Info Icon Ajuda Help Icon Ajuda
Biologia

Diabetes

William Yugue
Publicado por William Yugue
Última atualização: 22/11/2019

Introdução

O ou A diabetes, também chamada de diabetes mellitus é um grupo de doenças metabólicas caracterizado, principalmente, pela hiperglicemia, ou seja, pelos elevados níveis de glicose no sangue do indivíduo por um longo intervalo de tempo. Esse tipo de patologia pode ser ocasionado pela baixa ou nenhuma produção da insulina, hormônio responsável pelo transporte de glicose da corrente sanguínea para o interior celular.

O níveis adequados de açúcar no sangue é de 70 a 110 mg/dL (miligramas de glicose por 100 mL de sangue). Valores acima indicam a hiperglicemia, assim como valores abaixo indicam a hipoglicemia (níveis baixos de açúcar no sangue).

Em 2015, estimou-se que cerca de 415 milhões de pessoas possuísse diabetes, o que corresponde a 8,3% da população mundial adulta e com 90% dos casos sendo diabetes mellitus do tipo 2. No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, a doença atinge aproximadamente 6,9% da população brasileira (aproximadamente 13 milhões de pessoas) e projeções estimam que este número tende a aumentar, principalmente na população infantil e jovem.

Circulo azul, símbolo mundial da diabetes. 

Causas 

Como a diabetes forma um conjunto de doenças que tem como característica principal a hiperglicemia, não há uma causa única que relaciona todos os seus tipos. No caso da diabetes do tipo 1, por ser uma doença autoimune, os fatores que desencadeiam a doença não são muito claros, embora estudos indicam a associação entre fatores genéticos (histórico familiar) e ambientais, como traumas etc.

No caso da diabetes mellitus do tipo 2, embora também exista um fator genético, o estilo de vida e a alimentação são os principais fatores de risco para o aparecimento da doença. hipertensão, colesterol HDL baixo e alguns casos de obesidade também podem favorecer o aparecimento da doença. 

A diabetes gestacional pode ocorrer devido às alterações hormonais durante a gestação e, quando tratada, tende a desaparecer após o nascimento da criança. No caso raro da diabetes insípida, o problema está relacionado com a deficiência do hormônio antidiurético ou pela insensibilidade dos rins por esse hormônios.

Sintomas e fatores de risco  

Os sintomas mais comuns da diabetes são: 

  • poliúria (aumento do volume e, consequentemente, da vontade de urinar);
  • polidipsia (aumento da sede);
  • polifagia (aumento da fome). 

O diagnóstico pode se feito através do teste hiperglicêmico, onde é recolhido do paciente, em jejum de 8 horas, sangue para ser quantificado a quantidade de glicose presente, depois o paciente ingere de 75 a 90 gramas de glicose e depois de duas horas é coletado novamente seu sangue. Se os níveis de glicose se mantiverem acima de 110 mg/dL, a diabetes é diagnosticada.

Outros sintomas também podem aparecer, como perda de peso (em alguns casos), visão turva, dificuldade de cicatrização e cetoacidose diabética (o metabolismo do organismo produz corpos cetônicos que são excretados deixando um cheiro de acetona no hálito e suor do indivíduo).

As principais complicações decorrentes da diabetes estão relacionadas com a elevada taxa de açúcar no sangue, o que pode alterar a conformação das proteínas através da glicosilação das mesmas, bem como reter água na corrente sanguínea, retirando-a do espaço intracelular.

A diabetes não tratada pode acarretar em cegueira, amputação de membros, trombose, coma diabético, além de problemas neurológicos, metabólicos e renais.

Com relação aos fatores de risco, a diabetes é frequentemente diagnosticada em pacientes acima de 45 anos, em alguns casos de obesidade (pacientes com peso 120% acima do peso ideal), histórico familiar, hipertensão, nível de colesterol HDL baixo e pacientes com alimentação não equilibrada (principalmente com elevado consumo de carboidratos) e que não pratiquem exercícios físicos regularmente.

Metabolismo da glicose  

A glicose é o principal carboidrato utilizado pelo organismo para geração de energia através do processo de Respiração Celular. Para isso, a mesma deve ser consumida na alimentação, geralmente através da ingestão de carboidratos como arroz, batata, mandioca etc.

Uma vez dentro do organismo, a glicose isolada na digestão é transportada através da corrente sanguínea até as células que precisam gerar energia. A glicose é, então, absorvida por estas células e, no interior celular, é quebrada para a síntese de ATP. Pode, ainda, em alguns casos, ser armazenada na forma de amido, nos vegetais, ou de glicogênio, nos animais e fungos

Para promover a absorção da glicose pelas células, um hormônio muito importante atua: a insulina.

Estrutura da Insulina. 

A insulina é sintetizada no pâncreas pelas células beta-pancreáticas e sua atuação é na regulação da glicemia: Ela se liga nos receptores de insulina presentes nas células e permite a entrada de glicose no espaço intracelular.

Após a alimentação, ou na quebra do glicogênio, a glicose é liberada pelo fígado na corrente sanguínea, aumentando seu nível e estimulando a produção e liberação de insulina pelas células beta-pancreáticas. A insulina irá, então, permitir a entrada de glicose nas células, seja para ser quebrada e gerar ATP, ou para ser armazenada na forma de glicogênio, o que diminui a concentração de glicose na corrente sanguínea 

A título de curiosidade, outro hormônio também atua no metabolismo da glicose, mas este é um antagonista da insulina. O glucagon é produzido e liberado apenas em baixos níveis de glicose no organismo (abaixo de 70,0 mg/dL) e, além de estimular o fígado a quebrar o glicogênio para liberar glicose, também inibe a ação da insulina. Apenas quando os níveis de glicose estão aceitáveis ou altos é que o glucagon é inibido e a produção de insulina começa.

Esquema do metabolismo da glicose com atuação da insulina e do glucagon.

Dessa forma, baixa ou nenhuma concentração de insulina não é o bastante para permitir toda a entrada necessária de glicose nas células, mantendo a glicose na corrente sanguínea e desencadeando os sintomas da diabetes.

Classificação 

O termo diabetes, embora esteja geralmente relacionado com a diabetes mellitus, também pode abranger outras patologias e condições raras que, por apresentarem sintomas semelhantes, acabam sendo consideradas diabetes. Os quatro principais tipos de diabetes estão relacionadas à deficiência de insulina (mellitus tipo 1 e tipo 2) ou à condição que se encontra paciente (gestacional ou insípida).

Diabetes mellitus tipo 1

Considerada uma doença autoimune, na qual as células beta-pancreáticas responsáveis pela produção de insulina são destruídas. Em outras palavras, o próprio organismo, por algum motivo desconhecido, mas geralmente associado a consequências de outras doenças ou fatores genéticos e ambientais, acaba destruindo as próprias células beta-pancreáticas.

Neste caso, o estilo de vida ou a alimentação não é um fator de risco determinante. Este tipo de diabetes acomete cerca de 5 a 10% dos casos totais e é mais comum em jovens e crianças, por isso também é chamada de diabetes infantil ou, ainda, de diabetes insulino-dependente.

A característica principal desse tipo de doença é a hiperglicemia acarretada pela pouca produção de insulina devido à destruição das células beta-pancreáticas por fatores autoimunes. O tratamento, como o nome insulino-dependente já sugere, é através de aplicações de insulina no tecido subcutâneo (geralmente na barriga).

Diabetes mellitus tipo 2

Neste tipo de diabetes, o elevado nível de glicose no sangue não é decorrente de uma falta ou da destruição das células beta-pancreáticas que produzem a insulina. O organismo apresenta resistência a ação da insulina, podendo ser oriunda de fatores genéticos, mas principalmente de fatores ambientais, como estilo de vida sedentário e alimentação não equilibrada.

A diabetes mellitus tipo 2 é mais comum em alguns casos de obesidade e em pacientes hipertensos. A insulina produzida pode não apresentar função neste organismo devido a alterações quando em contato com a gordura armazenada no corpo, ou devido a mutações nos genes responsáveis pela codificação da insulina.

A principal característica da diabetes mellitus do tipo 2 é a hiperglicemia, mas esta condição não é acarretada pela falta de insulina no organismo, e sim pela sua ausência de atuação. Por isso, esses pacientes geralmente não são insulino-dependentes (não precisam de reposição de insulina).

Diabetes gestacional

Condição em que o organismo passa a apresentar diabetes durante a gestação, geralmente manifestando poucos sintomas além da hiperglicemia. Em alguns casos, contudo, a diabetes gestacional pode culminar em complicações durante a gestação, como necessidade de cesárea, além de depressão e risco de macrossomia (excesso de peso do recém nascido) e icterícia (pele amarelada ou até esverdeada). 

Muitas pessoas conseguem controlar a diabetes gestacional por meio da prática de exercícios físicos e do consumo de uma dieta com baixos teores de açúcar. A diabetes gestacional tende a desaparecer após o parto.

Diabetes insípida

Tipo raro de doença que apresenta todos os sintomas de diabetes, mas que não é ocasionada pela hiperglicemia, e sim pela falta ou ineficiência do hormônio antidiurético, também chamado de vasopressina, sintetizado pelos rins. 

Tratamento 

Após o diagnóstico, o tratamento vai depender do tipo de diabetes apresentado. Em todos os casos, contudo, os pacientes que fazem tratamento adequado tendem a conseguir viver normalmente e apresentar estilo de vida saudável e comum.

No caso de diabetes mellitus do tipo 1, por ser insulino-dependente, os pacientes costumam fazer uso de insulina exógena administrada de forma oral ou subcutânea (semelhante a injeção). Antigamente, a insulina era extraída do porco, pois é bem estruturalmente semelhante à insulina humana, e então medicada. Atualmente, com o avanço da biotecnologia, a insulina é produzida em laboratório através de engenharia genética e técnica do DNA recombinante.

Outra técnica que vem sendo utilizada é o transplante de células beta pancreáticas para pacientes que não possuem essas células em quantidade adequada.

Para diabetes mellitus do tipo 2, a insulina, mesmo exógena, não é a primeira forma de tratamento (sendo utilizada apenas em alguns casos específicos). Neste tipo específico, o controle da alimentação equilibrada, bem como exercícios físicos regulares são formas de controlar os níveis de glicose no sangue. Quando necessário o uso de medicamentos, é geralmente ministrada a metformina para esses pacientes.

Fórmula estrutural da Metformina.

Além disso, estudos recentes apontam que a cirurgia bariátrica (redução de estômago) para pacientes obesos e diabéticos não insulino-dependentes ajuda no controle da hiperglicemia.

A diabetes gestacional é tratada geralmente com dieta equilibrada e exercícios regulares. Em alguns casos, porém, o uso de insulina pode ser necessário.

No caso da diabetes insípida, o tratamento envolve um análogo sintético do hormônio antidiurético, chamado de desmopressina.


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2012)

A condição física apresentada pelo personagem da tirinha é um fator de risco que pode desencadear doenças como

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

Inscreva-se abaixo e receba novidades sobre o Enem, Sisu, Prouni e Fies:

Carregando...