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Vestibular e Enem

45 anos do Dia Internacional da Mulher: como a luta pela igualdade de gênero cai no Enem?

por Giovana Murça em 05/03/20

Este ano, a oficialização do Dia Internacional da Mulher pela Organização das Nações Unidas (ONU) completa 45 anos. Apesar do comércio ter relacionado o 8 de março à venda de presentes e promoções para mulheres, a data foi instituída em 1975 para lembrar a luta e conquistas por igualdade das mulheres no mundo todo. 

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Mulheres realizam ato em luta por igualdade em Curitiba no Dia Internacional da Mulher em 2018 (Gibran Mendes/Fotos Públicas)

O ano de 1975 foi denominado o “Ano Internacional da Mulher”. Naquele mesmo ano, aconteceu a Primeira Conferência Mundial da Mulher com o lema “Igualdade, Desenvolvimento e Paz”, no México, e os próximos 10 anos foram intitulados como a Década da Mulher.

Hoje, o mês de março é marcado por manifestações contra a violência contra mulher e desigualdades no mercado de trabalho, meio acadêmico, dentro de casa e na política. Entretanto, as reivindicações pelos direitos das mulheres se iniciaram bem antes de se institucionalizar uma data.

Veja: 8 dados que justificam a luta por igualdade de gênero nos dias de hoje

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Manifestação em defesa da vida da mulher em Recife em 2016 (Sumaia Villela/Agência Brasil)

Entretanto, a luta feminina por igualdade de direitos começou bem antes da institucionalização da data em 1975. Confira um pouco do histórico de reivindicações das mulheres!

Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã

A Revolução Francesa marca a queda do Absolutismo e início da luta pela democracia sob os princípios de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. A revolução dá origem ao documento “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão” que afirma que todos os homens são iguais e inspira a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU. 

No entanto, a igualdade de direitos se estendeu somente aos homens, como consta no título do documento. A “Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã”, escrita pela ativista Olympe de Gouges em 1791, que pedia a igualdade política, social e jurídica, não foi aprovado e sua autora, executada. 

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Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã gravada abaixo da escultura de Olympe de Gouges (G.Garitan/Wikimedia Commons)

Mulheres no movimento operário e socialista

Décadas mais tarde, a Revolução Industrial marca a inserção de milhares de mulheres no mercado de trabalho. Porém, nas fábricas, além de serem submetidas a péssimas condições de trabalho, as mulheres também recebiam menores salários.

Diante da exploração nas fábricas e inspirados por ideias socialistas, logo surgem os primeiros movimentos operários por melhores condições de trabalho. Na luta operária, a participação e reivindicações das mulheres começam a ganhar destaque. Além do machismo e repressão, elas também sofriam com assédios morais e violências sexuais. 

No ano seguinte, a Segunda Conferência de Mulheres da Internacional Socialista, a líder socialista alemã Clara Zetkin sugeriu a celebração do Dia Internacional da Mulher anualmente. 

Manifestação das mulheres pelas ruas de Petrogrado, capital da Rússia, em 1917 (Domínio público)

Já em 1917 na Rússia, o dia 8 de março (23 de fevereiro, no calendário gregoriano) foi marcado por protestos de operárias contra a fome e crise causadas pela participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial. As manifestações pela saída da guerra deram origem a Revolução Russa no mesmo ano. Depois da revolução, a data foi oficializada como o Dia da Mulher Heroica e Trabalhadora. 

As sufragistas

Um dos episódios mais famosos que marcam a precariedade do trabalho e compõem o imaginário coletivo sobre a luta das mulheres é o incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist em Nova Iorque em março de 1911, tragédia que vitimou 129 mulheres e 23 homens. 

Nos Estados Unidos, o Partido Socialista da América organizou um Dia da Mulher com manifestações por Nova Iorque, em 20 de fevereiro de 1909, pela igualdade de direitos e voto feminino. Em 1913, milhares de mulheres sufragistas marcharam na capital Washington pelo direito ao voto.

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Milhares de mulheres marcham em Washington pelo direito ao voto em 1913 (Reprodução/Biblioteca do Congresso dos EUA)

As reivindicações das mulheres por direitos iguais, sufrágio feminino (voto feminino), mais oportunidades e liberdade foi ganhando força. Na década de 1960, o movimento lutou pela ampliação de direitos legais e sociais, abordando temas como família, direitos reprodutivos, sexualidade e mercado de trabalho.

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Sufragistas britânicas seguram placa pedindo direito de voto às mulheres na década de 1910 (Autor desconhecido/Wikimedia Commons)

No Brasil, uma das pioneiras pela luta de direitos das mulheres é a educadora Nísia Floresta. Na década de 1920, as reivindicações incluíam direito ao voto, a educação e emancipação feminina.

Após décadas de lutas, muitos direitos já foram conquistados. O direito ao voto feminino, por exemplo, veio quase 100 anos depois da Revolução Francesa, na Nova Zelândia, em 1932 no Brasil e hoje está presente, praticamente, em todos os países países.

Feminismo no século XXI

Ainda hoje, equidade - igualdade de oportunidades - ainda não foi alcançada. As reivindicações do movimento feminista incluem fim da violência contra mulher, mais igualdade no mercado de trabalho e mais representatividade política.

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Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver ocorrida em Brasília, em 2015 (Marcello Casal Jr/Arquivo Agência Brasil)

Atualmente, os grupos de luta pelas mulheres têm várias vertentes, como o feminismo negro, liberal, marxista, radical e interseccional. A segmentação leva em conta que mulheres de diferentes condições financeiras, sociais, etnias e culturas têm diferentes necessidades. 

Como pode cair no Enem?

A pauta das mulheres já esteve presente algumas vezes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Em 2015, o tema da redação foi “A persistência da violência contra a mulher no Brasil”. No mesmo ano, a prova também abordou uma questão sobre o livro "O segundo sexo", da filósofa e feminista Simone de Beauvoir.

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Enem 2015 - Resposta: C (Reprodução/Inep)

Já em 2019, foi a vez de Maria Quitéria, uma mulher que lutou pela Independência do Brasil na Bahia, aparecer na prova. “Nos últimos cinco anos, as questões sobre papéis de gênero apareceram todos os anos”, afirma a professora de História do Colégio Poliedro, Julia Sellanes. 

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Enem 2019 - Resposta: A (Reprodução/Inep)

A professora Julia acredita que o Enem 2020 deva tratar novamente o tema, mas não especificamente a origem do Dia Internacional da Mulher, já que a data é circundada por uma série de mitos e história incompletas, como a do incêndio na fábrica em Nova Iorque.

Ao invés disso, a prova deve abordar a história de luta por trás da data. Para estar preparado, é preciso que o estudante conheça a mudança do papel feminino ao longo da história e a evolução dessa luta ao longo dos séculos

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Ato pelo Dia Internacional da Mulher em Curitiba em 2018 (Gibran Mendes/Fotos Públicas)

O feminismo do século XIX nasce como uma luta da classe operária e só no final do século se chega às mulheres burguesas e estudadas e, portanto, com outras reivindicações. “Enquanto as mulheres trabalhadoras pedem melhores condições de trabalho, inclusive muitas com discurso socialista, as mulheres mais abastadas e com mais conhecimento político pedem por voto e direito de estudar áreas mais técnicas, como engenharia”, explica Julia.

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