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História Geral

Renascimento

Otávio Spinace
Publicado por Otávio Spinace
Última atualização: 10/10/2018

Introdução

O Renascimento foi um movimento cultural que ocorreu na Europa entre os séculos XIV e XVI. Marcou a transição da Idade Média para a Idade Moderna.

É considerado um movimento de transição porque conservou características da Idade Média ao mesmo tempo em que procurou estabelecer novos paradigmas e romper com a tradição medieval.

Embora tenha se manifestado, sobretudo, no campo cultural, o Renascimento teve impacto sobre a política, economia, religião e mentalidade da sociedade europeia.

O movimento renascentista recebeu esse nome posteriormente, em razão da valorização da Antiguidade Clássica - em especial a cultura greco-romana -, uma de suas principais características.

Ou seja, para os que o denominaram, os renascentistas teriam resgatado a cultura do período Clássico, em oposição ao período de “trevas” medieval.

Esse movimento, contudo, não pode ser entendido como uma ruptura radical com a Idade Média, mas sim como algo gradual.

Da mesma forma que a Idade Média não rompeu plenamente com a Antiguidade, preservando algumas de suas características que se modificaram e se adaptaram a um novo contexto, o Renascimento modificou certas características do período medieval, ao mesmo tempo que manteve outras.

Dessa forma, devemos entender o Renascimento como um processo que deu início a uma nova fase da História, e não uma ruptura radical com o período anterior.

Contexto histórico

O período da Baixa Idade Média, que se estendeu dos séculos XI ao XV, foi marcado por um renascimento urbano e pelo declínio da sociedade feudal na Europa.

O feudalismo, predominante durante a Alta Idade Média, começou a entrar em crise, entre outros motivos, pela dinamização do comércio nas cidades.

O crescimento da atividade comercial, por sua vez, guarda relação com as Cruzadas - expedições de caráter religioso, militar e econômico, ocorridas entre os séculos XI e XIII que, entre outros objetivos, visavam recuperar o domínio cristão sobre Jerusalém.

As Cruzadas causaram profundos efeitos econômicos, abrindo novas rotas comerciais e recuperando o domínio ocidental sobre antigos territórios, contribuindo com a recuperação comercial vivida pela Europa.

Esse processo resultou no Renascimento, um movimento cultural muito influenciado pela Antiguidade Clássica e que marcava uma nova maneira com que a sociedade europeia passou a ver o papel do homem no mundo.

Esse movimento se manifestou em diversas áreas, mas principalmente nas artes. O berço do movimento foi a Itália: cidades como Gênova, Veneza, Florença e Roma se beneficiaram com a reabertura do Mediterrâneo para o comércio com o Ocidente, tornando-se o principal palco do Renascimento.

Posteriormente o movimento se espalhou por outras regiões da Europa.

Características

  • Desenvolvimento cultural e artístico: a produção artística e cultural é a principal marca do Renascimento. Grandes artistas, como Leonardo da Vinci, Michelangelo e Rafael, manifestaram o ideal renascentista em pinturas, esculturas e afrescos, além de desenvolverem estudos em diversas áreas do conhecimento. Novas técnicas foram introduzidas, como as noções de perspectiva e profundidade, a utilização de estudos de anatomia para produção artística, e também uma nova forma de retratar o homem, que passou a ocupar espaço central na arte renascentista. No campo da literatura, nomes como Dante Alighieri, William Shakespeare e Miguel de Cervantes estiveram entre os mais notáveis do período;
  • Desenvolvimento científico: estudiosos como Nicolau Copérnico, Galileu Galielei e Giordano Bruno promoveram avanços significativos nas ciências naturais, inclusive alguns que desafiavam dogmas religiosos e provocaram uma série de conflitos com a Igreja Católica;
  • Antropocentrismo: inspirado no Humanismo - doutrina filosófica que valoriza o ser humano -, é caracterizado por uma mudança de perspectiva, na qual o homem é considerado o centro da criação divina e, consequentemente, do mundo. Apesar de ser oposta ao teocentrismo, que colocava Deus como centro de todas as coisas, o antropocentrismo ainda enxerga uma ligação importante entre o ser humano e Deus. Marca, na verdade, o surgimento de uma nova relação entre sociedade e religião;
  • Racionalismo: é durante o Renascimento que ganha força o racionalismo, a crença de que o conhecimento e a verdade sobre o mundo poderiam ser alcançados através da razão, se desvencilhando de explicações que atribuíam todas as coisas à vontade divina;
  • Auge na Itália: o desenvolvimento do comércio no Mar Mediterrâneo e a intensa atividade cultural fizeram com que as cidades da Península Itálica (onde hoje está a Itália, mas à época dividida em várias repúblicas e reinos) fossem o berço do Renascimento. Membros da burguesia, de famílias nobres e até mesmo da Igreja gastavam muitos recursos financiando artistas renascentistas, ficando conhecidos como mecenas. Posteriormente, em especial no século XVI, o movimento se espalhou para outros países da Europa.
  • Ascensão da burguesiao renascimento comercial e urbano, a abertura de novas rotas comerciais entre Ocidente e Oriente, e o crescimento do comércio nas cidades europeias promoveram a ascensão da burguesia, que se tornaria um ator político importante na sociedade europeia durante a Modernidade.

“Escola de Atenas”, pintada durante o Renascimento por Raphael. A Antiguidade Clássica foi uma das principais inspirações do período renascentista.“Escola de Atenas”, pintada durante o Renascimento por Raphael. A Antiguidade Clássica foi uma das principais inspirações do período renascentista.


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2012)

Não ignoro a opinião antiga e muito difundida de que o que acontece no mundo é decidido por Deus e pelo acaso. Essa opinião é muito aceita em nossos dias, devido às grandes transformações ocorridas, e que ocorrem diariamente, as quais escapam à conjectura humana. Não obstante, para não ignorar inteiramente o nosso livre-arbítrio, creio que se pode aceitar que a sorte decida metade dos nossos atos, mas [o livre-arbítrio] nos permite o controle sobre a outra metade.

(MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Brasília: EdUnB, 1979 (adaptado))

Em “O Príncipe”, Maquiavel refletiu sobre o exercício do poder em seu tempo. No trecho citado, o autor demonstra o vínculo entre o seu pensamento político e o humanismo renascentista ao

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, shorts e tênis acenando

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