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Literatura

Futurismo

Laisa Ribeiro
Publicado por Laisa Ribeiro
Última atualização: 21/8/2018

Introdução

Quando você pensa no futuro, você deve imaginar os robôs tomando conta da sociedade ou algo bem no estilo de um dos episódios de “Black Mirror”, certo?

No início do século XX, o automóvel e o avião tinham acabado de surgir, a indústria e suas máquinas eram o maior sinal de modernidade e esses ficaram conhecidas como os símbolos do futuro, que foram cultuados no futurismo!

O que é o futurismo?

O futurismo foi um movimento artístico que surgiu durante o advento das vanguardas europeias no século XX. Como toda vanguarda, ela queria romper com as tradições do passado e criar novas. Ela antecipou vários padrões estéticos que seriam usados no futuro.

Sua ideia principal era um culto ao futuro. Todos os elementos que indicassem modernidade e progressos eram usadas nas obras de arte.

Naquela época, o advento da eletricidade fez com que muitas obras futuristas usassem essa temática. Veja esse quadro de Giacomo Balla, por exemplo:

Street Light (1909) by Giacomo Bella. Artist, Giacomo Balla.Street Light (1909) by Giacomo Bella. Artist, Giacomo Balla.

O culto à velocidade

Com o surgimento de automóveis e aviões, o ser humano entrava em contato com um dinamismo e uma velocidade nunca vista antes.

Por esse motivo, eles fizeram questão de colocar em suas obras essa impressão de que tudo se movimentava com uma velocidade muito grande, indicando como o futuro seria veloz em relação à lentidão do passado.

A destruição do passado

Passado” era uma palavra proibida para os futuristas. Eles queriam a destruição de qualquer símbolo ou memória que remetesse a um tempo anterior e que não revelassem uma adoração ao futuro.

Por isso, eles valorizavam em demasia a violência e a guerra. Eles queriam destruir o passado com suas próprias mãos.

Toda essa violência era direcionada para o público também. Eles acreditavam que o público deveria reagir a essa violência.

O futurismo pedia por uma abordagem mais violenta, agressiva e provocadora, para provocar uma reação no público. Só a violência faria as pessoas reagirem. Assim, a recepção das obras passou a ser mais dinâmica e interativa.

Todavia, essa violência também tem um lado negativo: com o advento do fascismo e da ditadura de Mussolini, que também glorificava a violência e a guerra, o futurismo foi escolhido como o movimento artístico porta-voz de tais governos autoritários e agressivos.

Artistas do movimento

Os grandes nomes dessa vanguarda foram Giacomo Balla, Umberto Boccioni, Luigi Russolo, Enrico Prampolini, Nikolay Diulgheroff, Carlo Carrá e Fortunato Depero.

Quadro Mulher no balcão, Carlo Carrá.Quadro Mulher no balcão, Carlo Carrá

Literatura futurista

O futurismo surge com o lançamento de seu manifesto. O Manifesto Futurista foi escrito pelo poeta Fillippo Tommaso Marinetti, que lançou mais de 30 manifestos durante a sua vida. Leia na íntegra o documento que deixa bem claro o desejo por perigo e destruição dos futuristas:

Nós queremos cantar o amor ao perigo, o hábito da energia e do destemor.

A coragem, a audácia, a rebelião serão elementos essenciais de nossa poesia.

A literatura exaltou até hoje a imobilidade pensativa, o êxtase, o sono. Nós queremos exaltar o movimento agressivo, a insônia febril, o passo de corrida, o salto mortal, o bofetão e o soco.

Nós afirmamos que a magnificência do mundo enriqueceu-se de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um automóvel de corrida com seu cofre enfeitado com tubos grossos, semelhantes a serpentes de hálito explosivo... um automóvel rugidor, que correr sobre a metralha, é mais bonito que a Vitória de Samotrácia.

Nós queremos entoar hinos ao homem que segura o volante, cuja haste ideal atravessa a Terra, lançada também numa corrida sobre o circuito da sua órbita.

É preciso que o poeta prodigalize com ardor, fausto e munificiência, para aumentar o entusiástico fervor dos elementos primordiais.

Não há mais beleza, a não ser na luta. Nenhuma obra que não tenha um caráter agressivo pode ser uma obra-prima. A poesia deve ser concebida como um violento assalto contra as forças desconhecidas, para obrigá-las a prostrar-se diante do homem.

Nós estamos no promontório extremo dos séculos!... Por que haveríamos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o

Espaço morreram ontem. Nós já estamos vivendo no absoluto, pois já criamos a eterna velocidade onipresente.

Nós queremos glorificar a guerra - única higiene do mundo - o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos libertários, as belas ideias pelas quais se morre e o desprezo pela mulher.

Nós queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academias de toda natureza, e combater o moralismo, o feminismo e toda vileza oportunista e utilitária.

Nós cantaremos as grandes multidões agitadas pelo trabalho, pelo prazer ou pela sublevação; cantaremos as marés multicores e polifônicas das revoluções nas capitais modernas; cantaremos o vibrante fervor noturno dos arsenais e dos estaleiros incendiados por violentas luas elétricas; as estações esganadas, devoradoras de serpentes que fumam; as oficinas penduradas às nuvens pelos fios contorcidos de suas fumaças; as pontes, semelhantes a ginastas gigantes que cavalgam os rios, faiscantes ao sol com um luzir de facas; os piróscafos aventurosos que farejam o horizonte, as locomotivas de largo peito, que pateiam sobre os trilhos, como enormes cavalos de aço enleados de carros; e o voo rasante dos aviões, cuja hélice freme ao vento, como uma bandeira, e parece aplaudir como uma multidão entusiasta.

É da Itália, que nós lançamos pelo mundo este nosso manifesto de violência arrebatadora e incendiária, com o qual fundamos hoje o "futurismo", porque queremos libertar este país de sua fétida gangrena de professores, de arqueólogos, de cicerones e de antiquários. Já é tempo de a Itália deixar de ser um mercado de belchiores. Nós queremos libertá-la dos inúmeros museus que a cobrem toda de inúmeros cemitérios.

Características literárias

Marinetti recomendava que os textos destruíssem a sintaxe. Substantivos deveriam surgir ao acaso. Os verbos deveriam ser usados no indicativo para que o próprio leitor construísse o sentido da frase. Pontuação, adjetivos e advérbios estavam proibidos. A literatura não podia, segundo ele, continuar a exaltar a imobilidade pensativa.

Veja o exemplo do heterônimo Álvares de Campo, de Fernando Pessoa, que teve uma fase futurista e usa uma característica marcante do futurismo – a onomatopeia:

À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica

Tenho febre e escrevo.

Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,

Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos,

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r-r eterno!

Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!

No Brasil, Anita Malfatti e Oswald de Andrade foram fortemente influenciados pelo futurismo, o que pode ser visto na Semana de Arte Moderna, realizada em 1922.

O futurismo mostra o anseio de um povo pelo futuro diante de uma sociedade que mudava com rapidez e, a cada dia, conhecia novos meios de transportes e novas formas de encarar a vida.

O culto pela velocidade, pelos automóveis, pelas máquinas mostra como o ser humano pode sair da esfera razão versus emoção e se inspirar na tecnologia e na ciência de um período.

Quer sentir esse clima futurista que eles sentiam no começo do século XX? Assista ao filme mudo Metrópolis (1927) em que uma mulher é transformada em um robô!


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2017)

E venham, então, os alegres incendiários de dedos carbonizados! Vamos! Ateiem fogo às estantes das bibliotecas! Desviem o curso dos canais, para inundar os museus! Empunhem as picaretas, os machados, os martelos e deitem abaixo sem piedade as cidades veneradas

(MARINETT, F.T. Manifesto futurista. Disponível em www.sba.com.br. Acesso em 2/ago/2012. Adaptado)

Que princípio marcante do Futurismo e comum a várias correntes artísticas e culturais das primeiras três décadas do Século XX está destacado no texto?

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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