Índice
Introdução
Quando se pensa em Semana de Arte Moderna e modernismo, logo se pensa em Oswald de Andrade, afinal, ele teve um papel importante de liderança nesses marcos da história brasileira. Vem com a gente conhecer um pouco mais da história do homem que escreveu os dois manifestos mais famosos do nosso país!
Principais conclusões
- Oswald de Andrade foi escritor paulista, poeta, dramaturgo e líder da primeira fase do modernismo brasileiro; formado em Direito e jornalista, escreveu os manifestos Pau-Brasil e Antropofágico e organizou a Semana de Arte Moderna de 1922.
- Seus manifestos funcionavam como programas estéticos: Pau-Brasil defendia poesia-exportação valorizando elementos nacionais; Antropofágico propunha "devorar" influências estrangeiras para reinventá-las, aplicando linguagem coloquial, humor e técnicas vanguardistas.
- Inseriu-se nas vanguardas europeias e liderou o modernismo no Brasil; organizou a Semana de Arte Moderna (1922), produziu teatro, prosa e poesia, escreveu Serafim Ponte Grande (1933), casou-se com Pagu e foi militante comunista entre 1931 e 1945.
- No ENEM, destaque a metáfora antropofágica e a ruptura com a linguagem culta; evite confundir com Mário de Andrade, relacione literatura a artes plásticas, história e crítica social, e atente para os manifestos como programas estéticos e políticos.
- Sua proposta de "antropofagia" legitima a apropriação criativa de influências e moldou debates sobre identidade cultural; hoje sua obra subsidia análises de literatura, teatro e crítica social e questiona a formação e hipocrisia das elites.
Quem foi Oswald de Andrade?
Ele foi um escritor paulista da primeira fase do modernismo brasileiro. Além disso, tinha formação em Direito e era jornalista.
Em suas viagens para a Europa entrou em contato com as vanguardas europeias e trouxe essa influência para o movimento artístico modernista.
Ao lado de nomes como Mário de Andrade e Tarsila do Amaral – com quem se casou –, idealizou e organizou a Semana de Arte Moderna, em 1922. Evento que ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo e chocou a elite burguesa com a arte moderna que surgia naquela época.
Em 1929, após se separar de Tarsila do Amaral e cortar relações com o amigo Mário de Andrade, ele se casa com a militante comunista e também escritora, Patrícia Galvão, também conhecida como Pagu. Do período de 1931 até 1945, Oswald de Andrade foi militante do Partido Comunista.
Manifestos
Oswald de Andrade foi o responsável por colocar todas as ideias do modernismo brasileiro no papel. O resultado foi a criação de dois manifestos muito importantes: o Manifesto Pau-Brasil e o Manifesto Antropofágico.
No Manifesto Pau-Brasil é possível encontrar as ideias de que a poesia nacional deveria ser um produto de exportação, assim como o pau-brasil fora para o Brasil colonial.
Dessa forma, a poesia deveria ser essencialmente brasileira, com muitos elementos nacionais e uma valorização da cultura.
O Manifesto Antropofágico, por sua vez, aproveita-se da palavra “antropofagia” – que significa se alimentar das partes de outro ser humano –, para criar uma metáfora de como a arte brasileira deveria lidar com a arte de outros lugares.
Para Oswald de Andrade, a cultura nacional deveria focar em seus próprios elementos, mas não deveria se isolar. A arte brasileira deveria se valorizar, mas também assimilar o que havia de bom nas culturas estrangeiras – a europeia, principalmente –, e trazer essas características alheias para si, como se estivessem se alimentando delas.
Serafim Ponte Grande
Serafim Ponte Grande é um romance escrito em 1933 e tipicamente modernista: seus capítulos são curtos e ágeis, a linguagem é coloquial e São Paulo, centro urbano brasileiro, é abordada com muitos detalhes.
O romance conta a história de Serafim, um moço que vive em São Paulo e viaja pelo mundo. Apesar de ser burguês, ele critica a hipocrisia de sua classe e se torna um personagem angustiado, também hipócrita e decepcionado com a vida.
O livro faz diversas críticas à sociedade paulistana da época, principalmente à elite.
O Rei da vela
A participação de Oswald de Andrade no mundo do teatro foi grande. Peças como O homem e o cavalo e A morta ficaram muito conhecidas na década de 1930.
Sua peça mais famosa foi O rei da vela, que, apesar de ter sido escrita em 1929, só foi levada aos palcos entre 1967 a 1968, em plena ditadura militar. A obra gerou muita repercussão, uma vez que o autor critica a sociedade vorazmente na peça. Os personagens, membros de uma aristocracia rural e da burguesia, são seres decadentes e imorais.
Poesia
O trabalho de Oswald de Andrade enquanto poeta também é notável. Ele soube como trabalhar as influências das vanguardas europeias – como o cubismo, por exemplo – dentro de suas poesias.
Suas poesias normalmente tem um senso de humor aguçado e um tom cômico.
O modernismo queria falar de um jeito mais coloquial, mais próximo do cotidiano dos indivíduos. Logo, o movimento literário rejeitava qualquer tipo de norma ou forma culta da escrita, como o uso de pontuações. Veja o exemplo no poema a seguir:
Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
Conclusão
Oswald de Andrade tem uma obra vasta abrangendo manifestos, prosa, dramaturgia e poesia. Sua importância foi vital na construção do modernismo brasileiro e, para entender esse movimento, é essencial entender a obra do autor.
Exercício de fixação
Exercícios sobre Oswald de Andrade para vestibular
Enem/2013
O poema de Oswald de Andrade remonta à ideia de que a brasilidade está relacionada ao futebol. Quanto à questão da identidade nacional, as anotações em torno dos versos constituem: