
O que é processamento de dados? Entenda etapas e tipos
| 23/09/26Entenda o que é processamento de dados, a diferença entre dado e informação, as principais etapas e os tipos em lote e em fluxo.
A presença dos indígenas no Ensino Superior brasileiro está cada vez maior. Desde 2010, o número de estudantes universitários que se autodeclararam indígenas aumentou 512%.
É o que apontam os dados do Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), referentes ao período entre 2010 e 2016 – última atualização disponível.
O levantamento realizado pela Revista Quero considerou os alunos que estavam cursando ativamente o ensino superior – excluindo estudantes com matrícula trancada.

Entre 2010 e 2016, o número de graduandos autodeclarados indígenas saltou de cerca de 7 mil para mais de 44 mil, registrando aumento em todos os anos.
Outro fator importante é a maior presença feminina. No período, as mulheres indígenas só não representaram a maioria em 2013. E a superioridade delas vem aumentando nos últimos anos, alcançando a marca de quase 4 mil alunas a mais no Ensino Superior.
O avanço registrado representa, também, um aumento na proporção de indígenas em comparação ao total de estudantes universitários. Em 2016, a participação chegou a 0,64%.
Esta parcela significa um marco importante na representatividade indígena nas universidades: é a primeira vez que a taxa supera a proporção de indígenas em relação à população brasileira apresentada no Censo 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Embora os dados gerais do Ensino Superior em 2017 ainda não tenham sido divulgados, já se sabe que o patamar alcançado se manteve, ao menos, entre os inscritos para os principais exames nacionais.
Segundo o Inep, 0,7% dos inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) se autodeclararam indígenas. Já no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), eles corresponderam a 0,7% e 0,6% dos participantes dos níveis Fundamental e Médio, respectivamente.
Entre os cursos universitários, o de Direito é o que mais recebe estudantes indígenas. Em 2016, foram registrados mais de 4 mil alunos na área.
São 15 cursos preferidos, que reúnem 60% dos graduandos:
Quando o assunto é representatividade, no entanto, Antropologia é o curso com a maior proporção de indígenas em relação ao total de alunos: 8,55%. Ele é seguido por Gestão da Qualidade (2,43%) e outras 15 carreiras que alcançam ao menos 1% de participação.
Para o levantamento deste último gráfico, foram considerados cursos com mais de mil alunos ativos. Desta maneira, áreas que envolvem temática indígena, como Educação Intercultural, Licenciatura Indígena e Gestão Territorial Indígena não foram apresentadas. Elas recebem entre 85% e 100% de estudantes indígenas.
Entre as causas apontadas pela Fundação Nacional do Índio (Funai) para este crescimento, estão a evolução da Educação Escolar Indígena, ações afirmativas e políticas específicas, como os programas de cotas.
A permanência dos indígenas no Ensino Superior, no entanto, ainda é um desafio. Ela esbarra em questões como dificuldades linguísticas, preconceito e problemas financeiros – já que muitos estudantes passam a conviver com despesas que nunca tiveram na vida, como gastos com moradia e alimentação.
Para tentar minimizar o impacto deste último ponto, o Ministério da Educação (MEC) oferece o Programa Bolsa Permanência, que oferece auxílio financeiro para estudantes em situação de vulnerabilidade econômica. O valor atual da bolsa é de R$ 400, mas estudantes indígenas e quilombolas recebem o equivalente a pelo menos o dobro deste valor.
Leia também: Minorias nas faculdades: por que o acesso ao Ensino Superior ainda é restrito no Brasil?
*Colaboraram: Tiago Pazos e Rui Gonçalves


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