logo
Lista de faculdades Lista de cursos Lista de profissões Revista Quero Central de ajuda

banner image banner image
Vestibular e Enem

Atualidades Enem: Fome no Brasil

por Giovana Murça em 13/04/21

Sendo considerado um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, o Brasil corre o risco de voltar para uma lista nada promissora: o Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU).

Encontre bolsas de estudo para graduação

Apesar da alimentação ser um direito humano e constitucional, no último ano, mais da metade da população brasileira estava em situação de insegurança alimentar, ou seja, quase 117 milhões de brasileiros não tinham acesso pleno e permanente a alimentos.

Vagner Santos/Prefeitura de Cotia
fome no brasil

Leia mais:
+ Atualidades Enem: Pobreza menstrual
+ Atualidades Enem: Acesso à internet

É o que mostrou o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, desenvolvido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede Penssan) e realizado em 2.180 domicílios nas cinco regiões do país, em áreas urbanas e rurais, em dezembro de 2020.

Ainda segundo o inquérito, dos 116,8 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar, 43,4 milhões (20,5% da população) não contavam com alimentos em quantidade suficiente. Outras 19,1 milhões de pessoas estavam passando fome, o que representa 9% da população.

Jo Lorib/Wikimedia Commons
fome no brasil

O que é insegurança alimentar?

De acordo com a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN), a segurança alimentar e nutricional consiste no acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais.

Tomaz Silva/Agência Brasil
fome no brasil

Quando essas condições não são garantidas, surge a situação de insegurança alimentar. Segundo a Escala Brasileira de Medida Direta e Domiciliar da Insegurança Alimentar, a insegurança alimentar pode ser classificada em leve, moderada ou grave:

  • Insegurança alimentar leve: há preocupação ou incerteza quanto ao acesso aos alimentos no futuro e qualidade inadequada dos alimentos resultante de estratégias que visam a não comprometer a quantidade de alimentos;

  • Insegurança alimentar moderada: há redução quantitativa de alimentos entre os adultos e/ou ruptura nos padrões de alimentação resultante da falta de alimentos entre os adultos;

  • Insegurança alimentar grave: há redução quantitativa de alimentos entre as crianças e/ou ruptura nos padrões de alimentação resultante da falta de alimentos entre as crianças. 

Na situação de insegurança alimentar grave ocorre a fome, isto é, quando alguém fica o dia  inteiro sem comer por falta de dinheiro para comprar alimentos.

Quais as causas da fome no Brasil?

A fome não é um problema novo para o país. Ela pode ser causada por diversos fatores, naturais ou humanos. Mas, no caso do Brasil, a fome é provocada pela desigualdade social.

Fernando Frazão/Agência Brasil
fome no brasil

“A fome não é provocada pela escassez de comida ou pelo excesso populacional, como muitos ainda pensam. Ela é causada, principalmente, pela má distribuição de riquezas e alimentos. Como o acesso à comida está relacionado à renda, observamos que a histórica desigualdade social existente no Brasil faz com que muitos não tenham acesso aos alimentos necessários para suas necessidades”, explica Rene Araújo, professor de sociologia do Curso Anglo.

Mesmo com o enorme potencial agrícola do Brasil, considerado um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, a concentração fundiária, ou seja, a concentração de terras nas mãos de poucos, dificulta a distribuição dos alimentos de forma igualitária entre a população.

Valter Campanato/Agência Brasil
fome no brasil

Entre outros fatores que somam para o aumento da fome no Brasil, estão o aumento do índice de desemprego e informalidade, o aumento da inflação, o aumento do preço dos alimentos e o desperdício e má distribuição de alimentos.

Risco de voltar para o Mapa da Fome

Em 2013, conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa da população em segurança alimentar chegou a 77,1% e a parcela em situação de fome caiu para 4,2%, o menor nível até então. Com a evolução, o Brasil conseguiu sair do Mapa Mundial da Fome da ONU.

Levt Ferreira/Prefeitura de Curitiba
fome no brasil

Mas, nos anos seguintes, o país regrediu. De 2013 a 2018, a insegurança alimentar aumentou 8% ao ano. Nos últimos dois anos, o retrocesso foi ainda maior: a fome aumentou 27,6% de 2018 a 2020, ampliando o número de pessoas em situação de insegurança alimentar de 10,3 milhões para 19,1 milhões. 

De 36,7% dos domicílios em situação de insegurança alimentar em 2013, o país passou para 55,2% no final do ano passado. Na prática, em apenas dois anos, quase 9 milhões de brasileiros passaram a vivenciar a fome.

Reflexo da pandemia

A pandemia sanitária contribuiu para o agravamento desse cenário, já que milhares de famílias perderam suas fontes de renda e tiveram que abrir mão de despesas essenciais, como a alimentação.

Além disso, a suspensão das aulas presenciais significaram também a suspensão das principais refeições do dia para milhares de crianças que dependem da merenda escolar para não passar fome.

Reprodução/Prefeitura de São Sebastião do Passé
fome no brasil

Durante a pandemia, os preços dos alimentos se elevou mais ainda por conta das barreiras sanitárias, desorganização da cadeia produtiva global, aumento do preço do petróleo e desvalorização cambial.

Sobre o último fator, o professor explica: “A desvalorização cambial faz com que muitos produtores prefiram exportar os seus produtos do que atender ao mercado interno, provocando assim desabastecimento e, consequentemente, o aumento dos preços, já que a oferta é inferior à demanda”.

Veja também:
+ Atualidades Enem: Inflação
+ Atualidades Enem: Crise Hídrica

Quais as consequências da fome no Brasil?

Onde há fome também outros problemas causados pela desigualdade social, como pobreza, falta de água, falta de saneamento básico, baixa escolaridade, maior exposição a doenças como a Covid-19, entre outros.

Tomaz Silva/Agência Brasil
fome no brasil

A fome é uma tragédia que aflige mais as populações vulneráveis. De acordo com o relatório da Rede Penssan, a fome no Brasil tem cara e cor: mulheres da periferia, chefes de família, negras, com pouco estudo.

A situação acentua ainda as desigualdades regionais do país. Segundo a pesquisa, as regiões Nordeste e Norte são as mais afetadas pela fome. As populações rurais, sejam elas de agricultores familiares, quilombolas, indígenas ou ribeirinhos, também estão mais vulneráveis à insegurança alimentar.

Reprodução/Rede Penssan
fome no brasil

O professor Rene alerta que essa realidade tem inúmeras consequências tanto individuais, como coletivas e sociais: “A fome traz instabilidade emocional sobre o indivíduo, com impactos que podem ser duradouros; dificulta o desenvolvimento de um país, já que é uma condição adversa à produtividade dos indivíduos; e, além disso, ao longo da história, grandes crises de fome levaram ao aumento da criminalidade e até mesmo a revoltas populares”.

Combate à fome no Brasil

Sendo um problema que surge da desigualdade social, a erradicação da fome no Brasil perpassa por programas sociais que fomentem a distribuição de renda e geração de emprego.

Nesse sentido, programas como o Fome Zero e o Bolsa Família tiveram papel fundamental em diminuir os índices de insegurança alimentar que levaram o país a deixar o Mapa Mundial da Fome em 2014.

“No atual contexto, o auxílio emergencial se mostra importante, apesar de o atual valor, que gira em torno de 150 a 375 reais, não ser suficiente para garantir alimentação de uma família. O valor de 600 reais pago no ano passado, por três meses, teve um impacto grande na renda de famílias que viviam na linha da miséria”, pontua o professor Rene.

Rovena Rosa/Agência Brasil
fome no brasil

O professor também traz o exemplo da alimentação escolar como uma política brasileira fundamental e eficiente no combate à fome. "As escolas já atendem um número grande de crianças e possuem o mapeamento com as condições de vulnerabilidade locais, além do programa ajudar no escoamento dos pequenos produtores, visto que 30% dos alimentos são oriundos da agricultura familiar através do Programa Nacional de Alimentação Escolar”, justifica.

Outras ações que teriam impacto direto na problemática da fome no país são a reforma agrária, isto é, a redistribuição de terras e maior apoio à agricultura familiar, além de reajuste do salário mínimo e incentivo à educação e capacitação profissional.

Mas, quem tem fome tem pressa. Por isso, a importância de ações de solução imediatas, como os programas de distribuição de alimentos e de restaurantes populares. Atualmente, existem centenas de organizações não-governamentais (ONGs) de combate à fome no país.

Reprodução/Prefeitura de Atibaia
fome no brasil
Restaurante popular de Atibaia (SP)

Fome no Brasil: pode cair no Enem?

Sendo um problema pertinente e atual, a questão da fome no Brasil pode sim cair no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), tanto na redação quanto na área de Ciências Humanas e suas Tecnologias.

Daniel Tavares/Prefeitura de Recife
fome no brasil

Para ir bem em questões que abordem esse tema, a dica do professor Rene é entender que a fome é um problema social relacionado à má distribuição e à desigualdade e relacioná-lo às questões econômicas, sociais, geográficas, históricas e filosóficas.

“É importante estudar a questão agrária do Brasil, aspectos do mundo do trabalho como o desemprego e a informalidade, a estratificação e a desigualdade social existente em nosso país e os recortes de raça, classe e gênero. Além disso, ficar atento aos diferentes levantes populares provocados pela fome e às mudanças climáticas e seus impactos na produção de alimentos”, recomenda Rene.

Redação

Para o professor de redação Thiago Braga, do Sistema de Ensino pH, a questão da fome na sociedade brasileira é um possível tema de redação no Enem, principalmente pelo aumento desse problema nos últimos anos.

Antônio Cruz/Agência Brasil
fome no brasil

Na redação sobre o tema, é imprescindível escrever sobre a questão da desigualdade social e da concentração de terras no Brasil. “É um argumento muito fundamentado na geografia e na história, garantindo boas referências interdisciplinares”, garante o professor.

“O número de bilionários do Brasil cresceu durante a pandemia, ao mesmo tempo que cresceu, junto com o crescimento da inflação, o número de pessoas que não estão tendo acesso a alimentação básica. Então, a concentração de renda continua aumentando e a desigualdade se perpetua. São dois pontos que poderiam ser trabalhados em um argumento, se complementando, ou em argumentos diferentes, compondo esse desenvolvimento mais voltado para as questões sociais que explicam a fome”, sugere Thiago.

Outros argumentos indicados pelo professor são a questão do descaso governamental, do desemprego e da manutenção do salário mínimo, que não cresce enquanto a inflação aumenta, o que diminui o poder de compra.

Já na proposta de intervenção, é fundamental que se proponha uma medida prática, rápida e efetiva. O professor Thiago propõe como exemplo uma campanha coordenada entre poder público, setor privado e terceiro setor distribuindo alimentação nas áreas mais afetadas pela fome.

Leia mais:
+ Atualidades Enem: Queimadas no Brasil
+ Atualidades Enem: A questão indígena no Brasil

 

banner image banner image

Se por algum motivo você não utilizar a nossa bolsa de estudos, devolveremos o valor pago ao Quero Bolsa.

Você pode trocar por outro curso ou pedir reembolso em até 30 dias após pagar a pré-matrícula. Se você garantiu sua bolsa antes das matrículas começarem, o prazo é de 30 dias após o início das matrículas na faculdade.

Fique tranquilo: no Quero Bolsa, nós colocamos sua satisfação em primeiro lugar e vamos honrar nosso compromisso.

O Quero Bolsa foi eleito pela Revista Época como a melhor empresa brasileira para o consumidor na categoria Educação - Escolas e Cursos.

O reconhecimento do nosso trabalho através do prêmio Época ReclameAQUI é um reflexo do compromisso que temos em ajudar cada vez mais alunos a ingressar na faculdade.

Feito com pela Quero Educação

Quero Educação © 2011 - 2022 CNPJ: 10.542.212/0001-54