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História do Brasil

Guerra de Canudos

Maria Clara Cavalcanti
Publicado por Maria Clara Cavalcanti
Última atualização: 29/8/2018

Introdução

A Guerra de Canudos aconteceu no sertão da Bahia, entre 1896 e 1897. Foi uma das maiores guerras civis da História do Brasil.

Canudos é considerado um movimento messiânico, uma vez que seu líder, Antônio Conselheiro, se considerava um enviado de Deus para salvar o povo nordestino.

Foi também um movimento social e popular, já que o líder foi seguido por inúmeros integrantes das camadas populares da região, que lutaram pela posse da terra, contra o poderio dos coronéis na região e por melhores condições de vida.

Mapa da região de Canudos. Mapa da região de Canudos

Contexto Histórico

A Proclamação da República, feita por Marechal Deodoro da Fonseca em 1889, não significou transformações estruturais efetivas nas condições de vida da população.

Ou seja, os velhos problemas sociais presentes nos tempos de monarquia permaneceram durante os primeiros anos da República.  

O sertão da Bahia vivia uma crise generalizada: os engenhos haviam entrado em decadência; o fim da escravidão significou o surgimento de uma população numerosa sem trabalho ou moradia e a concentração de terras permanecia na mão de uma minoria.

Além disso, em 1878, havia tido uma terrível seca, que só veio a aumentar a pobreza e miséria da maior parte da população que lá vivia.

É nesse contexto que surge o chamado “messianismo”, movimento que consistiu no aparecimento de líderes locais com forte discurso religioso salvacionista que perambulavam pelo Nordeste fazendo pregações.

Antônio Conselheiro e a fundação de Canudos

Antônio Conselheiro foi um dos mais conhecidos líderes messiânicos e fundador da chamada “cidade santa” em Canudos.

Apesar de ter nascido em uma cidade pobre do Ceará, a família de Antônio Conselheiro era de classe-média, o que possibilitou sua instrução e educação. Antes de se tornar um líder messiânico, Conselheiro chegou a ser comerciante, professor e advogado amador.

Antônio Conselheiro ficou conhecido por seus discursos fatalistas, que anunciavam o fim do mundo, proferidos por praças e locais públicos de todo Nordeste. Além disso, seu discurso religioso tratava a República como um governo indigno por ser laico.

Por isso, passou a pregar contra os impostos republicanos e a incentivar a população a desrespeitar as autoridades locais.

É nesse contexto que Antônio Conselheiro deixou de ser um líder religioso excêntrico e se tornou um perigo iminente para as autoridades do período, reunindo grande número de fiéis.

Antônio Conselheiro e seus seguidores. Antônio Conselheiro e seus seguidores. 

Em 1893, Antônio Conselheiro se fixou, junto ao grupo que o seguia, em uma região do agreste baiano. Na fazenda chamada Canudos, fundaram Belo Monte, sua “cidade santa”.

Com o passar do tempo, a cidade começou a crescer, chegando a um contingente de 25 mil habitantes. Isso porque, o discurso de Antônio Conselheiro sobre justiça social e posse coletiva da terra era extremamente atraente.

Em Canudos, a vida era pobre mas extremamente religiosa e comunitária. Também era imposta uma séria conduta moral, que proibia excessos com bebida, brigas, roubos e etc.

Canudos começou a atrair um grande número de pessoas, especialmente os grupos que não tinham espaço político e econômico na sociedade brasileira. Dentre eles:

  • trabalhadores braçais que abandonaram o serviço para os coronéis no Nordeste;
  • fugitivos da lei;
  • ex-escravos;
  • indígenas.

Antônio Conselheiro construiu, assim, um forte poder político e religioso na região.

Esse poder e influência exercidos por Antônio Conselheiro passaram a incomodar tanto o governo local, quanto o presidente Prudente de Moraes.

As autoridade religiosas também ficaram descontentes com um pregador religioso leigo, nem formado em Teologia nem pertencente ao corpo oficial da Igreja Católica.

A repressão a Canudos

A Guerra de Canudos começou por influência de autoridades baianas que começaram a difundir a ideia de que Antônio Conselheiro era um fanático monarquista que tinha, inclusive, apoio internacional para tramar contra a República.

Mediante à conspiração e pressão das elites locais, além da construção da imagem dos integrantes de Canudos como “perigosos monarquistas”, o Governo enviou expedições armadas para desmontar Canudos.

Foram necessárias quatro expedições armadas para derrotar Canudos. A força dos integrantes do movimento e os três primeiros fracassos do Exército aumentaram o terror dos representantes republicanos quanto às tentativas de retomada da Monarquia.

Ao todo, foram enviados 12 mil soldados para destruir Canudos. A mobilização militar em prol do desmonte de Canudos demonstra o quanto o discurso de Antônio Conselheiro aterrorizou as autoridades republicanas.

As tropas do governo acabam por atingir seu objetivo e destruíram a comunidade montada em Canudos, deixando em torno de 25 mil mortos. As tropas oficiais não chegaram a fazer prisioneiros, executando muitos dos integrantes de Belo Monte, em Canudos.  

O livro “Os Sertões” (1902), de Euclides da Cunha, é um dos mais conhecidos romances brasileiros e tem a Guerra de Canudos como cenário.

A Guerra de Canudos demonstrou uma das muitas permanências de estruturas monarquistas durante a República.

O fim do Império não significou mudanças efetivas na situação da maior parte da população, que era ainda pobre e miserável. E o fim da escravidão não garantiu a integração efetiva dos ex-escravizados como cidadãos de direitos.

Essas situações geraram revoltas, e Canudos foi uma delas. A repressão violenta ao grupo também demonstra as estratégias políticas nos primeiros anos da Primeira República.


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2015)

Leia com atenção os seguintes textos:

TEXTO I 

Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até o esgotamento completo. Vencido palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados.

(CUNHA, E. Os sertões. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1987)

TEXTO II

Na trincheira, no centro do reduto, permaneciam quatro fanáticos sobreviventes do extermínio. Era um velho, coxo por ferimento e usando uniforme da Guarda Católica, um rapaz de 16 a 18 anos, um preto alto e magro, e um caboclo. Ao serem intimados para deporem as armas, investiram com enorme fúria. Assim estava terminada e de maneira tão trágica a sanguinosa guerra, que o banditismo e o fanatismo traziam acesa por longos meses, naquele recanto do território nacional.

(SOARES, H. M. A Guerra de Canudos. Rio de Janeiro: Altina, 1902)

Os relatos do último ato da Guerra de Canudos fazem uso de representações que se perpetuariam na memória construída sobre o conflito. Nesse sentido, cada autor caracterizou a atitude dos sertanejos, respectivamente, como fruto da:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, shorts e tênis acenando

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