
Mário Trentim: como criar um PMO em uma empresa em 90 dias
| 04/09/26Como criar um PMO em uma empresa em 90 dias? Veja as etapas de diagnóstico, implantação, primeiros projetos, gestão de mudanças e expansão.
Como criar um PMO em uma empresa em 90 dias? Veja as etapas de diagnóstico, implantação, primeiros projetos, gestão de mudanças e expansão.
Em resumo:
Veja mais informações a seguir!

Criar um PMO em uma empresa não começa com templates, ferramentas ou manuais de processos. Começa pela compreensão do ambiente em que o escritório de projetos vai atuar.
O PMO que permanece depois de dois anos não é necessariamente o que começou com mais processos. É aquele que conseguiu entregar resultado, construir legitimidade e estabelecer relações antes de ampliar sua atuação.
Trabalhei mais de dez anos implantando e assessorando escritórios de projetos em organizações públicas e privadas. Vi PMOs com estruturas completas serem encerrados em oito meses.
Também vi escritórios com poucos processos permanecerem por anos porque conseguiram gerar valor e construir alianças antes de aumentar a complexidade.
O maior erro de quem cria um PMO é tentar controlar antes de gerar valor.
Este artigo mostra como criar um PMO em uma empresa em 90 dias, do diagnóstico inicial à operação do escritório.
A abordagem parte de experiências de implantação e dos problemas que aparecem quando processos são colocados à frente das pessoas e dos resultados.
+ PMO cresce nas empresas brasileiras e amplia oportunidades para profissionais de gestão de projetos
++ Por que a execução de projetos falha e o que fazer diferente
Para quem precisa de uma resposta direta, o processo pode ser dividido em três etapas:
A sequência é importante: credibilidade antes de cobertura, aliados antes de processos e resultado visível antes de complexidade.
+ Trabalhar em um PMO: o que é, salário e carreira
++ Vieses cognitivos em projetos: como afetam a gestão e a tomada de decisão
Antes de falar sobre fases, templates e relatórios, é preciso considerar um aspecto que muitas abordagens sobre implantação de PMO deixam em segundo plano: a dimensão política.
Já acompanhei escritórios de projetos com metodologias, treinamentos e ferramentas que foram encerrados em menos de dois anos.
Em alguns casos, o PMO criou transparência em ambientes que não estavam preparados para ela. Em outros, alterou relações de poder entre gestores. Também houve situações em que o sponsor deixou a organização ou deixou de apoiar o escritório.
O problema, nesses casos, não estava necessariamente na metodologia.
O PMO altera a forma como informações circulam, como projetos são acompanhados e como decisões são tomadas. Por isso, sua implantação produz beneficiados e prejudicados.
Entre os beneficiados estão gestores que passam a ter mais visibilidade sobre seus projetos, acesso a informações de portfólio e apoio metodológico.
Entre os prejudicados estão aqueles que dependiam da ausência de processos para preservar autonomia, esconder atrasos ou manter controle sobre informações.
Ignorar esse segundo grupo é um erro.
A resistência provavelmente aparecerá em frases como:
A resistência precisa ser administrada antes que se transforme em oposição organizada.
Por isso, gestão de mudanças não é uma etapa adicional da implantação. Ela faz parte do trabalho de criar um PMO.
+ Por que sua empresa sabe o que fazer, mas não consegue executar a estratégia
A primeira coisa que faço quando chego a uma organização para estruturar um escritório de projetos não é desenhar o modelo.
É entrevistar.
Começo pelo sponsor, ou seja, pela pessoa que pediu o PMO e pode dar sustentação à sua implantação.
A primeira pergunta é simples:
Por que a organização quer um PMO?
A resposta revela o mandato real do escritório.
Se o sponsor quer controle de custos, o PMO precisa trabalhar com visibilidade financeira. Se o objetivo é acelerar entregas, as prioridades serão diferentes.
Se a dificuldade está na gestão do portfólio, o escritório precisa começar pela consolidação das informações.
Sem um mandato claro, o PMO pode acabar tentando resolver todos os problemas ao mesmo tempo.
Depois, faço entrevistas com cinco a dez stakeholders-chave, entre diretores, gerentes de projetos e outras pessoas envolvidas diretamente na execução.
Incluo pelo menos uma pessoa que não tenha pedido a criação do PMO.
Essa conversa ajuda a identificar possíveis pontos de resistência antes que eles apareçam nas reuniões de implantação.
Também faço o inventário dos projetos ativos:
Nesta etapa, também pode ser aplicado um modelo de diagnóstico de maturidade, como o OPM3, o P3M3 ou um questionário desenvolvido para a organização.
O objetivo não é produzir um relatório extenso.
O objetivo é descobrir em que nível a organização realmente está.
Existe outro ponto que considero necessário nesta fase: entender quem ganha e quem perde com a criação do escritório.
Os beneficiados podem se tornar aliados.
Os prejudicados podem representar resistência.
Essa informação precisa estar disponível antes da implantação dos processos. O PMO não deve descobrir seus principais opositores apenas quando apresentar o primeiro procedimento.
+ Empresas aprovam 2,6 vezes mais projetos do que conseguem entregar; entenda o porquê
Depois do diagnóstico, chega o momento de definir qual modelo de PMO faz sentido para aquela organização.
O PMI classifica os escritórios de projetos em três tipos principais:
A escolha precisa considerar a maturidade da organização, o mandato recebido e o nível de autoridade disponível.
Uma organização com baixa maturidade em gestão de projetos e resistência ao controle centralizado pode não estar preparada para um PMO diretivo.
O modelo precisa ser compatível com o contexto.
Também defino os primeiros templates que serão utilizados.
Não tento padronizar tudo.
Começo com dois ou três documentos que possam resolver problemas de informação existentes na organização, como:
Esses documentos podem criar uma base de acompanhamento sem transformar o início da implantação em um projeto de documentação.
O principal entregável dessa primeira fase é o charter do PMO.
O documento pode ter uma ou duas páginas e deve apresentar:
O charter precisa ser aprovado pelo sponsor.
Sem essa aprovação, o PMO fica exposto quando surgirem os primeiros conflitos. O gestor do escritório precisa ter clareza sobre o mandato recebido e sobre o apoio da liderança.
+ Enterprise agility não é Scrum em grande escala: por que essa confusão custa caro às empresas
Nesta etapa, distribuo os primeiros templates e seleciono os projetos-piloto.
A lógica de seleção pode parecer contraintuitiva: não começo necessariamente pelos projetos mais críticos nem pelos gerentes mais experientes.
Começo pelos profissionais que já demonstram disposição para utilizar o processo.
São os early adopters.
Essa escolha permite testar os processos em um ambiente com maior possibilidade de adoção.
O objetivo é produzir casos reais.
Quando o piloto funciona, o PMO passa a ter uma referência concreta para apresentar aos demais gerentes.
A frase “o PMO cria burocracia” perde força quando existem projetos mostrando como os processos ajudaram na identificação de riscos, na organização das informações ou no acompanhamento das entregas.
Começar pelos resistentes pode criar o primeiro caso negativo antes de o PMO ter construído sua base de credibilidade.
+ Por que projetos falham? Flyvbjerg mostrou que menos de 1% entregam prazo, custo e benefícios
A primeira reunião de portfólio é um momento importante da implantação.
É quando sponsor e lideranças podem ter uma visão consolidada dos projetos, incluindo:
Em muitas organizações, essa visão consolidada não existia.
Isso gera valor, mas também pode gerar desconforto.
Quando o PMO torna visível aquilo que antes não era acompanhado, problemas passam a aparecer para mais pessoas.
É nesse momento que a resistência pode aumentar.
A resposta precisa estar nos dados.
Os resultados dos projetos-piloto ajudam a mostrar o que mudou depois da implantação dos primeiros processos.
O primeiro relatório para o sponsor deve ser curto.
Uma página pode ser suficiente.
O documento pode mostrar:
O objetivo não é demonstrar a quantidade de trabalho realizada pelo PMO.
É demonstrar o que mudou.
Entregáveis da fase 2:
+ Por que frameworks de gestão não bastam e o que o Adapt OS tenta resolver
A expansão para os demais projetos acontece depois dos pilotos.
Agora existe uma base para responder à pergunta:
Por que os outros projetos deveriam utilizar esse processo?
A resposta deixa de ser apenas metodológica.
Existem exemplos internos.
Os resultados dos projetos-piloto ajudam a mostrar como os processos funcionam na prática e permitem ajustar os templates antes da expansão.
O treinamento geral também acontece nesta fase.
Treinar antes dos pilotos pode tornar o conteúdo abstrato.
Depois dos pilotos, os exemplos vêm de projetos da própria organização.
Os gerentes que participaram dos testes também podem contribuir para explicar o processo aos demais profissionais.
+ Brazil Management Week 2026 reúne especialistas em IA dos EUA, Europa e Brasil; saiba como participar
No final dos primeiros 90 dias, avalio o que funcionou e o que não funcionou.
A metodologia precisa ser ajustada com base no uso real.
O que foi planejado na primeira semana pode não ser o que a organização precisa depois de três meses.
Por isso, produzo um plano para os próximos 90 dias, com metas de maturidade específicas e mensuráveis.
Entregáveis da fase 3:
+ O que faz um PMO na prática? Funções, tipos e diferença para o gerente de projetos
O PMO que começa com um manual de 80 páginas pode criar um problema antes de resolver outro.
Quantidade de processos não significa qualidade de gestão.
Dois ou três templates utilizados pelos projetos podem gerar mais resultado do que uma metodologia completa que não é aplicada.
PMO sem apoio da liderança fica exposto quando surgem conflitos.
O sponsor precisa participar das decisões em que o mandato do escritório é questionado.
A aprovação inicial não é suficiente.
O gestor do PMO precisa construir uma relação na qual o sponsor acompanhe os resultados e participe dos momentos em que sua autoridade é necessária.
Todo PMO altera relações existentes.
Algumas pessoas ganham visibilidade e apoio.
Outras podem perceber perda de autonomia.
A resistência pode aparecer como crítica à burocracia, à metodologia ou aos processos.
Mapear essas pessoas desde o início permite trabalhar a mudança antes que o conflito aumente.
O template desenvolvido pelo PMO e apresentado como definitivo tende a ser percebido como uma imposição.
Quando os gerentes participam da construção, aumentam as possibilidades de adoção.
Esse processo de co-design não significa abrir mão da metodologia.
Significa incorporar a experiência de quem utilizará o processo.
O número de relatórios produzidos não demonstra o valor de um PMO.
A pergunta mais importante é:
Os projetos acompanhados pelo PMO estão sendo gerenciados melhor do que antes?
Se a resposta for positiva, é preciso demonstrar isso com indicadores.
Se não houver resposta, existe um problema de mensuração ou de geração de valor.
Documentação é meio.
O resultado dos projetos é o que deve orientar a avaliação do PMO.
+ PMO: o que significa a sigla e qual sua importância na gestão de projetos
Os primeiros 90 dias criam as condições para o PMO funcionar.
Depois disso, começa outra etapa: decidir como o escritório deve evoluir.
As organizações que mantêm PMOs ao longo dos anos precisam adaptar o escritório às mudanças da própria organização.
O PMO não deve permanecer preso ao modelo utilizado no início da implantação.
Processos podem deixar de fazer sentido.
Novas necessidades podem surgir.
A cobertura pode ser ampliada quando houver capacidade para manter a qualidade do acompanhamento.
Por isso, o plano de maturidade trimestral precisa responder a três perguntas:
Essas perguntas deslocam a discussão de processos para valor.
Saber como criar um PMO em uma empresa envolve mais do que escolher uma metodologia.
É necessário entender o contexto, definir um mandato, identificar stakeholders, começar com projetos-piloto e demonstrar resultados antes de ampliar a estrutura.
Nos primeiros 90 dias, o objetivo não deve ser criar todos os processos possíveis.
Deve ser criar as condições para que o PMO seja reconhecido como parte da gestão dos projetos e do portfólio.
A sequência faz diferença:
O PMO começa com processos, mas precisa ser sustentado por valor.
+ Mario Trentim: conheça o palestrante de estratégia, gestão, PMO e IA

Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI, Reitor da Allevo Tech / Qeevo Group, doutorando do ITA e autor de 13 livros sobre gestão e execução estratégica.
Atua como conselheiro e conector estratégico em organizações em transformação.


Como criar um PMO em uma empresa em 90 dias? Veja as etapas de diagnóstico, implantação, primeiros projetos, gestão de mudanças e expansão.

A execução de projetos depende de acompanhamento contínuo, e não apenas de um planejamento bem estruturado. A manutenção de uma rotina de monitoramento, atualização do cronograma, gestão de riscos e comunicação com stakeholders ajuda a identificar desvios e tomar decisões durante o projeto.

O PMO é uma estrutura de gestão de projetos que pode atuar no apoio, controle ou gerenciamento direto de iniciativas. Entenda as funções do escritório de projetos, suas diferenças em relação ao gerente de projetos e os principais pontos para implementar um PMO de acordo com a maturidade da empresa.