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Biologia

Algas

William Mira
Publicado por William Mira
Última atualização: 14/9/2018

Introdução

As algas são organismos pertencentes ao reino Protista, juntamente com os protozoários. O reino Protista agrupa todos os organismos considerados evolutivamente inferiores, sem que haja uma descendência evolutiva entre eles. É, portanto, considerado um grupo polifilético (com indivíduos não descendendo necessariamente de um ancestral comum).

Os organismos classificados como algas são seres autótrofos, dos quais, a partir de alguns de seus filos específicos, surgiram os vegetais constituintes do reino Plantae.

Outra característica das algas é a presença de água ou pelo menos umidade em seu ciclo de vida.

Apesar da necessidade de água, as algas podem ser encontradas nos mais variados ambientes, como nos oceanos, rios e lagos e até em troncos de árvores onde se associam com outros seres para garantir a sua sobrevivência.

A ficologia é o ramo da Biologia especializado no estudo das algas.

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Características

As algas são seres eucariontes, isto é, possuem envoltório nuclear (carioteca) - que separa o material genético dos demais componentes celulares - e compartimentalização interna através das organelas celulares.

Além da membrana plasmática, possuem parede celular formada por celulose ou outras substâncias, como ágar.

São organismos autótrofos, fotossintetizantes e clorofilados (com a clorofila A presente em todos os indivíduos).

Podem ser microscópicos ou macroscópicos, e unicelulares ou pluricelulares. Porém, não possuem a capacidade de formar tecidos complexos e, embora sejam fotossintetizantes, são seres avasculares.

São considerados organismos mais primitivos que os vegetais, não possuindo raiz, caule e folhas verdadeiros.

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Reprodução

As algas podem apresentar um ciclo de vida sexuado, marcado pela reprodução sexuada que garante variabilidade genética, ou ciclo de vida assexuado, quando o organismo se reproduz assexuadamente, gerando descendentes idênticos (sem variação genética).

A reprodução assexuada pode apresentar variação quando analisada em algas unicelulares ou multicelulares:

  • Algas unicelulares: se dividem por divisão binária, onde uma célula se parte por divisão binária (mitose), gerando dois indivíduos idênticos em material genético.
  • Algas pluricelulares: produzem estruturas especializadas na reprodução, mesmo que assexuada. Essas estruturas são responsáveis pela formação de células flageladas - chamadas de zoósporos - que serão liberadas para o ambiente e, em condições favoráveis, irão se desenvolver em novos indivíduos idênticos. Esse tipo de reprodução é chamado de zoosporia.

Outra forma de reprodução assexuada das algas pluricelulares é através da fragmentação, quando um talo adulto de uma alga se desprende e, a partir dele, se forma um novo indivíduo idêntico ao organismo inicial.

A reprodução sexuada também pode sofrer variação de um indivíduo unicelular para um indivíduo multicelular:

  • Algas unicelulares: a reprodução sexuada pode ocorrer através da fusão de dois indivíduos adultos haplóides (n), trocando assim seus materiais genéticos e gerando um indivíduo diplóide (2n) - chamado de zigoto - que, quando envolvido por um envoltório específico, é conhecido como zigósporo. Após a formação do zigósporo diplóide (2n), a célula passa por um processo de divisão meiótica, gerando assim quatro indivíduos haplóides (n) idênticos.
  • Algas multicelulares: a reprodução sexuada ocorre através do processo de alternância de geração. Nesse processo, o indivíduo pode apresentar um esporófito diplóide (2n) que, no talo da alga (estrutura semelhante ao caule), formam, através de divisões meióticas, estruturas flageladas especializadas em reprodução - chamadas esporos - que são haplóides (n). Os esporos irão se movimentar no meio em que a alga se encontra até encontrarem condições favoráveis para se desenvolverem em gametófitos haplóides (n). Os gametófitos irão formar, através de divisões mitóticas, células chamadas de gametas, que são haplóides (n) e flageladas. Dois gametas haplóides podem se fundir e gerar uma nova célula, chamada de zigoto e que é diplóide (2n). Esse zigoto pode se desenvolver, gerando um esporófito diplóide (2n) e reiniciando o ciclo.

Ciclo de vida sexuado de uma alga parda multicelular. O processo chama-se alternância de gerações porque, ao longo do ciclo de vida das algas multicelulares sexuadas, são formadas estruturas diplóides (esporófitos) e haplóides (gametófitos).ciclo de vida sexuado de uma alga parda multicelular.

Classificação

Por fazerem parte de um reino polifilético, não descendendo, portanto, de um ancestral comum, as algas apresentam grandes diferenças anatômicas e estruturais, permitindo, assim, a classificação desses indivíduos em grupos ou filos diferentes.

A principal característica utilizada para a diferenciação dos tipos de algas é a presença e o tipo de pigmentos fotossintetizantes. Dessa forma, as algas podem ser classificadas em até seis grupos:

Clorofíceas

Conhecidas como Algas Verdes, os indivíduos pertencentes a esse grupo podem ser unicelulares ou pluricelulares.

Podem ser encontradas tanto nos oceanos quanto nas águas doces ou, ainda, associadas a outros organismos, como os fungos, formando os liquens presentes em locais úmidos - sob superfícies como troncos de árvores - ou no interior das células de celenterados - como as zooclorelas presentes nas hidras -, estabelecendo uma relação de endossimbiose.

As Clorofíceas apresentam, predominantemente, clorofilas A e B como pigmentos fotossintetizantes, o que caracteriza a cor verde nesses organismos. Além disso, apresentam apenas celulose em sua parede celular e possuem amido como reserva energética.

Ulva lactuca, o alface do mar.Ulva lactuca, o alface do mar.

Feofíceas

Chamadas de Algas Pardas ou Algas Marrons. São seres pluricelulares e flutuantes, com estruturas formadas por bolhas de ar que vão auxiliar na sua flutuação.

A parede celular das algas marrons possui celulose e algina. Esta, é utilizada comercialmente devido às suas propriedades espessantes.

Além da clorofila A, as feofíceas apresentam como pigmentos fotossintetizantes a clorofila C - caroteno e xantina -, pigmento pardo que garante a cor amarronzada desses indivíduos.

A reserva energética das algas pardas é na forma de laminarida (polissacarídeo) e óleo. como o manitol.

Sargassum sp. Gênero mais conhecido de alga marromSargassum sp. Gênero de alga marrom

Rodofíceas

Conhecidas também como Algas Vermelhas. São organismos multicelulares encontrados em águas doces e salgadas ou em associação com fungos, formando os liquens.

Possuem como pigmentos fotossintetizantes a clorofila A e D, mas, principalmente, carotenóides, xantofilas, ficoeritrina e ficocianina - que garantem a coloração avermelhada dessas algas.

Possuem ágar, celulose, carragenina e carbonato de cálcio (CaCO3) como componente da parede celular, deixando o organismo mais rígido, o que auxilia na manutenção dos recifes de corais que ficam mais resistentes à força das ondas.

Comercialmente, as algas vermelhas são utilizadas na produção de ágar para solidificar soluções, carragenina para estabilizar emulsão ou, ainda, na gastronomia japonesa para encapar alimentos como sushis.

Possuem como reserva energética um tipo diferente de amido, chamado de amido das floríceas, que se assemelha muito ao glicogênio encontrado nos animais e fungos.

Laurencia, um tipo de alga vermelhaLaurencia, um tipo de alga vermelha

Diatomáceas e Crisofíceas

São algas unicelulares, microscópicas e aquáticas. Muitas diatomáceas auxiliam na formação do fitoplâncton, que é a base da cadeia alimentar aquática.

A principal característica das diatomáceas é a presença de uma carapaça porosa e brilhante chamada de frústula e composta por sílica.

Possuem, predominantemente, clorofila A e C, mas também possuem caroteno e fucoxantina como pigmentos fotossintetizantes.

A reserva energética das diatomáceas é na forma de óleos.

Diatomáceas marinhasDiatomáceas marinhas

Crisofíceas

Chamadas de Algas Douradas, são muitas vezes confundidas com as diatomáceas, pois possuem os mesmos pigmentos fotossintetizantes, além da reserva energética na forma de óleos e crisolaminarina.

Euglenóides

São algas unicelulares flageladas, sem parede celular (as vezes composta por uma fina camada, chamada de película) e com estruturas específicas no interior celular:

  • Ocelo: estrutura pigmentada com função de percepção da luz, o que auxilia no deslocamento da alga para locais onde possa maximizar sua capacidade fotossintetizante.
  • Cloroplastos: organela composta por clorofila que é responsável pelos processos de fotossíntese em eucariontes e está presente em todas as algas.
  • Vacúolo Contrátil ou Pulsátil: estruturas relacionadas ao controle osmótico que controla a saída do excesso de água, de acordo com o meio em que a alga se encontra.

Os euglenóides podem ser autótrofos quando possuem cloroplastos para realizar a fotossíntese e estão em condições favoráveis. Ou, ainda, podem ser heterotróficos quando não possuem cloroplastos ou estão em locais de ausência de luz. A alimentação ocorre através da absorção de partículas nutritivas presentes no meio, através da fagocitose.

A reserva energética dos euglenóides é na forma de um polissacarídeo chamado paramilo.

Estrutura de um euglenóide, mostrando o núcleo celular (rosa), cloroplastos (verde), ocelo (vermelho) e o vacúolo contrátil (azul).Estrutura de um euglenóide, mostrando o núcleo celular (rosa), cloroplastos (verde), ocelo (vermelho) e o vacúolo contrátil (azul).

Dinoflagelados

Organismos unicelulares e, predominantemente, marinhos. Também compõem o fitoplâncton e são chamados de pirrófitas.

Possuem dois flagelos em sua estrutura celular que garantem movimentação através de rodopios. Também possuem uma carapaça composta por sílica - chamada de lórica - que garante proteção ao organismo.

A reserva energética dos dinoflagelados é na forma de amido e sua forma de nutrição pode ser heterotrófica através de fagocitose ou, então, esses organismos podem ser autótrofos fotossintetizantes.

Dinophysis acuminata, um tipo de dinoflageladoDinophysis acuminata, um tipo de dinoflagelado

Os dinoflagelados estão relacionados a associações como as zooxantelas e a fenômenos ambientais como a maré vermelha.

  • Zooxantelas: endossimbiose entre os dinoflagelados e outros animais como moluscos, celenterados e crustáceos.
  • Maré vermelha: aumento da população de dinoflagelados no mar que apresenta grande impacto ambiental, pois esses indivíduos produzem substâncias tóxicas que, em elevadas concentrações, podem ocasionar mortes de peixes e outros animais.

Maré Vermelha.Maré Vermelha

Cianobactérias

Embora sejam também conhecidas como Algas Azuis, as cianobactérias não fazem parte do reino Protista, mas sim do domínio Bacteria. A única semelhança que possuem com as algas protistas é a capacidade fotossintetizante e o habitat marinho.

As cianobactérias - ou algas azuis - são seres procariontes (não possuem envoltório nuclear e organelas membranosas) e unicelulares, enquanto que as algas protistas são seres eucariontes que podem apresentar indivíduos multicelulares.

Fitoplâncton

Conjunto de organismos aquáticos microscópicos e fotossintetizantes que vivem dispersos, flutuando pelos oceanos. Entre os organismos que constituem o fitoplâncton, têm-se as algas diatomáceas, dinoflagelados e até as cianobactérias.

A importância do fitoplâncton está relacionada à sua capacidade fotossintetizante, sendo o principal emissor de oxigênio na atmosfera. Outra importância é que por serem organismos fotossintetizantes (produtores), os fitoplâncton formam a base da cadeia alimentar no ambiente marinho.

Formação de fitoplâncton bioluminescente (em azul claro) na costa da ArgentinaFormação de fitoplâncton bioluminescente


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2011)

Certas espécies de algas são capazes de absorver rapidamente compostos inorgânicos presentes na água, acumulando-se durante seu crescimento. Essa capacidade fez com que se pensasse em usá-las como biofiltros para a limpeza de ambientes aquáticos contaminados, removendo, por exemplo, nitrogênio e fósforo de resíduos orgânicos e metais pesados provenientes de rejeitos industriais lançados nas águas. Na técnica do cultivo integrado, animais e algas crescem de forma associada, promovendo um maior equilíbrio ecológico.

SORIANO, E.M. Filtros vivos para limpar a água. Revista Ciência Hoje, V.37, nº 219, 2005 (adaptado).

A utilização da técnica do cultivo integrado de animais e algas representa uma proposta favorável a um ecossistema mais equilibrado porque.

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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