida em uma organização adaptável.
Enterprise agility começa quando a capacidade de adaptação deixa de ser responsabilidade exclusiva dos times e passa a fazer parte da arquitetura de decisão, governança, orçamento, estratégia e gestão de portfólio.
É nesse ponto que uma transformação ágil deixa de ser uma mudança na forma de trabalhar e passa a modificar a forma como a organização funciona.
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Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI, Reitor da Allevo Tech / Qeevo Group, doutorando do ITA e autor de 13 livros sobre gestão e execução estratégica.
Atua como conselheiro e conector estratégico em organizações em transformação.


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