
Como a Febre do Nilo Ocidental pode cair no Enem?
| 25/08/26Febre do Nilo Ocidental pode cair no Enem 2026? Veja como a doença pode ser cobrada e quais conceitos de Biologia revisar para a prova.
Nunca se falou tanto sobre saúde mental. E não é à toa. Os dados são alarmantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou a depressão como o “mal do século XXI”.

Neste tema, o Brasil lidera rankings e tem números nada orgulhosos, veja alguns dados da OMS e do Ministério da Saúde:
O Brasil tem a maior taxa de pessoas com depressão na América Latina. São cerca de 12 milhões de brasileiros (5,8% da população) sofrendo de depressão. Estima-se que entre 20% e 25% da população brasileira teve, tem ou terá a doença.
No mundo, o Brasil é o país com o maior número de pessoas que sofrem com ansiedade, 9,3% da população – incluindo ataque de pânico, fobia, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e estresse pós-traumático.
O estilo de vida da sociedade contemporânea tem uma parcela de culpa nesses dados. O uso excessivo da tecnologia, o individualismo, a busca pela felicidade, incertezas, instabilidades, discursos meritocráticos, a competição econômica, cobranças por sucesso, padrões de beleza, consumismo, trabalho precários, entre outros, levam muitas pessoas à depressão e ansiedade.

Essas são algumas das características da chamada Modernidade Líquida, conceito criado pelo sociólogo Zygmunt Bauman para definir as relações sociais na pós-modernidade – na qual se tem mais liberdades, mudanças constantes e imprevisibilidade.
No entanto, Bauman afirma que toda essa liberdade não garante, automaticamente, felicidade e satisfação. Pois as consequências das ações recaem diretamente sobre os indivíduos e toda essa pressão e instabilidade colaboram para a sensação de mal-estar, solidão e fracasso crescente nas sociedades.
Ter saúde não significa somente ausência de doenças. Para ter saúde, é preciso se ter um completo bem-estar físico, mental e social. De acordo com a OMS, a saúde mental é definida como “um estado de bem-estar no qual o indivíduo é capaz de usar suas próprias habilidades, recuperar-se do estresse rotineiro, ser produtivo e contribuir com a sua comunidade”.

Vários fatores sociais, econômicos, culturais, políticos e ambientais podem abalar a saúde mental dos indivíduos e os levar a desenvolver distúrbios ou doenças mentais, como predisposição genética, mudanças sociais bruscas, estilo de vida não saudável, condições de trabalho estressantes, discriminação de todos os tipos, exclusão social, violência e violação dos direitos humanos,.
Entre as doenças mentais mais conhecidas, estão: ansiedade, depressão, esquizofrenia, transtornos alimentares, estresse pós-traumático, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), autismo, demência e TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade).
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Desde a Idade Média, a loucura – ou qualquer manifestação de transtornos mentais – era encarada como uma heresia pela Igreja Católica. Na Idade Moderna, com o Renascimento e exaltação da razão humana, a figura do louco se torna uma ameaça. Os considerados loucos eram expulsos das cidades, colocados em navios – o nau dos loucos -, lançados ao mar ou despejados em outros lugares.
Vistos como uma ameaça à ordem da sociedade, os loucos, assim como outras pessoas que não se encaixavam no padrão social, eram excluídos da sociedade e, muitas vezes, presos.

A partir do século XVII e XVIII, a psiquiatria considerou a loucura como uma doença que poderia ser tratada e curada. Então, locais que antes serviam para excluir os leprosos da sociedade, deram lugar aos hospícios, hospitais psiquiátricos e manicômios, onde se internava os considerados loucos. No Brasil, o primeiro hospício foi inaugurado em 1852 por um decreto do imperador D. Pedro II, o intitulado o Hospício de Pedro II.

Mas, não pense que os manicômios confinavam somente as pessoas com transtornos mentais. Pessoas pobres, prostitutas, órfãos, mendigos, alcoólatras, homossexuais, opositores políticos, mulheres adúlteras, mães solteiras e outras pessoas indesejadas na sociedade eram isoladas, presas e abandonadas nesses hospitais em condições subumanas.
O maior exemplo da negligência e péssima condições dos manicômios é o Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais. Lá, milhares de pessoas marginalizadas de todo o Brasil chegavam nos chamados “trem de doido” – cerca de 70% delas não apresentavam nenhum problema psiquiátrico.
Na colônia, os pacientes viviam em condições subumanas, eram forçados a trabalhar e submetidos a diversas formas de violações, violência e tortura, como camisa de força, eletrochoque e lobotomia, que muitas vezes os levavam à morte. Estima-se que entre 1960 e 1970, 60 mil pessoas tenham morrido no Hospital Colônia.

Em visita ao hospital, o psiquiatra italiano Franco Basaglia – pioneiro na reforma psiquiátrica na Itália – comparou a instituição a um campo de concentração nazista. O hospital foi fechado na década de 1980 e deu lugar ao Museu da Loucura. A história dessa tragédia foi relatada no livro “Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex.
No século XX, o número de hospitais psiquiátricos aumentou e suas condições subumanas pioraram. Foi quando começaram a surgir os primeiros movimentos das chamadas Reforma Psiquiátrica e Luta Antimanicomial pelos direitos das pessoas com doenças mentais, exigindo melhores condições e tratamentos alternativos e humanizados.

No Brasil, a Luta Antimanicomial se destacou em 1970 e a imprensa começou a denunciar a realidade dos hospícios. Na década de 1990, foi criada uma rede de atenção à saúde mental dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), composta por Centros de atenção Psicossocial (CAPS), centros de convivência, ambulatórios de saúde mental, hospitais e residências terapêuticas.
Hoje, diversos transtornos mentais são conhecidos e podem ser tratados com medicamentos e psicoterapia. Entretanto, ainda há muito preconceito e tabu quando o assunto é saúde mental e violações contra doentes mentais.
Muitas pessoas pensam que psicoterapia é “coisa de louco” ou que depressão é frescura, preguiça, falta de religião ou de vontade. Mas, essas crenças não são verdades. A discriminação contribui para a falta de diagnóstico e tratamento correto para essas doenças e um maior adoecimento das pessoas.

A melhor forma de combater o preconceito é se informar, se conscientizar e debater sobre o assunto. Para isso, existem o Dia Mundial da Saúde Mental, comemorado em 10 de outubro, o Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio no Brasil, e o Janeiro Branco, mês de conscientização sobre a importância da saúde mental.
A forma de lidar com as emoções do dia a dia, como alegria, raiva ou raiva, diz muito sobre a saúde mental de uma pessoa. Praticar hábitos saudáveis e ter qualidade de vida ajudam a equilibrar as emoções e manter a saúde mental. O Ministério da Saúde dá algumas recomendações para ter uma boa saúde mental:
Jamais se isole;
Consulte o médico regularmente;
Faça o tratamento terapêutico adequado;
Mantenha o físico e o intelectual ativos;
Pratique atividades físicas;
Tenha alimentação saudável;
Reforce os laços familiares e de amizades.
Caso você não esteja se sentindo emocionalmente bem e queira conversar ou só ser ouvido, entre em contato com o Centro de Valorização à Vida (CVV) pelo telefone 188 ou pelo site www.cvv.org.br. O atendimento é gratuito, sigiloso e funciona 24 horas por dia.
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O próprio Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é uma prova que mexe com o emocional de muito estudantes. Além de buscar manter sua saúde mental, os candidatos também podem se preparar pois saúde mental é um possível tema de redação no Enem.
“Esse assunto pode ser tratado principalmente porque há uma discussão na mídia, em séries e também no ambiente escolar a respeito do tema. Além disso, temos um número considerável de jovens que tem desenvolvido depressão, ansiedade e muitos outros problemas”, explica o professor de Redação Marcelo Batista, do canal do Youtube Aprendi com o Papai.
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O professor imagina que a proposta de redação aborde um recorte do tema, como a questão da ansiedade, depressão e suicídio. Na redação, a dica do professor é problematizar a falta de acesso à saúde mental no Brasil, principalmente na rede pública. “Apesar de a Constituição brasileira garantir o acesso à saúde, a impressão é que somente a saúde física é priorizada. Infelizmente as questões que envolvem a saúde mental acabam ficando em segundo plano”, completa.
Neste vídeo, o professor Marcelo elenca vários argumentos e propostas de intervenção que podem ser usadas na redação. Confira:
Para criar repertório sobre o assunto, veja também uma lista de livros, filmes e séries que falam sobre saúde mental:
Modernidade Líquida – Zygmunt Bauman (1999);
Amor Líquido: Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos – Zygmunt Bauman (2000);
Sociedade do Cansaço – Byung-chul Han (2010);
O Demônio do Meio-Dia – Andrew Solomon (2001);
Obras da 2ª Geração do Romantismo, como Lira dos vinte anos e Macário, de Álvares de Azevedo, As primaveras, de Casimiro de Abreu.
O Lado Bom da Vida (2012);
Coringa (2019);
Nise: O Coração da Loucura (2016);
Cisne Negro (2010);
Clube da Luta (1999);
Divertida Mente (2015);
Holocausto Brasileiro (2016)
13 Reasons Why (2017)
Atypical (2017)
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