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Sua empresa adotou OKR. Continua gerindo do mesmo jeito

Adotar OKR não resolve problemas de gestão sem clareza estratégica. Entenda por que prioridades, transparência e autonomia são essenciais.



Em resumo:

  • OKR organiza e comunica prioridades, mas não substitui a clareza estratégica da empresa.
  • A metodologia depende de transparência, autonomia de execução e alinhamento sobre as prioridades.
  • Sem clareza sobre o que fazer e, principalmente, sobre o que não fazer, o OKR pode virar apenas mais um processo.

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Acervo Pessoal

Há uma situação que se repete em muitas empresas. A organização decide adotar OKR, investe em treinamentos, contrata consultoria, realiza workshops e configura uma ferramenta para acompanhar os objetivos.

Seis meses depois, os OKRs existem, mas a gestão continua funcionando da mesma maneira.

As prioridades mudam toda semana. Demandas concorrentes continuam sendo tratadas como igualmente urgentes.

Os profissionais ainda precisam recorrer à liderança para saber o que deve ser priorizado.

Quando isso acontece, a conclusão costuma ser rápida: OKR não funciona para a realidade da empresa.

O problema, porém, pode estar em outro lugar.

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O que é OKR e o que ele não resolve

OKR, sigla para Objectives and Key Results, é um sistema para definir, comunicar e acompanhar prioridades.

Ele ajuda a organização a transformar objetivos em resultados mensuráveis e a conectar diferentes níveis da empresa em torno de prioridades comuns.

Isso não significa que OKR seja, por si só, um sistema completo de gestão.

John Doerr, que levou o modelo de OKR ao Google a partir da metodologia desenvolvida por Andy Grove na Intel, apresenta essa lógica em Measure What Matters.

O método parte de uma premissa: a organização precisa ter clareza suficiente para definir quais são seus objetivos mais importantes em determinado período.

Essa distinção é fundamental.

OKR não cria automaticamente uma estratégia. Não resolve conflitos entre prioridades. Não elimina ambiguidades na tomada de decisão. Também não substitui processos de gestão que estejam mal estruturados.

Quando a empresa não sabe quais são suas prioridades, o risco é transformar o OKR em um exercício burocrático.

Os objetivos passam a ser escritos para cumprir uma etapa do processo, enquanto as decisões continuam sendo tomadas por outros critérios.

Nesse cenário, o check-in do OKR pode se transformar em um ritual de acompanhamento, e não em uma oportunidade para aprender, corrigir a rota e tomar decisões.

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A clareza estratégica vem antes do OKR

Existe uma pergunta simples que ajuda a identificar se a organização está preparada para usar OKR:

Qualquer gerente da empresa consegue citar, sem consultar uma apresentação ou documento, os três principais objetivos da organização neste trimestre e explicar como seu trabalho contribui para eles?

Se a resposta for não, existe um problema anterior à metodologia.

Em muitas empresas, os objetivos estão registrados em apresentações da liderança, documentos estratégicos e ferramentas de gestão.

Eles existem formalmente, mas não funcionam como critérios para a tomada de decisão cotidiana.

Essa diferença é relevante.

Uma prioridade só se torna efetiva quando ajuda a responder perguntas práticas:

  • O que deve ser feito primeiro?
  • O que pode esperar?
  • Quais demandas devem ser interrompidas?
  • Onde a empresa deve concentrar recursos?
  • Quais iniciativas não serão realizadas neste período?

Donald Sull e Kathleen Eisenhardt discutem, em Simple Rules, como organizações podem melhorar a execução a partir de regras simples e claras para orientar decisões.

A lógica também se aplica ao OKR. O problema não está necessariamente na falta de métricas ou na sofisticação da ferramenta. Muitas vezes, está na ausência de critérios claros para decidir.

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Por que o OKR falha em algumas empresas

A adoção do OKR tende a encontrar problemas quando três condições fundamentais não estão presentes.

1. Clareza estratégica

A liderança precisa estar alinhada sobre quais são as prioridades da organização.

Se diferentes líderes defendem prioridades diferentes, o OKR pode produzir uma aparência de alinhamento sem resolver o conflito existente.

O resultado são objetivos que competem entre si e equipes tentando atender a demandas simultâneas.

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2. Cultura de transparência

OKR pressupõe que as prioridades sejam visíveis e possam ser discutidas.

Isso inclui questionar objetivos, avaliar resultados abaixo do esperado e revisar decisões quando necessário.

Se a cultura organizacional pune quem aponta problemas ou questiona prioridades, a metodologia perde uma de suas funções.

Nesse contexto, os profissionais tendem a registrar o que parece seguro, e não necessariamente o que precisa ser discutido.

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3. Autonomia para executar

Definir objetivos ambiciosos e resultados mensuráveis não é suficiente.

As equipes precisam ter autonomia para decidir como alcançar os resultados.

Quando toda iniciativa depende de uma sequência de aprovações, o OKR pode aumentar a quantidade de reuniões e acompanhamentos sem produzir a agilidade esperada.

Autonomia não significa ausência de controle. Significa dar às equipes espaço para tomar decisões dentro de prioridades e limites previamente definidos.

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OKR não substitui decisões de liderança

Existe uma expectativa equivocada de que a metodologia resolverá problemas que pertencem à liderança.

Não resolverá.

Cabe à liderança definir prioridades, estabelecer critérios de decisão e decidir quais iniciativas deixarão de receber recursos.

Essa última decisão costuma ser a mais difícil.

Toda prioridade implica renúncia. Se tudo continua sendo prioridade, nenhuma prioridade realmente orienta a organização.

Por isso, uma empresa pode ter OKRs bem estruturados e, ainda assim, continuar sofrendo com excesso de demandas, mudanças constantes de direção e falta de foco.

O documento está organizado. A gestão, não.

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Antes de adotar OKR, faça uma pergunta

A pergunta central não deveria ser apenas se a empresa sabe implementar OKR.

A questão é outra:

A organização tem clareza suficiente para que qualquer gerente consiga explicar quais são as prioridades e usá-las para tomar decisões?

Se a resposta for não, o próximo passo provavelmente não é contratar uma nova ferramenta ou redesenhar o processo de OKR.

É discutir a estratégia.

Isso significa decidir onde concentrar recursos, quais resultados são realmente relevantes e, principalmente, o que a empresa não fará.

OKR funciona melhor quando existe clareza estratégica e a organização precisa fazer essa clareza chegar às diferentes equipes.

Ele pode ajudar a escalar prioridades.

Não pode criar prioridades que a liderança ainda não conseguiu definir.


Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI, Reitor da Allevo Tech / Qeevo Group, doutorando do ITA e autor de 13 livros sobre gestão e execução estratégica.

Atua como conselheiro e conector estratégico em organizações em transformação.

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