GestãoNegócios e Empreendedorismo

Por que a execução de projetos falha e o que fazer diferente



Em resumo:

  • Planejamento não garante execução: um cronograma precisa ser atualizado e comparado com o que acontece na prática.
  • Ritmo e cadência reduzem atrasos não identificados: reuniões, indicadores, registros e decisões regulares ajudam a identificar desvios.
  • PMO e liderança têm papel no acompanhamento: o monitoramento precisa fazer parte da rotina de gestão, com participação do gerente de projetos e do patrocinador.

Veja mais informações a seguir!

+ Clique aqui para acessar gratuitamente podcast, newsletter e materiais para download do Mario Trentim

Mario H. Trentim apresenta palestra sobre PMO diante de um slide durante evento de gestão de projetos.
Acervo Pessoal / Mário Trentim

A maioria dos projetos não falha durante o planejamento. O problema aparece na execução de projetos, quando o plano precisa ser acompanhado, atualizado e adaptado ao que acontece na prática.

O projeto começa com responsabilidades definidas, cronograma estruturado e equipe mobilizada. Com o passar das semanas, porém, o ritmo pode diminuir. Reuniões de acompanhamento deixam de acontecer, pequenos desvios não são registrados e o cronograma deixa de representar a situação real.

Quando a entrega se aproxima, a equipe pode descobrir que o projeto está atrasado há meses e que os sinais desse atraso não foram comunicados.

Teste vocacional

Qual carreira combina com o seu perfil?

Responda as perguntas e descubra o curso certo e as bolsas ideais para você!

O PMI Pulse of the Profession 2026 aponta que 31% dos projetos complexos não atingem os benefícios pretendidos, proporção que dobrou em relação aos 12% registrados em 2024.

O relatório também indica que 80% dos projetos complexos sofrem impacto negativo quando a complexidade não é gerenciada de forma ativa.

Para Mario Trentim, membro do Board of Directors do PMI 2025–2027, autor de 13 livros e professor de 465 mil alunos no LinkedIn Learning, uma das causas desse cenário está na ausência de ritmo, cadência e acompanhamento sistemático da execução de projetos.

+ Vieses cognitivos em projetos: como afetam a gestão e a tomada de decisão

O mito do plano que se executa sozinho

Existe uma ideia recorrente nas organizações: se o plano está pronto, o projeto vai acontecer. A equipe foi alocada, o cronograma foi elaborado e o kickoff foi realizado. A partir daí, caberia ao processo seguir seu curso.

Não funciona assim.

Um plano é uma intenção documentada. Para que essa intenção se transforme em resultado, é necessário monitoramento e controle. Isso envolve reuniões de acompanhamento, atualização do cronograma, registro de desvios e decisões sobre correções de rota.

Sem esses mecanismos, o plano envelhece e a execução de projetos começa a se distanciar da realidade.

Mario Trentim resume esse problema ao apontar que muitas pessoas esperam que o plano saia do papel e seja executado sozinho. O projeto, porém, encontra obstáculos, desvios e erros. Por isso, o plano precisa ser tratado como um documento vivo e atualizado formalmente.

A diferença entre um plano estático e um plano vivo está na forma como cada um incorpora os dados da execução. O plano vivo considera informações como:

  • progresso realizado;
  • variações de custo;
  • riscos que se materializaram;
  • mudanças de escopo aprovadas;
  • comparação entre o planejado e o realizado.

A atualização permite que o documento continue representando o estado real do projeto.

+ Por que sua empresa sabe o que fazer, mas não consegue executar a estratégia

Ritmo e cadência na execução de projetos

Se existe um elemento que interfere diretamente na execução de projetos, ele é a regularidade do monitoramento.

Ritmo significa estabelecer uma rotina para acompanhar o projeto. Isso pode envolver:

  • reuniões semanais com pauta definida;
  • atualização do cronograma em data estabelecida;
  • relatório de status em formato padronizado;
  • registro e acompanhamento de riscos;
  • escalada de problemas dentro de prazos conhecidos;
  • definição de responsáveis e prazos para as decisões.

Essas práticas não dependem necessariamente de ferramentas complexas. O ponto central é a consistência.

A cadência permite identificar problemas enquanto ainda existe tempo para agir. Um risco identificado e não acompanhado pode se transformar em um problema maior algumas semanas depois. Da mesma forma, um pequeno desvio no cronograma pode se transformar em um atraso relevante quando não há correção.

O Standish Group documentou esse padrão ao longo de décadas no CHAOS Report. Segundo o material analisado, projetos grandes apresentam taxa de sucesso inferior a 10%.

A relação entre tamanho do projeto e dificuldade de execução também está associada à capacidade de manter uma rotina de monitoramento compatível com a escala do trabalho.

O PMI Pulse 2026 aponta ainda que organizações com PMO estruturado apresentam taxa de sucesso de 63%, contra 57% entre organizações sem PMO.

Nesse contexto, o papel do PMO está relacionado à criação de uma rotina institucional de monitoramento e acompanhamento.

Empresas aprovam 2,6 vezes mais projetos do que conseguem entregar; entenda o porquê

O plano como documento vivo

Atualizar o plano formalmente não precisa ser entendido como burocracia. A atualização é uma forma de manter a equipe e os stakeholders informados sobre o estado do projeto.

Na prática, isso significa estabelecer:

  • frequência de atualização;
  • fonte dos dados utilizados;
  • sistema onde as informações serão registradas;
  • responsáveis pela atualização;
  • comparação entre planejado e realizado.

Em projetos de ciclo curto, a atualização pode ser semanal. Em projetos de ciclo mais longo, pode ocorrer quinzenalmente, desde que a frequência seja definida de acordo com as características do trabalho.

O comparativo entre planejado e realizado é parte importante desse processo. O progresso mostra o que aconteceu. O desvio indica onde pode ser necessária uma decisão.

Se um projeto está 15% acima do custo previsto no segundo mês de uma execução de seis meses, por exemplo, é necessário avaliar:

  1. O desvio pode ser recuperado?
  2. Em quanto tempo?
  3. Qual será o impacto no escopo caso o desvio permaneça?

Para Mario Trentim, obstáculos, desvios e erros fazem parte da execução de projetos em ambientes reais.

A questão está na capacidade de identificar o problema, registrar o desvio e tomar uma decisão antes que a situação se torne mais difícil de corrigir.

Enterprise agility não é Scrum em grande escala: por que essa confusão custa caro às empresas

Cinco erros comuns na execução de projetos

Alguns problemas aparecem com frequência na gestão de projetos. Entre eles estão:

1. Monitoramento esporádico ou inexistente

Reuniões de acompanhamento são canceladas, substituídas por mensagens de status ou realizadas sem pauta e sem registro das decisões.

Com isso, o gerente de projetos perde visibilidade sobre o andamento do trabalho.

2. Cronograma desatualizado

O cronograma passa a representar o que foi previsto no início, e não o que está acontecendo.

Quando decisões são tomadas com base em informações desatualizadas, aumenta o risco de que essas decisões não correspondam à situação real do projeto.

3. Riscos identificados e não gerenciados

A análise de riscos pode acontecer no início do projeto, mas o registro precisa continuar ativo durante a execução.

Cada risco deve ter acompanhamento, responsável, prazo de resposta e status. O risco que deixa de ser monitorado continua existindo e pode se materializar.

4. Falta de controle de escopo

Mudanças aceitas informalmente podem alterar prazo, custo e entregas.

Quando essas mudanças se acumulam sem análise de impacto, o projeto pode terminar fora do prazo ou acima do orçamento.

5. Comunicação insuficiente com stakeholders

A ausência de reclamações não significa necessariamente aprovação.

Stakeholders que não recebem informações regulares podem desenvolver expectativas diferentes daquilo que está sendo executado. Quando essa diferença aparece, a correção pode exigir mais tempo e recursos.

O PMI Pulse 2025 identificou que 18% dos profissionais apresentam alto nível de business acumen, definido como a capacidade de relacionar a execução de projetos aos resultados do negócio.

Esse conhecimento ajuda o gerente de projetos a definir o que precisa ser monitorado e quais desvios exigem prioridade.

Por que projetos falham? Flyvbjerg mostrou que menos de 1% entregam prazo, custo e benefícios

O que organizações fazem para melhorar a execução de projetos

Não existe uma fórmula única para executar projetos. Existem, porém, práticas que podem criar uma rotina de acompanhamento.

Reuniões de acompanhamento com frequência definida

Projetos prioritários podem ter reuniões semanais com pauta fixa. Entre os pontos de acompanhamento estão:

  • cronograma;
  • orçamento;
  • riscos novos ou atualizados;
  • decisões necessárias;
  • próximos passos;
  • responsáveis e prazos.

Atualização do cronograma como rotina

O cronograma precisa ser atualizado de forma regular, e não somente quando surge um problema ou quando o patrocinador solicita uma atualização.

A rotina cria uma referência para que a equipe reporte o progresso real.

Sinalização antecipada de desvios

Problemas precisam ser comunicados quando ainda existe possibilidade de correção.

Quando a equipe evita informar um desvio por receio da reação do patrocinador, o problema pode chegar à liderança em um estágio no qual as alternativas de correção são menores.

Participação ativa do sponsor

O patrocinador do projeto precisa acompanhar decisões relacionadas a desvios e impedimentos, e não somente participar do kickoff ou receber a apresentação final.

A participação permite que decisões de escalada sejam tomadas quando necessário.

PMO com função de monitoramento

O PMO pode atuar além da produção de relatórios para a diretoria. Entre suas funções está o acompanhamento do portfólio, a identificação de projetos em risco e a provocação de decisões que dependem da liderança.

O PMI Pulse 2026 aponta taxa de sucesso de 63% para organizações com PMO, contra 57% para aquelas sem PMO.

O dado reforça a relação entre a atuação do PMO e a institucionalização de práticas de acompanhamento.

Por que frameworks de gestão não bastam e o que o Adapt OS tenta resolver

Como desenvolver competência em execução de projetos

A execução de projetos pode ser desenvolvida por meio de conhecimento e prática. Os fundamentos de planejamento, execução, monitoramento e controle são conhecidos. O desafio está em transformar esses conceitos em rotina.

Mario Trentim desenvolve esse tema na FormacaoGP, trilha que aborda planejamento, execução, monitoramento e controle com foco em aplicação prática.

Os cursos disponíveis no LinkedIn Learning também tratam de gestão de projetos em diferentes contextos e níveis de experiência.

O livro Tire Esse Projeto do Papel, publicado em 2025 por Mario Trentim, aborda a distância entre o plano documentado e a execução real, com frameworks aplicáveis a projetos de diferentes escalas e setores.

A certificação PMP, do PMI, é uma das referências para reconhecimento de competência em gestão de projetos. Para quem está iniciando na área, o CAPM representa uma opção de certificação sem exigência de experiência mínima.

Mais do que adotar uma nova ferramenta, o ponto de partida pode ser revisar como o projeto mais importante em andamento está sendo acompanhado.

Algumas perguntas ajudam nessa análise:

  • Com que frequência o cronograma é atualizado?
  • Quando ocorreu a última reunião formal de acompanhamento?
  • O registro de riscos está atualizado?
  • Os desvios são comunicados no momento em que aparecem?
  • As decisões possuem responsáveis e prazos?

As respostas podem indicar mais sobre a situação da execução de projetos do que uma análise feita apenas ao final do trabalho.

+ Brazil Management Week 2026 reúne especialistas em IA dos EUA, Europa e Brasil; saiba como participar


Sobre o autor

Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI, Reitor da Allevo Tech / Qeevo Group, doutorando do ITA e autor de 13 livros sobre gestão e execução estratégica.

Atua como conselheiro e conector estratégico em organizações em transformação.

Clique aqui para acessar gratuitamente podcast, newsletter e materiais para download do Mario Trentim

Logo do Querobolsa

Gostando da matéria?

Inscreva-se e receba nossos principais posts no seu e-mail

Banner FOQA Últimas Notícias

Revista Vídeos

As profissões mais bem pagas em 2026

Postado em 31/03/2026

Como estudar pro ENEM 2026 do ZERO

Postado em 23/04/2026


Pronto para estudar pagando menos?

Bolsas de até 80% de desconto em milhares de faculdades por todo o Brasil.
Encontrar minha bolsa