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Biologia

Carnívoros

William Mira
Publicado por William Mira
Última atualização: 6/11/2018

Introdução

Na ecologia e na zoologia, são conhecidos como carnívoros todos os organismos que se alimentam predominantemente ou exclusivamente de carne proveniente de outros animais.

Embora o maior predomínio de animais carnívoros seja dentro do filo dos Cordados, principalmente entre os mamíferos, os quais na taxonomia possuem uma ordem chamada de carnívora que reúne todos os animais que se alimentam de carne, há outros animais e até outros organismos que possuem hábitos carnívoros.

Dentro do táxon dos Cordados, algumas espécies de peixes, aves e répteis são carnívoras. Há ainda alguns carnívoros dentro do grupo dos insetos, celenterados, algumas bactérias e até algumas plantas, as chamadas plantas carnívoras.

Onça Pintada, um exemplo de carnívoro da América do Sul.

Os animais carnívoros que possuem capacidade de conseguir seu alimento através de uma ofensiva ou ataque contra um organismo podem ser chamados também de predadores e seu alimento, enquanto ainda vivo, é chamado de presa.

A variedade de vegetais em uma determinada região está diretamente relacionada com a variedade da fauna local, composta por animais herbívoros que podem possuir preferências alimentares de uma planta para outra e, consequentemente, animais carnívoros que se alimentam desses animais herbívoros.

Cadeia Alimentar

Os carnívoros surgem na cadeia alimentar a partir do terceiro nível trófico e são chamados de consumidores. Podem ser secundários, terciários e até quaternários dependendo da extensão da cadeia. Os consumidores primários, por se alimentarem de plantas, são chamados de herbívoros e não de carnívoros.

Os carnívoros exercem importante função equilibrando o ecossistema, pois eles controlam as populações das espécies das quais se alimentam contribuindo para que não haja uma superpopulação de animais herbívoros, por exemplo, que podem se alimentar totalmente da flora de uma determinada região, causando o desequilíbrio ecológico.

Por se alimentarem de outros organismos presentes em um mesmo ambiente, os consumidores, quanto mais ao topo da cadeia alimentar, tendem a absorver os nutrientes e compostos dos níveis tróficos abaixo.

Então, em um ambiente poluído por algum composto ou metal pesado, todos os animais acabam se contaminando, mas a maior taxa de contaminação está nos últimos consumidores, pois além de ficarem expostos à biocontaminação como os demais organismos, eles absorvem os contaminantes ao se alimentarem dos outros organismos.

Fisiologia dos Carnívoros

Os carnívoros não dependem de grande quantidade de alimento diário como os herbívoros. Isto porque na carne é encontrada a maior parte dos compostos orgânicos necessários para as atividades metabólicas. Na carne estão presentes proteínas e aminoácidos, além de gorduras, que são classificadas como lipídios e uma concentração mínima de sais minerais.

Dessa forma, os animais carnívoros não necessitam de uma grande quantidade diária de alimento e sua digestão tende a ser mais rápida, possuindo assim um intestino mais curto.

Há algumas exceções como as jibóias que conseguem engolir um animal inteiro como capivaras e bezerros, mas após engolir essa quantidade exagerada de carne, ela chega a ficar até três meses imóvel para que a digestão seja finalizada.

Os animais carnívoros, principalmente os cordados, contam com um aparato corporal que garante a captura e digestão dos alimentos de origem animal, esse aparato é conhecido como aparato carniceiro e confere vantagem na obtenção de alimento por esses animais.

Leões se alimentando de um búfalo.

A principal característica dos mamíferos carnívoros é com relação à dentição. Os carnívoros possuem dentes fortes e afiados que se assemelham a lâminas, com caninos curvados para dentro, o que dificulta a presa de se soltar de uma mordida.

Os que não possuem dentes, como as aves, possuem um bico forte, grosso e afiado. Toda essa estrutura é adaptada para agarrar, rasgar e mastigar a carne. Além disso, os carnívoros com dentes costumam apresentar a mandíbula alongada para frente, como nos lobos e cães, o que facilita na captura de animais.

Exemplo da dentição e da mandíbula saliente de um tigre.

Além da dentição, também podem possuir garras e membros articulados que facilitam a retirada de carne da presa. Os carnívoros não possuem enzimas digestivas na boca, iniciando a sua digestão apenas na cavidade gástrica (estômago), essa característica difere os carnívoros dos animais herbívoros, onde a digestão inicia-se na boca com enzimas que digerem proteínas e carboidratos como a ptialina (enzima que digere grãos e cereais).

Por possuírem elevada concentração de ácido clorídrico no estômago para a digestão eficiente da carne, os carnívoros possuem urina e saliva bastante ácidas.

Os carnívoros predadores também são dotados de funções adaptadas para a caça e captura de alimento, possuindo assim sentidos aguçados como audição e olfato que permitam notar outros animais a distância.

Alguns ainda possuem capacidade de ver no escuro, o que complementa outra característica dos carnívoros predadores, o hábito noturno. Podem ainda caçar sozinhos ou em bando, dependendo da presa e do ambiente em que se encontram (um animal grande como um elefante adulto, por exemplo, dificilmente será abatido por um único carnívoro).

Animais Carniceiros

Há ainda uma classe dentro dos carnívoros composta por animais que não caçam necessariamente a sua presa, aproveitando-se dos restos mortais de uma presa deixada por outro carnívoro. Esses animais são chamados de animais detritívoros ou carniceiros e são algumas vezes confundidos com os decompositores.

Hiena carregando uma carcaça de Gnu.

Os animais detritívoros se alimentam da carne deixada pelos consumidores, mas não renovam ou liberam os nutrientes absorvidos para os produtores. Dessa forma, são consumidores, mas podem assumir qualquer nível trófico dos consumidores, uma vez que conseguem se alimentar de qualquer resto de animais deixado por qualquer outro animal.

Dentre os animais carniceiros mais conhecidos, estão a hiena, o urubu e o abutre.

Abutre se alimentando da carne de um cachorro.


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2011)

Os personagens da figura estão representando uma situação hipotética de cadeia alimentar.

(Disponível em: http://www.cienciasgaspar.blogspot.com)

Suponha que, em cena anterior à apresentada, o homem tenha se alimentado de frutas e grãos que conseguiu coletar. Na hipótese de, nas próximas cenas, o tigre ser bem-sucedido e, posteriormente, servir de alimento aos abutres, tigre e abutres ocuparão, respectivamente, os níveis tróficos de

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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