Info Icon Ajuda Help Icon Ajuda
Literatura

Quarto de Despejo

Alanis Zambrini
Publicado por Alanis Zambrini
Última atualização: 4/6/2019

Introdução

Quarto de Despejo - Diário de uma Favelada é um livro formado por 20 diários escritos entre 15 de julho de 1955 e 1 de janeiro de 1960 por Carolina Maria de Jesus, que, antes da publicação de seu livro, em 1960, era uma anônima moradora da favela de Canindé, em São Paulo.

Seu livro foi editado e publicado por Audálio Dantas (jornalista que visitou a comunidade e se interessou por sua história) e, por muito tempo, lutou-se para que a obra de Carolina pudesse ser considerada literatura, pois vários críticos literários consideraram-na apenas como um tipo de literatura marginal.

Cada vez mais, contudo, nota-se a importância dessa obra, pois ela nos mostra a dura realidade da favela, da fome, do racismo e da invisibilidade social com uma escrita verdadeira. Com uma linguagem simples e própria da sua identidade social, a autora nos apresenta sua luta cotidiana e como a escrita de seus diários foi uma forma de escapar de seus problemas e de fazer uma crítica social.

📝 Você quer garantir sua nota mil na Redação do Enem? Baixe gratuitamente o Guia Completo sobre a Redação do Enem! 📝

Resumo da obra

Quarto de Despejo traz em seus diários (divididos em dia, mês e ano) o retrato do cotidiano da favela de Canindé. Nele, Carolina narra como consegue sobreviver sendo catadora de lixo e metal em São Paulo e como a falta de dinheiro e de outro tipo de trabalho afetam a sua vida.

Em meio a isso, a autora conta sua rotina vivendo na favela, e como tinha que fazer sacrifícios para seus três filhos, já que era mãe solteira e tinha que alimentá-los e cuidar de tudo sozinha, além de ter que lidar com o preconceito de não casar de novo.

Pensando na história, um elemento muito importante nesse contexto é a fome, que a autora diz ter a cor amarela. Carolina tentava fugir, mas às vezes ela chegava com força em sua família (sendo que, para ela, a pior dor era ver seus filhos passando fome). Assim, ela trabalhava muito para comprar comida, além de receber alguma doações e buscar restos de alimentos nas feiras e, até mesmo, no lixo.

Um trecho muito famoso de Quarto de Despejo nos mostra como a fome é diferente da embriaguez (pois Carolina diz que muitos de seus vizinhos se embebedam para esquecerem sua condição social, sua miséria e sua fome):

“A tontura do álcool nos impede de cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível ter só ar dentro do estômago”.

Carolina expõe, também, a invisibilidade social, pois ela e seus filhos são como pessoas invisíveis, ignoradas por aqueles que têm maior condição social e que não sentem na pele a dor da violência e da pobreza. Neste contexto, a autora conta que escreve seus diários (que encontrou quando estava catando lixo) como uma forma de escapar um pouco da sua realidade, pois eles trazem esperança para ela e a fazem sonhar que algum dia alguém irá ler estes relatos e entender o que ela havia passado, tirando-a de seu status de invisível.

Em Quarto de Despejo, também podemos ver a importância da religiosidade para Carolina, que é motivada a não desistir e impulsionada a continuar sua rotina mesmo com seu sofrimento por causa de suas crenças religiosas e sua fé. Além disso, a autora relata muitos problemas de seus vizinhos, denunciando a violência doméstica que as mulheres sofriam, principalmente, pelo alcoolismo de seus maridos.

Para além disso tudo, Quarto de Despejo é um relato fiel das dificuldades enfrentadas em meio à favela, mostrando como uma mulher solteira batalha para alimentar suas crianças e sobreviver em meio à sua condição de invisível e sua miséria, e como ela tem esperanças de mudança apesar de tudo o que passa diariamente.

📚 Você vai prestar o Enem 2020? Estude de graça com o Plano de Estudo Enem De Boa 📚

Personagens principais

  • Carolina Maria de Jesus: Autora dos diários e personagem principal. É uma mãe solteira que trabalha como catadora de lixo e metal para sustentar sua casa e comprar comida para si e para seus filhos. Ela escreve seus diários como forma de escapismo e de denúncia social, relatando como é o cotidiano da favela, com os problemas da miséria, da violência e da fome.
  • Vera Eunice: Filha de Carolina.
  • João José: Filho de Carolina.
  • José Carlos: Filho de Carolina.

Exercícios

Exercício 1
(UNIMONTES/2014)

O fragmento abaixo foi extraído do livro Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus. Leia-o com atenção. 

1 DE JULHO... 

Eu percebo que se este Diário for publicado vai maguar muita gente. Tem pessoa que quando me ver passar saem da janela ou fecham as portas. Estes gestos não me ofendem. Eu até gosto porque não preciso parar para conversar. (...) Quando passei perto da fabrica vi varios tomates. Ia pegar quando vi o gerente. Não aproximei porque ele não gosta que pega. Quando carregam os caminhões os tomates caem no solo e quando os caminhões saem esmaga-os. Mas a humanidade é assim. Prefere vê estragar do que deixar seus semelhantes aproveitar. (JESUS, 1997, p. 69.) 

Sobre o excerto acima e sobre o livro Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, a única afirmativa INCORRETA é: 

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

Inscreva-se abaixo e receba novidades sobre o Enem, Sisu, Prouni e Fies:

Carregando...